Uma das questões mais importantes e pouco discutidas hoje na sucessão de empresas familiares é: "Que tipo de ser humano você quer entregar para a sociedade daqui vinte anos?".

Alguns dirão ser uma pergunta humanista demais. Outros, que o foco devia estar sobre a capacidade prática de gestão do herdeiro/sucessor com base no argumento de que é isto que gera resultados. Outros ainda pensam que investir na formação acadêmica é suficiente para fazer o sucessor.

Nas três situações eu responderia com outra pergunta: "Será?"

Já se sabe que, além da capacitação técnica dos herdeiros, a única via para se chegar à escolha acertada do protagonista que assumirá a cadeira diretora é que ele tenha um projeto de vida. E o passo inicial para esta prática é olhar-se no espelho interior e perguntar com franqueza cem por cento transparente: "O que eu quero realizar na vida?"

A razão é delicadamente simples. Quem não sabe decidir os rumos da própria vida não terá base alguma para sequer pretender fazê-lo em outra situação - menos ainda na condução de uma organização.

Enquanto jovens sucessores buscam competências gerenciais em MBAs e pós-graduações, o que a realidade do dia a dia lhes impõe é que reflitam sobre valores e princípios antes de sair à caça de competências aleatórias. Que tenham caráter sólido.

Sucessão não é questão de esperteza ou força física; não é mágica, crendice ou intuição. Um sucessor deve ter em perspectiva clara seus próprios planos; não só talento. E o que ele faz hoje com sua própria vida é um prenúncio infalível do que fará com as pessoas e com os negócios no futuro.

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina

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