O desafio da gerência
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segunda-feira, 02 de novembro de 2020
Abraham Shapiro 
Formar grupos de pessoas é fácil. Basta convencê-las a se ajuntar, ou pagá-las para isso. É o que as empresas fazem: contratam o fulano e o põem para desempenhar um papel específico.Normalmente, um gestor precisa de pessoas para executar as tarefas de sua área. Ele vai ao RH e solicita profissionais mediante um perfil técnico e características de comportamento. O RH seleciona e então traz essas pessoas, treina e as coloca para produzir seja lá o que for.Em todas as áreas de uma organização existem dois tipos de tarefas: as individuais e as coletivas. Um projeto, por exemplo, é dividido em atividades que são distribuídas entre vários membros.
Quanto maior for o entendimento e o alinhamento entre esses membros, mais facilmente as coisas correrão bem, e os resultados poderão ser atingidos.Mas é preciso entender que enquanto as pessoas forem um grupo, elas tendem a atuar de modo egoísta, preocupadas somente com ‘sua parte’.O trabalho mais complexo deste gerente é alinhar os interesses de todos em direção ao objetivo do projeto. A partir desse momento, eles serão uma equipe e não mais um grupo.Conheci gerentes que fracassaram por toda a vida profissional nesta tarefa. Mas sou grato por ter conhecido outros que tiveram sucesso. Interessante é que estes últimos não eram pós-graduados, não tinham um certificado de MBA e nem se dedicavam à leitura fanática de livros de gurus.
Eles eram bons em motivar as pessoas a se expressarem e a se sentir à vontade para expor suas forças, suas fraquezas e suas vulnerabilidades uns aos outros. Elas tinham liberdade de sugerir ideias sem nenhum medo de repreensão ou retaliação porque sabiam que nada de mal lhes aconteceria.Havia críticas, é claro. Mas nunca agressivas ou humilhantes. O comportamento de todos criava uma sensação de unidade, ao mesmo tempo que o gerente as incentivava a se arriscar. E ele conseguia.Elas propunham alternativas, davam respostas a problemas, às vezes absurdas, mas com vontade poderosa de participar. Todos sentiam segurança psicológica e acreditavam que juntos estavam firmes e unidos para correr riscos. Tinham certeza de que não haveria constrangimento, rejeição ou punição ao expressar seus pontos de vista.Vou lhes dizer uma sabedoria que a vida me ensinou. Equipe é um ambiente. Equipe é um estado mental com base na confiança e no respeito mútuo.
Enquanto as pessoas não se sentirem à vontade para ser quem são, elas precisarão de muito esforço para ser o que o chefe espera delas. E isso é estressante. Quando não suportam mais o estresse, elas se demitem ou, se ficarem, pleitearão maior salário e sua produtividade será baixa – quando não desprezível.Na verdade, nessas condições, ainda que permaneçam, elas já terão desistido.


