A vaidade é um problema: ninguém vence sozinho
Um executivo, ao ser premiado por um projeto de impacto social, subiu ao palco e fez um discurso épico. Detalhe? A ideia veio de uma estagiária
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segunda-feira, 30 de junho de 2025
Um executivo, ao ser premiado por um projeto de impacto social, subiu ao palco e fez um discurso épico. Detalhe? A ideia veio de uma estagiária
Abraham Shapiro 
“Vaidade... definitivamente, meu pecado favorito.” A frase de Al Pacino em O Advogado do Diabo não ficou famosa à toa. Ela escancara, com um toque teatral, a tentação constante de buscarmos aplausos — mesmo que à custa da verdade.
É o caso de um executivo que, ao ser premiado por um projeto de impacto social, subiu ao palco e fez um discurso épico sobre esforço pessoal, visão de futuro e superação. O detalhe omitido? A ideia veio de uma estagiária. Ele apenas refinou, bancou e colheu os frutos. A estagiária? Ganhou um “muito obrigado” protocolar e seguiu invisível. Eis aí a vaidade em traje de gala.
Esse tipo de encenação não é exclusividade do mundo corporativo, mas nele costuma brilhar com mais luzes. A lógica é simples e perversa: quanto maior o holofote, mais cresce o impulso de parecer irrepreensível, mesmo que o mérito seja coletivo e o esforço, partilhado.
O mito do "cheguei aqui sozinho" é reconfortante para o ego, mas frágil diante da realidade. Ninguém avança sem apoio, sem portas abertas, sem gente generosa pelo caminho. Reconhecer isso não diminui ninguém. Só engrandece.
A maturidade chega quando trocamos o script do herói solitário pela narrativa do colaborador consciente. Quando entendemos que sucesso real não é troféu, é construção. E que propósito e gratidão não são palavras bonitas, são condutas transformadoras.
Grandeza de verdade não sobe no palco gritando. Ela atua nos bastidores, com consistência. E, quando se abrem as cortinas, se lembra de quem dividiu o bastão. Porque vencer é ótimo. Mas vencer com verdade e sem apagar ninguém é infinitamente melhor.


