Empresa familiar e conflitos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de novembro de 2019
Abraham Shapiro 
Tomo a liberdade de tratar na coluna de hoje de um assunto complexo. Você sabe qual é o lado mais nocivo de qualquer conflito? É o fato dos envolvidos se autorizarem a usar qualquer artifício para se preservar.
Numa empresa familiar, os parentes acham que vale tudo. E se esquecem de que é a empresa que paga a conta – refiro-me ao ideal do negócio, ao patrimônio e tudo o mais.
A maior prova de sabedoria dos sócios, numa empresa familiar, são as regras que alguns estabelecem a fim de profissionalizar seus relacionamentos, suas decisões, obrigações e poderes. Estas regras, também chamadas acordos, são ‘cercas’ ou limites para que os parentes tenham a empresa como prioridade, e nunca sua vaidade burra.
A sua empresa tem um plano para solução de conflitos? Eu conheço poucas nesta região que têm. Todas as demais você sabe o que fazem? Rezam todas as manhãs para que tudo vá bem. Isto resolve?
Conflito é veneno. No entanto, supor que eles não existirão só porque as coisas parecem bem hoje é uma tolice grotesca.
Vamos à prática. O que fazer? A primeira alternativa plausível para solucionar um conflito é trazer uma pessoa de fora para atuar sobre as partes envolvidas pelo período necessário para eliminar a causa – alguém com qualificação e habilidades comprovadas .
O filósofo alemão, Arthur Schopenhauer, tinha uma metáfora engraçada e realista com que comparava as pessoas nas sociedades. A figura se aplica perfeitamente às empresas familiares. Ele dizia que sócios são como o porcos-espinho. Eles precisam estar juntos para se reproduzir e sobreviver, mas, quando chegam muito perto uns dos outros, acabam se espetando.
Isto é mais claro que a luz.


