O fogo é necessário para a quebra de dormência de sementes e controle de plantas invasoras
O fogo é necessário para a quebra de dormência de sementes e controle de plantas invasoras



Na última segunda-feira (27) foi realizada uma queima prescrita de 10% da Estação Ecológica do Cerrado de Campo Mourão (Noroeste). O local está repleto de espécies invasoras que colocam em risco o bioma cerrado, descaracterizando a estação, que já está se tornando uma floresta. A ação, prevista no plano de manejo, envolveu professores universitários da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) e da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), estudantes de engenharia ambiental e de geografia, técnicos da prefeitura, do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), MP (Ministério Público), PM (Polícia Militar) e Corpo de Bombeiros. "Nós queríamos realizar a queima de 30% da vegetação da estação ecológica, mas tivemos problemas com os fungos existentes ali e só conseguimos queimar 10% da vegetação", declarou o professor da Unespar, Mauro Parolin. "O que conseguimos foi de bom tamanho. Creio que em quatro anos conseguiremos realizar essa queima em toda a quadra", afirmou.

O professor explicou que o cerrado é uma vegetação que necessita do fogo para a quebra de dormência de sementes e controle de plantas invasoras que precisam ser erradicadas por não fazerem parte desse bioma. "A época da queima deve tentar seguir o ciclo de florescimento da vegetação e por isso a ação deve ser realizada antes da primavera", explicou. Ele acrescentou que a cada ano será estabelecido um ciclo de queima.

"O mais importante é que haja a rebrota das plantas características do cerrado. O problema é que a vegetação rasteira típica do cerrado praticamente se extinguiu aqui com a sombra da copa das árvores. Com a quebra da dormência de sementes, a tendência é que essa vegetação volte a fazer parte do bioma local", explicou Parolin. Agora serão realizados levantamentos sobre a capacidade regenerativa do cerrado, acompanhamento da rebrota, principalmente de espécies herbáceas.

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Apesar de ser a primeira queima, ele ressalta que no Paraná esse tipo de ação é realizada no Parque Estadual do Cerrado, em Jaguariaíva (Campos Gerais), e também no Parque Estadual de Vila Velha em Ponta Grossa (Campos Gerais).

Nicélio Silva, assessor do Prevfogo (Centro nacional de prevenção e combate aos incêndios florestais), órgão vinculado ao Ibama, destacou que a queima prescrita deve ser realizada por quem entende do assunto. "Tem que ver a condição meteorológica, o período do ano e tudo deve ser feito com a presença de técnicos no assunto e de toda uma equipe preparada para evitar que o fogo fuja de controle", orientou. Ele explicou que qualquer utilização do fogo tem que ter autorização do órgão estadual competente, que no Paraná é o IAP.

"Fazemos queima prescrita em períodos que antecedem o período de estiagem. O fogo rápido e superficial não causa danos, consome a vegetação morta e seca. Isso faz com que na época da estiagem, se o fogo chegar, é mais fácil de ser interrompido. Não chega a ser um incêndio florestal, de alta intensidade, que causa queima de árvores. Equivale ao fogo provocado por raio", destacou.

Silva não recomenda esse tipo de manejo em mata que não seja cerrado. "Pode trazer um dano muito grande. O cerrado tem as árvores com raiz mais profunda e casca mais grossa e pode conviver com o fogo natural ou de uso humano controlado. Eu vejo que a estação ecológica de Campo Mourão está fazendo tudo de maneira correta. É uma das medidas preventivas, junto com os asseios. Cria mosaicos benéficos para a fauna", destacou. (V.O.)

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