Sema identifica lançamento de esgoto clandestino no Igapó
Dejetos vêm de um condomínio da Gleba Palhano, de acordo com a secretaria do Ambiente de Londrina; multa pode chegar a R$ 50 milhões
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sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Dejetos vêm de um condomínio da Gleba Palhano, de acordo com a secretaria do Ambiente de Londrina; multa pode chegar a R$ 50 milhões

A Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) localizou um condomínio residencial na Gleba Palhano, área nobre na zona sul de Londrina, como o responsável pelo lançamento clandestino de esgoto direto nas águas que compõem o Lago Igapó 2. A fiscalização começou após o lago ter adquirido uma coloração verde, fruto do excesso de nutrientes que chega através do esgoto e piora com a escassez de chuvas, no início de setembro.
A informação foi confirmada na manhã desta sexta-feira (17) pelo secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues, que esteve no Igapó, onde o esgoto é lançado. Uma espuma saía pela tubulação, o que indica que, naquele momento, o condomínio estaria passando por uma limpeza com produtos como o detergente.
Pereira explica que o condomínio residencial está localizado na Rua Caracas e que a identificação aconteceu durante a fiscalização, realizada com a Sanepar, por meio da aplicação de um corante dentro de um vaso sanitário na área comum do prédio. Com isso, foi possível visualizar o líquido azul indo parar direto em um ponto de lançamento no Lago Igapó 2, próximo ao parque infantil. O nome do condomínio não foi divulgado.
Ele aponta que os responsáveis pelo condomínio foram notificados informalmente ainda na tarde de quinta-feira (16) e de maneira formal na manhã desta sexta. O documento dá o prazo de 24 horas para que o condomínio interrompa o lançamento do esgoto.
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Valor da multa ainda será definida
Por ser crime ambiental, o empreendimento vai ser multado de acordo com a gravidade da ocorrência e também com os valores gastos pelo município. “Nós temos um relatório com a quantidade de dias, homens, horas de máquinas e uma série de procedimentos que o município terá de realizar ainda daqui por diante”, complementa. Segundo o secretário, a multa pode variar de R$ 50 a R$ 50 milhões.
“Nós tivemos diversos problemas com relação ao Lago Igapó, tivemos uma contaminação exacerbada de microalgas e estamos com uma superpopulação de macrófitas, que são os alfaces d’água”, detalha, complementando que um laudo da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) também identificou a possível presença de dois tipos de cianobactérias, o que agrava ainda mais o problema.
Ele detalha que análises da água do lago já mostravam concentrações acima do normal de fósforo, nitrogênio e de coliformes fecais, o que era um indicativo de um possível descarte clandestino. O fato também já foi comunicado ao Ministério Público.

Fiscalização deve continuar
De arcodo com o secretário, a fiscalização no entorno da bacia do Lago Igapó deve continuar, desde o trecho da nascente no limite com o município de Cambé, para coibir os lançamentos clandestinos de esgoto.
“Independente de dolo ou não por parte do condomínio, nós temos uma certeza: trata-se de uma crime ambiental”, afirma. Ele explica que o condomínio é que deve ser multado e, a partir daí, poderá procurar a construtora para uma possível identificação dos responsáveis pelo projeto de drenagem e coleta de esgoto.
Prática criminosa
Pereira explica que a escassez hídrica dos últimos meses no município fez com que a lâmina d’água diminuísse ao longo de todo o Lago Igapó, o que aumentou o tempo de detenção da água.
“Quanto mais tempo a água fica parada no reservatório, maior a quantidade de insolação, maior a quantidade de fotossíntese sendo realizada”, detalha, explicando que permite com que as algas se multipliquem. “Com a contribuição do esgoto, você tem uma oferta de nutrientes muito maior, o que retroalimenta o sistema”, explica.
“Por mais que as chuvas demonstraram uma melhora significativa no Lago Igapó, se nós não coibirmos esse tipo de prática criminosa, o lago vai continuar doente”, afirma.
Esgoto no Lago Norte
A Sema também identificou um vazamento de esgoto em uma galeria pluvial que deságua no Lago Norte. Durante a vistoria, foi realizado um teste com corante no sistema de esgoto de um condomínio e, poucos minutos depois, foi possível confirmar a ligação irregular: a água na galeria do Lago Norte ficou tingida.
O condomínio será notificado para tomar as providências imediatas e cessar o lançamento de esgoto na rede pluvial. Em seguida, a Sema fará a autuação e comunicará os órgãos competentes para a reparação dos danos ambientais. (Com N.Com)
(Atualizada)


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.




