A elegância da brevidade sem floreios desnecessários
Quem fala demais revela insegurança ou, talvez, uma desconcertante falta de clareza no processo racional
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de novembro de 2024
Quem fala demais revela insegurança ou, talvez, uma desconcertante falta de clareza no processo racional
Abraham Shapiro 
Quer perder a paciência? Passe uns minutos com aquele meu amigo que, além de falar incessantemente, tem um tique peculiar: repete o final de cada frase… repete o final de cada frase – risos! Um simples comentário vira um monólogo interminável, e a conversa se transforma numa verdadeira maratona de resistência. Às vezes, chego a me perguntar se ele acredita que, quanto mais tempo ocupa com palavras, mais profunda é sua mensagem. Spoiler: “Não é!”
A verdade é que, geralmente, quem fala demais revela insegurança — ou, talvez, uma desconcertante falta de clareza no processo racional.
Quem raciocina de modo objetivo não se perde em floreios desnecessários. O filósofo Sócrates, por exemplo, mestre da sabedoria e do bom senso, dispensava discursos longos. Ele preferia uma pergunta bem feita que deixava os outros refletindo por dias. Uma lição que, claramente, passou longe do meu amigo.
Então, qual é o segredo para quem deseja ser ouvido sem cansar a audiência? Pensar antes de falar e, uma vez definida a ideia, ir direto ao ponto. Assertividade. Palavras bem escolhidas, têm um peso próprio, medida satisfatória e não precisam de enfeites. Uma pausa bem posicionada, por exemplo, traz mais impacto que qualquer acúmulo de frases. Falar menos, com clareza e objetividade, não só prende a atenção dos outros, como também confere autoridade.
Seja sucinto. Poucas palavras bem colocadas são mais poderosas que qualquer discurso repetitivo. Quem entende o valor da brevidade sabe: comunicar-se bem é uma arte; já falar demais, ironicamente, é dizer quase nada.


