As chuvas dos últimos dias ajudaram a melhorar a qualidade da água do Lago Igapó 2, na região central de Londrina, mas uma solução definitiva para a proliferação de microalgas que deixaram o cartão-postal com coloração esverdeada ainda parece distante. O acúmulo de cianobactérias — tóxicas para os peixes — também acende o alerta para a vida aquática do lago e para a segurança dos trabalhadores que têm atuado na retirada controlada das alfaces-d’água, que tomaram a superfície do Igapó nas últimas semanas.

De acordo com o professor Jorge Alberto Martins, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), é necessário reduzir a carga de poluentes que está entrando no lago.

O processo de eutrofização, agravado pela estiagem dos últimos meses, favoreceu o crescimento acelerado das cianobactérias, que encontraram no Lago Igapó uma alta concentração de nutrientes, como fósforo e nitrogênio. A Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) investiga possíveis pontos de esgoto clandestino, mas há outras fontes de contaminação.

“Temos a questão dos detergentes. Sempre que chove, essa espuma vem para dentro do lago; ela está relacionada aos detergentes. Há também as fezes de animais, a adubação de jardins e os dejetos de pombos. Tudo isso acaba indo para o lago e aumenta a presença de nutrientes”, explica Martins, que é um dos pesquisadores da UTFPR que têm atuado, em parceria com a Prefeitura, na busca por uma solução para o problema.

O professor ressalta que os parâmetros encontrados nos estudos conduzidos pela UTFPR indicam um “alto nível de contaminação” do Igapó.

“Isso foi observado independentemente da proliferação de algas. Elas encontraram uma condição muito favorável de temperatura e de pouca chuva. Mas, por exemplo, outros parâmetros, como o nitrogênio dissolvido, já haviam sido identificados no passado em níveis muito semelhantes”, acrescenta o professor.

Testes controlados

Os especialistas têm recomendado à Sema a realização de testes controlados para avaliar estratégias de controle das microalgas.

“O volume de água do Igapó é muito grande. Não estamos falando de um tanque de peixe ou algo do tipo, então não dá para aplicar uma receita e achar que ela vai funcionar. Por isso recomendamos que sejam feitos testes em pequenas áreas para verificar a eficácia dos processos”, explica Martins, que reforça a importância das “medidas de longo prazo”.

“É isso que vai resolver o problema em definitivo. Não adianta resolvermos momentaneamente. Talvez daqui a duas semanas, com a chuva, esse problema desapareça, mas daqui a um ou dois anos volte a acontecer. Soluções de longo prazo significam reduzir essa carga de nutrientes que entra no lago”, completa.

Leia mais:

mockup