Aquiles Stenghel
Aquiles Stenghel | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

Londrina possui cerca de 240 praças urbanizadas e não urbanizadas, das quais 55 passaram pelo Programa de Recuperação de Praças e Espaços Públicos, que vem sendo aplicado pela prefeitura desde abril de 2018. Ao longo desse período foram constatados diferentes estados de conservação. Algumas foram vandalizadas e outras permaneceram bem cuidadas.

AQUILES

No conjunto Aquiles Stenghel (zona norte), a praça foi reformada em novembro de 2018. O carrossel do parque infantil teve de ser retirado porque quebrou e a lixeira recém-instalada no passeio público foi furtada. “Os vândalos não sabem preservar o que eles próprios poderiam usar. Não sei o que passa pela cabeça dessas pessoas, se elas sentem prazer com esse tipo de situação”, desabafa o operador de máquina Rafael Lúcio de Oliveira. Na opinião do autônomo que comercializa caldo de cana na região, Nilton Inocêncio Vaz, a recuperação foi boa, mas não atacou outros problemas, como a deficiência na iluminação.

JOSÉ GIORDANO

Outra praça da zona norte, localizada no conjunto José Giordano, também foi reformada na mesma época, mas o balanço do parque infantil foi danificado a ponto de a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) ter de retirá-lo para reformá-lo. “São os próprios usuários que acabam danificando. As pessoas trazem as crianças, mas em vez de deixar as coisas certinhas, elas ficam bagunçando", declara o pedreiro Mário Tomás Pires. Mesmo assim, ele afirma que o ambiente, depois de passar pela recuperação, está melhor.

BANDEIRANTES

Uma das primeiras a receber cuidados do poder público foi a praça Santo Antônio, localizada no Jardim Bandeirantes (zona oeste). Ali foram realizados trabalhos de manutenção geral, como tapa-buracos e nivelamento de calçadas, reparo de bancos, troca de lixeiras e poda de galhos de árvores. Houve também pintura dos assentos, do piso da academia ao ar livre e dos meios-fios no entorno. Ela recebeu esse cuidado em maio de 2018 e ainda não foi alvo de pichações. Os problemas existentes por lá estão restritos à conservação de um dos aparelhos e um banco da academia ao ar livre. “Eu venho aqui direto. Já vi muitas outras praças na cidade e, comparadas com elas, esta permanece bem cuidada."

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VILA NOVA

O largo que fica em frente ao Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova (região central), também passou por processo semelhante em outubro de 2018, antes da festividade da Padroeira do Brasil. Ele está com aspecto geral bem cuidado, mas o local já foi alvo de pichações, as placas de mármore que revestiam a guia de um passeio da praça foram danificadas, um dos bancos está quebrado e um dos aparelhos da academia ao ar livre está com a lataria do assento entortada. Mesmo assim a dona de casa Eliane Olivares classificou o aspecto geral da praça como agradável. “Eu acho que está bom, bem cuidada."

Vila Nova
Vila Nova | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

VILA RODRIGUES

Quando a praça recebe o nome de um ente querido, a família espera que ela seja bem cuidada, para que o nome do homenageado não seja associado a uma imagem ruim. A dona de casa Cláudia dos Santos Silva é filha de Venâncio Bernardo da Silva, que dá o nome à praça localizada na Vila Rodrigues, um dos loteamentos da Vila Brasil (região central). “O meu pai foi um dos pioneiros do bairro da Vila Rodrigues. Ele era muito conhecido pela população do bairro e quando morreu resolveram fazer essa homenagem a ele. A gente luta pela conservação dessa praça."


Ela destaca que após o programa de recuperação da CMTU, o aspecto melhorou, contudo aponta que ainda são necessárias algumas melhorias. “A quadra poliesportiva precisa ser pintada e o local precisa receber uma iluminação melhor."

HISTÓRICAS

Praça Rocha Pombo
Praça Rocha Pombo | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

A Rocha Pombo, localizada na região central, é a primeira praça de Londrina e foi projetada em 1932, dois anos antes da fundação do município, e foi tombada pelo patrimônio histórico estadual em 1974. O espaço passou pelo processo de recuperação em julho de 2018. Foram realizadas obras de recuperação da fonte, limpeza, pintura de mobiliário, luminárias, e reativação do chafariz, entre outras benfeitorias. O reservatório d'’água teve as lajotas trocadas e as pichações foram cobertas por uma nova camada de tinta. Desde então houve o retorno de pessoas circulando no local.

“Está muito bonita. Valeu a pena renovar. Quando estava abandonada seu aspecto era horrível. Agora está tudo limpinho, que dá até vontade de nadar. Foram muitos anos com o chafariz seco”, destacou a dona de casa Iracema Pires Duarte.

A costureira Telma dos Santos afirma que a recuperação do chafariz remeteu à sua infância. “Eu me recordo de quando eu era pequenininha. A minha mãe me trazia aqui. Eu morava na Vila Nova e vinha sempre aqui. Está bem cuidado, com água limpa e sem perigo de criar dengue. Dá até para tirar foto”, declara.

Outra praça histórica é a Marechal Floriano Peixoto, criada em 1932, conhecida popularmente como praça da Bandeira, ou praça da Matriz. Durante muito tempo foi o local que abrigou comícios importantes na cidade. O espaço também passou pelo processo de limpeza e recuperação do mobiliário, mas alguns problemas não foram resolvidos, como a instalação de grelhas novas para as calhas existentes e o reparo de alguns mobiliários. Um dos itens recuperados foi o sanitário público, que ficou muito tempo fechado.

OTIMIZAÇÃO

De acordo com Marcelo Cortez, presidente da CMTU, a ideia de recuperar as praças surgiu durante as visitas a esses locais. “Fomos olhar os locais públicos, porque são os pontos de lazer das comunidades, mas quando constatamos que estavam abandonados precisávamos acionar os serviços de várias secretarias para recuperar esses espaços”, declara.

Ele afirmou que não há como realizar um balanço de custos e de serviços realizados, pois cada pasta executa um serviço diferente em cada praça. “Embora o município faça capina e roçagem, as praças estavam degradadas por falta de manutenção. Com esse programa, a Sema (Secretaria Municipal de Ambiente) vai antes e faz a poda e a capina. A CMTU faz toda a limpeza urbana. A Obras recupera as calçadas e a Sercomtel recupera a iluminação. Cada um vê o que precisa ser feito e vai otimizando o trabalho”, destaca.

Ele vê o vandalismo, que tem atingido inclusive as praças já recuperadas, com preocupação e tristeza. “Os espaços são da própria comunidade. É impossível para a Guarda Municipal vigiar esse patrimônio porque são muitos locais em Londrina.. Se a população ver alguém vandalizando ou encontrar algum equipamento destruído, pode nos comunicar que nossa equipe passa nas praças para verificar”, aconselha. Ele garante que a CMTU passou a realizar a manutenção sistemática. “Nossas equipes sempre passam nos locais para realizar a limpeza pública e acabam vendo se tem alguma coisa danificada para fazer a recuperação”, afirma.

A assessoria da CMTU informou, em nota, que depois que a reportagem apontou os locais vandalizados, as praças Marechal Floriano Peixoto, Aquiles Stenghel e José Giordano receberam manutenção. Sobre os balanços que tinham sumido na praça do José Giordano, a assessoria informa que foi a própria CMTU que retirou os balanços para consertá-los e eles já foram recolocados.

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