Matarazzo, Votorantim e a correta sucessão
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segunda-feira, 08 de julho de 2019
Abraham Shapiro 
Os Matarazzo são, até hoje, um ícone de poderosa empresa familiar... que acabou. E muita gente se apega a este exemplo para dizer que empresa familiar acaba mal. Mas e como ficam as que se sustentaram com inteligência? O Grupo Votorantim, por exemplo.
Nas indústrias Matarazzo, o sucessor foi imposto. Eles encaravam a empresa como um reino. No grupo Votorantim o sucessor foi negociado, estudado, preparado com experiência e, na hora certa, provado.
A decisão da geração atual reflete sobre as gerações futuras.
De uma vez por todas é preciso entender que o problema da sucessão na empresa familiar é essencialmente psicológico, e não jurídico ou tributário. A solução começa em discutir com a família e os sócios quem vai poder assumir o comando quando o atual dirigente não estiver mais presente.
Pode parecer tétrico, mas, se o assunto é negócios, morrer é uma arte! Qualquer empresário precisa saber planejar até sua partida deste mundo. E planejar a sucessão não significa aposentar a geração que trabalha, mas organizar mecanismos de convivência.
Há empresas familiares com três gerações trabalhando: avô, filhos e netos. Os pais mandam os filhos para estudar no exterior. Com isso, eles mesmos viram um ‘sanduíche’. Sabe como? O avô não larga o controle; o neto já tem entre 30 e 35 anos. Quando o avô morre, é o neto que assume, e não seu pai, que já terá por volta de 65 anos. Este é o sanduíche: pai amassado ou espremido por seu pai e seu filho.
Um empreendedor verdadeiro tem de entender o plano de vida dos filhos o mais rápido possível, já que será mais difícil resolver a sucessão aos 70 ou 80 anos de idade. E os filhos só podem assumir se tiverem vocação e capacitação.
Há filhos que querem, mas não podem. E há os que podem, mas não querem.
O pai empreendedor deve preparar os filhos, mesmo que eles acabem fora do negócio da família. E se esta tendência se confirmar, o papel do pai será dar ao menos uma canoa para o filho enfrentar o dilúvio.
A experiência mostra que não adianta insistir em casos de contrariedades, mas agir sempre com inteligência e buscar apoio profissional – um consultor experimentado ou mentor especialista no assunto. É aconselhável evitar profissionais sem referências, porque o mercado atual está repleto de pessoas que, fracassadas em seus ofícios, vestem-se numa roupa boa, imprimem um cartão com a palavra consultor, coach ou mentor embaixo do nome e prometem o paraíso a troco de dinheiro. Resultados? Depois pensarão nisso!
Abraham Shapiro é consultor e coaching de líderes em Londrina


