Não queira vender para todo mundo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
Abraham Shapiro 
Recentemente atendi uma pequena indústria de alimentos de boa qualidade. Como muitas empresas brasileiras, nunca existiu um planejamento para sua entrada no mercado. Assim que começou a produzir, já dependia de colocar os produtos no maior número de pontos de vendas possível. Vender era a lei incondicional. O que caísse na rede era peixe.
Sem nenhum critério pelo qual se propusesse a conhecer seu público, os negócios com que a empresa viu oportunidade de fazer dinheiro foram lojas de conveniência de toda a região, mercadinhos, padarias e distribuidores de pequeno porte.
No início tudo parecia ir bem.
Mas quando a matéria-prima e outros custos começaram a subir, a dificuldade de repasse aos preços foi aumentando. Muitos daqueles parceiros que escoavam produtos atendiam consumidores que buscavam produtos de baixo preço, e não qualidade. A indústria quis mantê-los. Para isso, não havia outra alternativa senão reduzir as margens de lucro.
A situação piorou até tornar-se insustentável. Foi quando mostramos a necessidade de qualificar os clientes e iniciar a dolorosa jornada de corte daqueles que não tinham poder de compra, ao mesmo tempo que novos clientes fossem trazidos – clientes que atendessem aos quesitos que estabelecemos como público-alvo.
Você sabe por que é que a Ferrari não tem concessionárias em qualquer cidade? É que seus veículos se destinam a um público muitíssimo seleto. Esse público irá se deslocar até as duas ou três concessionárias, onde quer que elas se localizem, para comprar o carro de seus sonhos.
Então, não se deixe levar pelo desejo ingênuo de querer vender o seu produto ou serviço para todo mundo. A menos que já exista uma escala tão astronômica de consumo que os pouquíssimos centavos de lucro por unidade vendida compensem sua distribuição como confetes coloridos numa festa de formatura.
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A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina.
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