A Prefeitura de Londrina homologou nessa semana o processo licitatório declarando a empresa vencedora que irá revitalizar a Praça Dom Pedro I, no jardim Shangri-lá, zona oeste. A contratada, que foi a única a demonstrar interesse no edital, tem sede na cidade. O município vai investir pouco mais de R$ 801 mil nas melhorias, cerca de R$ 34 mil a menos em relação ao valor inicial que o poder público pretendia gastar. O recurso é proveniente do próprio orçamento municipal.

O projeto, elaborado por técnicos da secretaria municipal de Obras e Pavimentação, prevê uma repaginada completa do espaço, que fica na avenida Tiradentes. Os serviços incluem jardinagem, com plantio de jasmim, ipê branco e moreia, entre outras espécies flores, construção de mais calçadas internas, instalação de academia ao ar livre, vagas para food trucks e mobiliário urbano. Das 66 árvores existentes, quatro deverão ser realocadas e três retiradas.

“É uma praça emblemática, grande e que fica num cruzamento de duas avenidas importantes. Fica em um bairro antigo, com mercadão próximo, comércio forte e de algum tempo a população não usufrui. Queremos trazer de novo as pessoas para esse espaço. É uma obra que temos a expectativa de que vai melhorar o aspecto do ponto de vista urbanístico de toda a região”, elencou Marcelo Canhada, secretário municipal de Planejamento.

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Espaço fica no cruzamento de duas importantes avenidas; ordem de serviço deve ser assinada no começo de março
Espaço fica no cruzamento de duas importantes avenidas; ordem de serviço deve ser assinada no começo de março | Foto: Pedro Marconi - Grupo Folha

INSEGURANÇA

Apesar de toda a movimentação no entorno, a praça virou sinônimo de insegurança para moradores, comerciantes e quem passar pelo local ou espera ônibus em frente. “Muitos moradores de rua vivem nessa praça. Tem dia em que é possível contar de dez a 20 pessoas reunidas, elas estendem até roupas, consumem drogas. Muitas ficam pedindo dinheiro e se não damos, nos ameaçam, ficam incomodando”, contou a doméstica Cássia Damasceno.

Na manhã de quarta-feira (16), por exemplo, a reportagem esteve no lugar e encontrou duas barracas montadas e lixo descartado próximo às estruturas improvisadas, além de pessoas em situação de rua. “É uma área grande, mas sem atrativo nenhum atualmente. Tem nome de praça, mas não é usada com essa finalidade”, comentou uma comerciante.

ENCAMINHAMENTOS

Segundo Marcelo Canhada, uma reunião foi realizada recentemente com representantes das secretarias de Assistência Social, Saúde, Defesa Social e da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) para debater como será a retirada dos moradores de rua da praça para a realização dos serviços.

“Tem morador em situação de rua que precisa de abordagem, que precisa de auxílio psicológico em função do vício, tem gente que pode ter envolvimento com o crime. Vamos fazer um trabalho para ter cuidado com o ser humano. Não dá para simplesmente colocar os pertences deles num caminhão. Temos que encaminhar essas pessoas para abrigos, clínicas. Vamos oferecer estruturas e opções para eles”, defendeu.

Perspectiva do como ficará a praça depois da reforma
Perspectiva do como ficará a praça depois da reforma | Foto: Reprodução

PREOCUPAÇÃO

Vizinhos da praça mostram receio com o que pode acontecer com o lugar depois das obras. “Não adianta só reformar. Tem que continuar cuidando depois para não vandalizarem e esse terreno não ser tomado novamente por moradores de rua. Ficamos felizes com as melhorias anunciadas agora, mas seguimos de olho”, afirmou um morador, que preferiu não divulgar o nome.

A projeção é que a ordem de serviço autorizando o início da obra seja assinada no começo de março. A empresa terá quatro meses para conclusão. “Nossa experiência com outros locais que estavam degradados e foram revitalizados mostra que com o lugar ficando bonito e iluminado, as famílias voltam a ocupar”, ressaltou Canhada.

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