Liderar não é agradar, elogio deve ter critérios
Quem elogia demais e cobra de menos está, na prática, formando uma equipe emocionalmente mimada
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segunda-feira, 18 de agosto de 2025
Quem elogia demais e cobra de menos está, na prática, formando uma equipe emocionalmente mimada
Abraham Shapiro 
Existe uma ideia bastante popular — e equivocada — de que um bom líder é aquele que elogia sempre, motiva o tempo todo e nunca cobra com firmeza. Essa crença transforma a liderança em um palco de agrados, onde o líder tenta conquistar o time pela simpatia, e não pela verdade.
Mas liderança não é teatro. É construção. Quem elogia demais e cobra de menos está, na prática, formando uma equipe emocionalmente mimada e profissionalmente preguiçosa. Gente que só funciona se for aplaudida, e que paralisa ao menor sinal de crítica.
Elogio, sim, é importante. Mas precisa vir com critério. Reconhecer quem entrega resultado, quem se esforça, quem aprende e evolui — isso fortalece. Já o elogio gratuito, sem conexão com o mérito real, amolece e ilude. Ele cria a ilusão de competência onde ainda há carência de desenvolvimento.
Um líder que só elogia está, no fundo, tentando comprar o afeto da equipe. É como um pai que tenta educar o filho só com presentes: parece bonito no começo, mas o resultado será um adulto mimado, sem maturidade para enfrentar a realidade.
Equipes fortes precisam de clareza, não de agrado. Precisam saber o que fazem bem — e, principalmente, o que ainda precisam melhorar. Um ambiente maduro é aquele em que o reconhecimento é justo e a exigência é constante.
Admiração não se compra. Se conquista com presença firme, orientação realista e postura coerente.
Se quiser ser um líder de verdade, não busque ser adorado. Busque ser respeitado. E prepare sua equipe para ser melhor — mesmo quando isso não arrancar aplausos.


