Uma verdadeira linha de produção foi montada e reuniu mais de 120 voluntários neste sábado (27) na Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel). O motivo foi o tradicional Motitsuki, uma das celebrações mais importantes da cultura japonesa.

A cerimônia japonesa de Ano Novo é um processo com significado e, por isso, todas as etapas e, inclusive o trabalho coletivo, são respeitados. Neste sentido, deixar o arroz de molho, cozinhar, socar até formar uma pasta elástica e homogênea (moti) e moldá-lo tornam o processo genuíno.

Para a cultura oriental, todo esse trabalho e dedicação simbolizam união, força, prosperidade e renovação para o ano que se inicia. Entre os voluntários, Matsuoka Kaoro, 88 anos e há mais 20 é presença confirmada. "Enquanto tiver saúde, venho com prazer", sorri.

Matsuoka Kaoro, 88 anos: "Enquanto tiver saúde, venho com prazer"
Matsuoka Kaoro, 88 anos: "Enquanto tiver saúde, venho com prazer" | Foto: Walkiria Vieira

Ao seu lado, na mesma bancada, Julia Emy Sassaki Suono, 16 anos, realiza, com satisfação, sua segunda participação na produção de moti."Meu pai sempre me fez entender os valores da cultura japonesa e que devemos honrá-los", conta.

Julia Emy Sassaki Suono, 16 anos: "Todos sabem que é um trabalho voluntário e com comprometimento"
Julia Emy Sassaki Suono, 16 anos: "Todos sabem que é um trabalho voluntário e com comprometimento" | Foto: Walkiria Vieira

"Todos sabem que é um trabalho voluntário e com comprometimento. Na minha etapa de trabalho, a finalização, somos zelosos porque há um controle de qualidade na apresentação do produto e os bolinhos que não estiveram de acordo não vão para a bandeja, então todos os voluntários, em todas as etapas, fazem o trabalho com esmero", garante.

Fortalecer as tradições

A também voluntária e associada, Marina Tomoike, observa com alegria o número expressivo de jovens presentes na edição que prepara os motis para a chegada de 2026. "Estamos conquistando eles e ficamos felizes porque é fundamental que valorizem a própria cultura e deem continuidade, pois hoje estão começando para que possam também no futuro estarem na organização e com isso fortalecer as tradições", pensa.

Marina Tomoike mostra a oferenda colocada no altar e que significa prosperidade, longevidade e fortuna
Marina Tomoike mostra a oferenda colocada no altar e que significa prosperidade, longevidade e fortuna | Foto: Walkiria Vieira

"Essa oferenda com uma massa sobreposta a outra e uma fruta cítrica é uma oferenda que colocamos no altar e que significa prosperidade, longevidade e fortuna", explica Tomoike.

'A união faz a diferença'

Durante todo o trabalho, o presidente da Acel, Roberto Lima, e a presidente executiva, Luzia M. Yamashita Deliberador, estão de uma ponta a outra dando o devido suporte a todas as etapas. Narram sobre a compra de 700 quilos arroz vindos de Registro, no interior de São Paulo, do tempo colocado de molho na noite anterior e que desde às 6h de sábado uma equipe cuidava do cozimento da matéria-prima.

"O trabalho coletivo é essencial e tem significado", expõe Deliberador. Questionado sobre o sentimento de ver as bandejas prontas, pesadas e embaladas, Lima reflete: "É bonito ver um resultado assim, fruto do esforço, da dedicação de todos e isso prova que a união faz a diferença", sorri.

O bolinho de arroz é tradicionalmente consumido no Ano Novo e em ocasiões especiais
O bolinho de arroz é tradicionalmente consumido no Ano Novo e em ocasiões especiais | Foto: Walkiria Vieira

Costume milenar

O termo "Motitsuki" vem da junção de "moti" (bolinho de arroz) e "tsuki" (bater, socar), referindo-se ao processo de preparo desse alimento tradicional. Antigamente era feito de forma artesanal, com o arroz cozido sendo socado em pilão de madeira até formar uma massa uniforme. Algumas famílias e grupos ainda mantém a tradição de socar o moti no pilão, mas na Acel, o trabalho ganhou o auxílio de um equipamento que facilita a produção em larga escala.

Imagem ilustrativa da imagem Produção de moti reúne diferentes gerações em Londrina
| Foto: Walkiria Vieira

Mais do que uma iguaria, o motitsuki representa valores fundamentais da cultura japonesa, simboliza boa sorte e renovação, mas especialmente significa união, concretizada na massa do arroz que forma o moti e pelas muitas mãos que se unem para fazer os bolinhos.

Tradicionalmente consumido no Ano Novo (Shogatsu) e em ocasiões especiais como nascimentos e casamentos, o moti carrega simbolismos profundos: desejo de vida longa, fartura, prosperidade e a superação de adversidades através do trabalho em equipe.

Este ano, a Acel vai prepara 700 kg de arroz e para produzir cerca de 1.000 bandejas de moti. O processo começa com o cozimento do arroz especial (motigome) até ficar macio. Em seguida, o equipamento transforma o arroz em uma massa lisa, elástica e homogênea. Ainda quente, a massa é moldada em pequenos bolinhos.

A retirada dos produtos é realizada na sede da Acel até as 17h deste sábado, localizada na Rua Major Achilles Pimpão Ferreira, 2300, Gleba Limoeiro, zona leste, em Londrina.

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