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Londrina

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m de leitura Atualizado em 04/08/2022, 13:33

Operação Fauda: Gaeco de Londrina cumpre dez mandados de prisão

Investigados são suspeitos em vários crimes como lavagem de dinheiro, extorsão, estelionato e falsificação de documento público

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de agosto de 2022

Reportagem local
AUTOR autor do artigo

Foto: Micaela Orikasa - Grupo Folha
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O MPPR (Ministério Público do Paraná), a partir do núcleo regional do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Londrina, cumpre na manhã desta quinta-feira (4), dez mandados de prisão temporária e 26 de busca e apreensão no âmbito da Operação Fauda, que investiga a prática dos crimes de lavagem de dinheiro, extorsão, estelionato, falsificação de documento público, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa. Fauda é uma expressão árabe que significa “caos” e é um jargão do exército israelense para designar as situações em que tudo dá errado.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Londrina, contra integrantes de duas associações criminosas, e estão sendo cumpridos nas cidades paranaenses de Arapongas, Sabáudia, Faxinal, Jandaia do Sul, Ibiporã e Guaíra, além de Bauru, em São Paulo, Mundo Novo e Dourados, no Mato Grosso do Sul, e Goiânia e Palmeiras, em Goiás.

De acordo com o promotor de Justiça Leandro Antunes, "as investigações demonstraram que existem dois grupos criminosos que têm agido falsificando documentos públicos com fim de transferir imóveis pertencentes a um casal que está desaparecido desde 2018 e envolvido esse casal com a traficância na região de Mundo Novo (MS)."

Ele afirma que as informações colhidas ao longo dessa apuração "são no sentido de que o casal tenha sido, na verdade, morto após uma série de homicídios que ocorreram naquela região, relacionados com a disputa pelo tráfico ilícito de entorpecentes. Assim, os integrantes dessas duas associações estão utilizando documentos falsos a fim de transferir para terceiros, todo o patrimônio pertencente a esse casal desaparecido".

O promotor ressalta que além das prisões e das buscas e apreensões, o juízo criminal de Londrina deferiu, a pedido do Gaeco, sequestros desses imóveis pertencentes a esse casal, que estão avaliados em aproximadamente R$ 4 milhões. "Foram bloqueados veículos pertencentes a essas pessoas e também ativos em contas bancárias. O objetivo final do Ministério Público, além da propositura das ações penais respectivas, é bloquear e destinar à União e ao Estado do Paraná, todo esse patrimônio, eventualmente angariado ilicitamente", diz. 

CRIMINOSOS CONHECIDOS

As investigações da Operação Fauda tiveram início em maio de 2021, em Londrina, onde uma mulher foi presa em flagrante em diligência do Gaeco e da Divisão Estadual de Narcóticos, utilizando documento falso para tentar se passar pela companheira de um narcotraficante condenado no âmbito das operações Zaquel, deflagrada em 2007, e Ferrari, iniciada em 2015, ambas da Polícia Federal. A mulher estava num cartório de notas da cidade, tentando transferir imóvel residencial de alto padrão pertencente a pessoa envolvida com o narcotráfico.

Com a prisão dessa primeira investigada, identificou-se a existência de associação criminosa integrada por indivíduos já conhecidos no meio policial, oriundos da cidade de Arapongas, que falsificavam documentos para registrar procurações e escrituras públicas com a finalidade de se apropriarem de bens de origem ilícita, como imóveis, veículos e valores em conta bancária, pertencentes a um casal investigado por narcotráfico pela PF nas operações mencionadas.

Apurou-se que o casal em questão, residente na cidade de Mundo Novo (MS) e que comandaria uma organização criminosa, encontra-se desaparecido desde o início de 2018, após disputa com um grupo rival formado por narcotraficantes investigados no âmbito da Operação Laços de Família, da Polícia Federal, deflagrada em 2018. O líder dessa segunda organização criminosa, também sediada na região de Mundo Novo, encontra-se preso em presídio federal por homicídio qualificado praticado contra diversos integrantes da organização criminosa investigada na Operação Zaquel. Há suspeita de que o casal desaparecido também tenha sido morto por esse grupo.

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FRAUDES

Paralelamente, as investigações demonstraram que os bens do casal desaparecido, que incluem propriedade rural e mansão em Mato Grosso do Sul, também foram alienados para os investigados mediante fraude. Inclusive, a esposa do líder dessa segunda organização criminosa, alvo de mandado de prisão nesta quinta, está residindo na residência do casal desaparecido, em companhia de um advogado, que também é alvo de mandado de prisão.

Tanto a quadrilha de Arapongas como a quadrilha de Mundo Novo teriam se valido de familiares do casal desaparecido para facilitar as transferências dos bens. Uma das finalidades da operação deflagrada nesta data é apurar se essas participações se deram de modo fraudulento, de forma voluntária ou ante grave ameaça contra esses familiares. Estima-se que os valores auferidos pelos investigados com as fraudes em questão envolvendo apenas os bens imóveis do casal desaparecido seja de no mínimo R$ 4 milhões, além de quantias eventualmente apropriadas de contas bancárias e outros bens móveis. Além de recolher provas dos crimes, a Operação Fauda busca a recuperação desses ativos de origem ilícita e sua destinação conforme a legislação em vigor. (Com informações do MP)

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