A pós-graduação do João
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segunda-feira, 07 de outubro de 2019
Abraham Shapiro 
O João está concluindo o curso de Administração. Diz ele, numa boa faculdade. Ele também diz que sua escola está habilitada para oferecer cursos de pós-graduação e vai fazer um preço especial para os alunos.
Então eu lhe perguntei por que ele precisa de uma "pós". Sua resposta foi que acredita ser bom. Perguntei novamente quanto ele se dedicou aos estudos regulares ao longo de seu curso atual. Em suas palavras: “mais ou menos” e que, por esta razão, uma pós-graduação irá ajudá-lo a suprir o que ele não aprendeu.
Eu mostrei ao João – e agora vou tentar mostrar a você – que isto é puro folclore. Mais um entre tantos que povoam as crenças das pessoas comuns e incautas. É um pressuposto geral e sem confirmação.
A pessoa entra num curso superior, estuda mais ou menos, gasta um dinheiro relativamente alto para conseguir um diploma, depois cai na ilusão de que uma pós-graduação ou um MBA fará o que ela mesma nunca fez por si. Recorrem ao recurso como panaceia.
É como a história daquele repórter que perguntou ao fazendeiro quantos litros de leite sua vaca dá por dia, e ele respondeu que “ela não dá nenhum litro.... ele é que tem de ordenhá-la”.
Acho que você entendeu.
O ouro é valioso porque não se encontra em qualquer lugar. Hoje em dia, quase todo mundo faz uma faculdade e depois uma "pós". Os que não fazem se sentem em desvantagem. O que os indivíduos não pensam é que o diferencial deixou de ser isto. Conhecimento já não vale muito na era do Google. O que toda empresa está disposta a pagar é pela capacidade de converter conhecimento em prática, ou melhor, em resultado.
Chegamos ao tempo em que saber fazer é, enfim, muito mais e melhor do que apenas saber!


