Uma empresa paulista foi a vencedora de um processo licitatório da Prefeitura de Londrina para elaborar o PlanMob (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável). Hábitos de deslocamento, meios de locomoção, demandas do transporte são alguns itens que serão levantados e servirão de base para futuras intervenções. A diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), Denise Maria Ziober, adianta que o PlanMob deve apontar problemas como as dificuldades de deslocamento no sentido norte-sul. "A cidade é cortada por inúmeros córregos, fundos de vales e rodovias no sentido transversal. Isso provoca gargalos no trânsito."

Ippul ressalta que só existem duas transposições em desnível que cortam a BR-369 para a zona norte de Londrina
Ippul ressalta que só existem duas transposições em desnível que cortam a BR-369 para a zona norte de Londrina | Foto: Anderson Coelho



A diretora ressaltou que a zona norte possui 150 mil habitantes, mas só existem duas transposições em desnível que cortam a BR 369 (avenida Brasília) : as avenidas Winston Churchill e a Dez de Dezembro. O fato de a maioria das passagens ser no mesmo nível dificulta o fluxo de trânsito entre a zona norte e a região central. "São barreiras físicas que causam restrições. Todo transporte coletivo depende de passagens, mas as rodovias que cortam a cidade ao meio, como a BR-369 e a PR-445; ou mesmo a via expressa (avenida Dez de Dezembro) e a avenida Leste-Oeste, formam obstáculos que dificultam o fluxo de veículos. A ferrovia também secciona a cidade e causa o mesmo tipo de problema", destacou.

Em um dos cruzamentos em nível da 369, o vendedor Luciano Augusto Carlo, confirma a dificuldade. "Para quem mora na zona norte, perde bastante tempo no semáforo da avenida Brasília (BR-369) com a avenida Duque de Caxias. Entre 7h30 e 8h30 da manhã, as pessoas ficam de 20 minutos a meia hora no congestionamento, aguardando cruzar a rodovia", observa.

O vendedor Lincoln Henrique Moreira Gomes trabalha a poucos metros do viaduto da avenida Rio Branco. "Moro no conjunto Farid Libos (zona norte) e trabalho nas proximidades do viaduto da Rio Branco com a 369. Se tivesse um pontilhão na 369 com a avenida Duque de Caxias, por exemplo, seria uma passagem mais rápida. Se a pessoa for do Centro para a zona norte é um caos. Aqui no viaduto da Rio Branco, mesmo tendo semáforo e radar, o trânsito flui melhor que no cruzamento da BR-369 com a avenida Duque de Caxias", destaca.

No entanto, por ser um dos poucos acessos em desnível em direção à região setentrional da cidade, é também um dos mais acessados pelos motoristas e nos horários de pico também acaba se congestionando. Para o gerente do departamento de vendas de uma empresa sediada no jardim Alpes (zona norte), Deusdete Moraes da Paz, se houvesse mais um viaduto a situação seria melhor.

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As dificuldades de transposição de fundos de vale também comprometem o deslocamento das pessoas. O vendedor Rodrigo Del Vale destaca que o trânsito da avenida Maringá é "carregado". "Isso acontece mais quando vai se aproximando do lago Igapó. O congestionamento começa na avenida Maringá com a rua Oakland (jardim Vitória) e vai até a avenida Ayrton Senna, com a rua Ernani Lacerda de Athayde (Gleba Fazenda Palhano)", destacou. "Deveriam construir um viaduto para livrar a rotatória do lago. Não tem outro escape. Eu transito de moto por conta disso", argumenta.

O proprietário de uma loja de móveis, Luiz Henrique Pujol Bazzo, exemplifica que o motorista que estiver perto do Shopping Aurora pode levar até meia hora para se deslocar cerca de 500 metros e cruzar o fundo de vale do lago Igapó. "Ali o trânsito não escoa. Precisam achar outras vias para escoar esse trânsito da avenida Maringá. Eu moro na Gleba Palhano e para vir trabalhar aqui no jardim Vitória é uma loucura. É muito carro e isso deixa bem complicado", afirma.

O cabeleireiro Agnaldo Maurício trabalha nas proximidades do cruzamento da avenida Maringá com o lago Igapó. "Há quatro meses eu morava no jardim San Fernando (zona leste) e por causa das dificuldades de mobilidade optei por mudar para o jardim Itamaraty (zona oeste), que é mais próximo de onde trabalho", relata. Ele expôs que há dificuldades de circular de ônibus pela cidade por falta de veículos com a frequência necessária.

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