Um projeto de extensão da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), campus Londrina, mapeou 1.355 árvores que ficam nas calçadas da zona sul de Ibiporã, Região Metropolitana de Londrina, próximas ao Parque Estadual do município. A fase de coleta de dados começou em março, georreferenciando, até o momento, 2.045 pontos e 115 tocos para remoção. O trabalho será retomado em agosto.

Foram reconhecidas 114 espécies, sendo as mais abundantes o Oiti e o Ipê-branco, que correspondem a aproximadamente 20% e 15% das plantas, respectivamente. Ambas são espécies alóctones, ou seja, não nativas das florestas do Norte do Paraná. Com o fim das análises, o projeto será encaminhado à Prefeitura de Ibiporã, que pretende aprimorar o planejamento urbano voltado à arborização.

“Registramos o que encontramos no município para que a partir do conhecimento do que se tem, seja possível buscar as soluções de adequação necessárias quando o plano municipal de arborização urbana de Ibiporã for colocado em prática”, explicou a professora Patricia Faria, uma das coordenadoras do projeto.

‘ÁRVORE POR ÁRVORE’

O estudo conta com 14 alunos voluntários e mais dois docentes coordenadores, todos do curso de Graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária. Intitulado "Cadastro das árvores urbanas de Ibiporã: aliando ensino e extensão à gestão municipal, em prol de uma cidade mais verde", o objetivo é quantificar e conferir o estado de conservação, condições fitossanitárias e fatores estruturais de cada árvore localizada no calçamento viário do município.

A professora Faria explicou que o mapeamento inclui atestar espaços disponíveis para novos plantios e tocos a serem removidos, por meio do cálculo das coordenadas geográficas. A base é “a medida de distância entre os elementos e um ponto na esquina de cada quadra. São analisadas árvore por árvore que se encontram nos endereços pré-estabelecidos, nos bairros escolhidos pela Secretaria de Meio Ambiente”.

É feito o reconhecimento das espécies, conferência da altura total e circunferência à altura do peito - 1,20m -, se há ferimentos como rachaduras ou cavidades e danos oriundos de podas mal realizadas. Os responsáveis conferem ainda a presença de brocas, cupins e fungos, se há necessidade de poda, se foi realizada poda drástica ou topiaria - técnica de podar plantas em formas ornamentais - e se há infestação por erva-de-passarinho, por exemplo.

Também são analisadas características do meio físico, como posicionamento da árvore, largura da calçada que ela se encontra e a proximidade com postes e bocas de lobo.

Imagem ilustrativa da imagem UTFPR mapeia árvores urbanas de Ibiporã
| Foto: Ariane Oliveira/Divulgação

PRÓXIMOS PASSOS

Após a retomada do mapeamento em agosto e finalização do inventário, será feito o cálculo das coordenadas geográficas de cada elemento, em trabalho orientado pela professora Ligia Batista, o que possibilitará a elaboração dos mapas de ocorrência. Serão incorporadas informações ecológicas oriundas de pesquisas sobre as espécies, como porte e origem - se são nativas, exóticas ou invasoras -, com todo o estudo entregue à Secretaria de Meio Ambiente. O trabalho também conta com a orientação de Marcelo Anami.

O projeto ainda está na fase de coleta de dados, e assim, os principais problemas com relação às árvores ainda não foram analisados. Porém, Faria contou que a remoção excessiva de galhos e folhas, a chamada poda drástica, “parece ser um problema comum na arborização urbana em vários municípios”.

Disse ainda que existem plantas com distâncias pequenas de equipamentos públicos, ou em calçadas muito estreitas, dificultando a acessibilidade e passagem de pedestres. Já o risco de queda das árvores não é investigado pela equipe, “pois não temos treinamento nem formação para isso, visto que há uma norma técnica que exige outras análises, mas fazemos a inspeção inicial que pode apontar a necessidade de um olhar mais atento para algumas árvores”, pontuou a docente.

USO DOS DADOS

Com o banco de dados cedido pelo projeto de extensão, a Secretaria de Meio Ambiente de Ibiporã objetiva o “monitoramento das árvores, tomada de decisões para substituição de (árvores) exóticas para nativas e padronização de espécies na mesma rua e bairro com a finalidade de harmonização paisagística”, garantiu Alberto Bacarin, Secretário de Meio Ambiente.

As intervenções específicas a serem implementadas serão decididas a partir dos dados, como remoção de tocos, novos plantios, retirada de árvores em locais “indevidos” e meios de diminuir a poda drástica, nos casos necessários.

Bacarin afirmou que já existe um planejamento urbano da pasta voltado à arborização, pautado pela Lei 2007/2006, e que o estudo da UTFPR será usado como “instrumento para aprimoramento do plano”.

Após o recebimento das informações, a aplicação do planejamento renovado depende da alteração do Plano Diretor do município, que será encaminhado para aprovação na Comissão do MP-PR (Ministério Público do Estado do Paraná).

Pontos amostrados em maio e junho, sem dados de julho
Pontos amostrados em maio e junho, sem dados de julho | Foto: Ariane Oliveira/Divulgação

MUNICÍPIOS CONTEMPLADOS

Patricia Faria mencionou que a pretensão é também amostrar as árvores das praças de Ibiporã, em continuação a parceria com a Prefeitura instituída em 2021, com o inventário de trechos no centro e alguns bairros e entrega dos dados.

O trabalho de mapeamento foi feito pela primeira vez em Londrina, em 2018, por meio de Edital do PROVERDE (Programa Municipal de Incentivo ao Verde). Na época, o estudo classificou 250 espécies de árvores nos 41 mil pontos listados pelos pesquisadores, na região central. As informações foram disponibilizadas à SEMA (Secretaria do Ambiente de Londrina).

“No ano passado até procurei o setor de áreas verdes da Prefeitura de Londrina para tentar retomar uma parceria, mas não houve avanços, mas a minha intenção ainda é coordenar um projeto que vise realizar o inventário de todas as árvores urbanas de Londrina”, almeja Faria.

O projeto chegou também em Jataizinho (RML) em 2022, “onde amostramos a cidade praticamente toda”, e em Sapopema, no Norte.

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