Princesa do Japão admira terra roxa do Norte do Paraná
Durante visita a Rolândia, Kako, sobrinha do imperador fez um tour pelo Museu Histórico; ela também conheceu e tocou na terra típica da região
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segunda-feira, 09 de junho de 2025
Durante visita a Rolândia, Kako, sobrinha do imperador fez um tour pelo Museu Histórico; ela também conheceu e tocou na terra típica da região

A princesa japonesa Kako de Akishino passou pelo Norte do Paraná na manhã desta segunda-feira (9). A primeira parada foi em Rolândia, na Região Metropolitana de Londrina. A sobrinha de Naruhito, atual imperador do Japão, chegou ao Museu Histórico da Imigração Japonesa por volta das 9h30, acompanhada de sua comitiva e segurança particular.
Ela se dirigiu ao Monumento aos Pioneiros, que fica ao lado da entrada do Museu e que homenageia os que “tombaram durante a jornada para a construção e o progresso do Paraná”, como inscrito na pedra. Em memória aos falecidos, ajeitou a coroa de flores que havia sido colocada ao centro do Monumento e fez uma reverência. A construção foi inaugurada em 1978 pelo, na época, príncipe herdeiro Akihito, avô de Kako e ex-imperador, e pela princesa Mitiko, por ocasião dos 70 anos da imigração japonesa no Brasil.
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Kako seguiu para o Museu Histórico da Imigração Japonesa acompanhada de sua comitiva, onde a monja Jishun, Haruko Morioka, do Templo Budista de Rolândia, a guiou por um tour pelo espaço. Com explicações em japonês, a monja apresentou os artefatos do local, com a princesa se mostrando curiosa e fazendo perguntas sobre os diferentes objetos em exposição.
EM UM POTE
Antes do início da visita, monja Jishun apanhou terra do gramado e colocou em um pote, levando-o para uma das mesas do Museu que abriga peças históricas. Seu objetivo foi mostrar algo diferente do que a princesa já viu em sua visita ao Brasil, que teve início na última sexta (06) na capital paulista.
“Ela já esteve no Museu de Imigração Japonesa de São Paulo, que é bem mais completo do que aqui. Pensei que seria chato ouvir a mesma coisa duas vezes; queria achar alguma coisa mais típica daqui, aí tive a ideia de mostrar a terra roxa”, explicou.
Ao apresentar o pote com a terra, apontou para um registro antigo de um cafezal, e disse “aquela terra roxa é essa aqui”. “Eu mostrei pra ela, ela falou ‘nossa, que interessante, posso tocar?’ Falei que poderia sujar (a mão) e ela tocou bem de leve”, contou a monja, imitando a expressão admirada de Kako.
Morioka sinalizou ainda para uma foto antiga da Família Imperial, com a presença da princesa, de seu tio e imperador atual, Naruhito, seu avô e imperador anterior, Akihito, e sua irmã mais velha, a princesa Mako. “Ela viu e falou ‘nossa, já é de vários anos atrás’”, pontuou.
Todo o tour foi acompanhado à distância pelo diretor do Museu, Fábio Iwakura, e autoridades locais. A monja disse que Kako “reprisou” tudo o que viu no espaço, e ficou impressionada que a princesa “fez um resumo e memorizou tudo”.

CUMPRIMENTOS E ACENOS
Ao sair do Museu, cumprimentou com apertos de mão a maioria dos cerca de 40 convidados do evento, que incluíam membros da comunidade nipo-rolandense e vereadores da Câmara Municipal. Como último ato, parou para observar uma placa instalada no espaço em 2015, em comemoração aos 120 anos das relações diplomáticas entre as duas nações, o centenário da colonização japonesa no Paraná e os 45 anos de irmandade entre o Estado e a província de Hyogo.
O prefeito de Rolândia, Ailton Maistro, presenteou Kako com uma estatueta do guerreiro Roland, cópia da estátua localizada no centro da cidade. De Rolândia, a princesa seguiu para Londrina.

RELAÇÃO ANTIGA
Kako tem 30 anos, é formada pela Divisão de Artes e Ciências da Faculdade de Artes Liberais, na Universidade Cristã Internacional, e é o quarto membro da realeza nipônica a conhecer Rolândia. Seu pai, Fumihito de Akishino, visitou a cidade em 1988, quando a imigração japonesa no país completou 80 anos. Vinte anos depois, em 2008, o imperador Naruhito foi recebido por 75 mil pessoas no município, quebrando o protocolo real e cumprimentando o público. Na época, ainda portava o título de príncipe e era herdeiro do trono.
Sua irmã, a princesa Mako, visitou Rolândia em 2018, tendo plantado um ipê-branco ao lado do Museu Histórico no aniversário de 110 anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. O marco inicial se deu em 18 de junho de 1908, com a chegada do navio Kasato Maru em Santos, após 52 dias de navegação desde a saída no porto de Kobe. Já no Paraná, a imigração iniciou em 1912, com famílias nipônicas se estabelecendo no Norte do Estado para trabalhar nas lavouras de café.
O imperador Naruhito não tem filhos homens, tendo como primeiro sucessor seu irmão, Akishino, pai de Kako. Na tradição imperial japonesa, mulheres não podem herdar o trono, e assim, o segundo sucessor é o príncipe Hisahito, irmão de Kako de 18 anos.
A vinda da integrante da Família Imperial marca as celebrações dos 130 anos do Tratado de Amizade entre o Brasil e Japão, que oficializou as relações diplomáticas nipo-brasileira em 1895 e levou a imigração nipônica ao país sul-americano anos depois. O aniversário é chamado de "Ano de Intercâmbio da Amizade Brasil-Japão".
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Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.





