O fascinante mundo da fuga digital
A ausência de resposta diz mais do que qualquer mensagem entregue.
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segunda-feira, 24 de março de 2025
A ausência de resposta diz mais do que qualquer mensagem entregue.
Abraham Shapiro 
Você manda uma mensagem no WhatsApp e… silêncio absoluto. O duplo tique azul, outrora símbolo do compromisso com a comunicação, tornou-se um enigma. E a grande questão persiste: por quê?
Bem-vindo ao fascinante mundo da fuga digital, onde a ausência de resposta diz mais do que qualquer mensagem entregue.
Primeiro, temos os desinteressados profissionais. A sua mensagem foi recebida, é claro. Mas foi imediatamente relegada ao mesmo limbo que promoções de colchão e anúncios de cupons de desconto.
Depois, encontramos os mestres do esquecimento seletivo – aqueles que só lembram da sua existência quando precisam de algo que só você faria por eles.
Há também os que operam sob a lógica do "se eu abrir, sou obrigado a responder". Para evitar esse peso existencial, fingem que a notificação nem existe. São estrategistas habilidosos, capazes de ler mensagens pela tela bloqueada, pelo modo avião, ou até mesmo por um rápido vislumbre antes de deslizar o dedo e seguir a vida.
E claro, não podemos esquecer dos peritos na enrolação emocional. Aqueles que juram que vão responder “depois”, porém o depois chega quando você já trocou de cidade, de carreira ou até se aposentou.
A verdade? Quem quer falar, fala. Quem não quer, te arquiva mentalmente como uma lembrança distante. Então, ou você aceita ou recorre ao bom e velho correio, quem sabe através de uma carta registrada, com aviso de recebimento. Assim, pelo menos, quando for ignorado, você terá uma prova oficial da sua insignificância na vida do outro. E se nem isso resolver, ainda resta um último recurso: enviar um pombo-correio e torcer para que, ao menos, o pobre animalzinho seja bem recebido.


