Certa vez, um poderoso rei teve um sonho terrivelmente angustiante: via-se sem um único dente na boca. Acordou suando frio e, inquieto, chamou às pressas o mais respeitado sábio da corte para interpretar o presságio. O sábio, após refletir com seriedade, declarou com voz grave:

— Majestade, lamento informar, mas este sonho indica que vossa família toda partirá antes de vós. Vós vivereis para enterrar cada um dos vossos entes queridos.

O rei, tomado por uma fúria súbita, não quis saber de mais explicações. Considerando a mensagem mórbida e ofensiva, ordenou que o sábio fosse imediatamente punido... com pena máxima.

Ainda agitado, chamou um segundo sábio e repetiu o relato do sonho, buscando agora uma explicação mais “palatável”. O novo intérprete ouviu com atenção, meditou por instantes, e, sabendo da pena anteriormente imposta a seu colega, sorriu e disse:

— Majestade, que bênção! Vosso sonho revela que tereis uma vida longa. Longa o suficiente para ver muitas gerações sucederem-se. Vossa longevidade será sinal de força e estabilidade para todo o reino!

Encantado com essa versão mais "otimista", o rei encheu o sábio de presentes e, no mesmo dia, o promoveu a conselheiro real.

Moral da história. A verdade dita de forma bruta pode ser fatal. Já a mesma verdade, com um bom verniz e um pouco de tato, pode render mais do que se espera ou imagina!

Eu aprendi desde cedo que há pelo menos 600 mil modos de olhar para a mesma situação e interpretá-la. O problema é que, em geral, limitamo-nos a apenas dois: o trágico e o triunfante. Por quê? Por preguiça mental ou vício de pensamento imposto por crenças vazias e nunca provadas.

Então, pelo seu próprio bem exercite a sua criatividade. Reconte as histórias mais marcantes da sua vida sob novas lentes. E jamais esqueça: a mente, tal como um paraquedas, só funciona, de fato, ‘se’ e ‘quando’ abrir.

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