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Londrina

O BICHO PEGOU 5m de leitura Atualizado em 19/11/2021, 18:25

O que fazer quando o animal de estimação foge de casa?

Espalhar cartazes no bairro e postar a foto do pet em redes sociais é recomendado. Mas é importante que os tutores tomem cuidado ao sair de casa de carro e não permitam as famosas "voltinhas"

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Mariana Sanches Otta/Especial para a Folha
AUTOR autor do artigo

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Até agora Kauany Eloysa não sabe como o seu cachorro, o Skunk, fugiu de casa. A garçonete saiu para ir a um casamento e arrumou o cantinho do pet com água, comida e coberta, além de deixar o portão fechado. Mas, no dia seguinte, quando retornou ele já não estava mais lá. Assim que percebeu ausência do animal, Kauany saiu desesperada pelo bairro a sua procura.

Final feliz: Skunk foi encontrado graças ao compartilhamento de fotos dele em grupos de Facebook
Final feliz: Skunk foi encontrado graças ao compartilhamento de fotos dele em grupos de Facebook |  Foto: Arquivo Pessoal
 

Foi graças a publicações em grupos do Facebook e compartilhamentos nas redes sociais que o cãozinho foi resgatado. A mesma sorte que José Luiz da Silva, tutor da Pancetinha, espera ter. A cachorra também desapareceu em Londrina e até agora não foi encontrada. “O dia que ela escapou, ela estava na casa da minha namorada, onde tem duas cachorras e dois quintais, um na frente e outro atrás. Os dois espaços são divido por uma porta de metal e, de alguma forma, a cachorra da frente conseguiu abrir. Acredito que a Panceta, por ser muito apegada a mim, tenha passado pelo vão do portão da frente e saiu para me procurar”, lamenta José.

O tutor da Pancetinha, José Luiz da Silva, compartilhou cartaz nas redes sociais
O tutor da Pancetinha, José Luiz da Silva, compartilhou cartaz nas redes sociais |  Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
 

Com cartazes espalhados pela cidade, posts em redes sociais e muitas rondas pela região em que o pet desapareceu, José Luiz espera reencontrar a companheira em breve. “A Pancetinha é simplesmente a melhor coisa que já me aconteceu. Não saber onde ela está, se está bem ou não, se está viva ou não, e ficar pensando nisso tudo é muito doloroso. Não tem um momento que saia para rua e não fique procurando ela”, lamenta.

Pancetinha é um dos animais de estimação desaparecida em Londrina. "Não saber onde ela está, se está bem ou não, se está viva ou não, e ficar pensando nisso tudo é muito doloroso", diz Silva
Pancetinha é um dos animais de estimação desaparecida em Londrina. "Não saber onde ela está, se está bem ou não, se está viva ou não, e ficar pensando nisso tudo é muito doloroso", diz Silva |  Foto: Arquivo Pessoal
 

Fundadora da ADA, Anne Moraes reforça a necessidade de divulgar o desaparecimento de um pet, seja através de cartazes ou publicações em Facebook e Instagram. “A gente indica que as pessoas façam cartazes, coloquem nas padarias, árvores, pontos de ônibus e em locais com acesso a várias pessoas para quem os animais possam ser localizados. As redes sociais são fundamentais. Existem as páginas mais conhecidas, como a página da ADA, SOS Vida Animal, Sete Vidas e outros projetos que fazem também esse trabalho de divulgação”, explica Anne.

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DOENÇAS, ATROPELAMENTOS E ZOONOSES

De acordo com a médica veterinária Isabelli Sayuri Kono, o risco de atropelamento, brigas com outros pets, ingestão de substância tóxica e exposição a doenças (como cinomose, fiv ou felv) são as maiores preocupações em relação a vida de um cachorro ou gato que fugiu de casa e está perdido. “Outra coisa bem importante que pouca gente se lembra é que os animais não castrados podem procriar e aumentar o número de animais abandonados, desabrigados ou sem dono”, enfatiza Kono.

A veterinária Isabelli Sayuri Kono
A veterinária Isabelli Sayuri Kono |  Foto: Arquivo Pessoal
 

Além de todos esses fatores, um pet perdido na rua também pode oferecer inúmeros perigos para outros animais ou, até mesmo, para as pessoas. Em relação aos seres humanos, os animais podem atacar, morder e, dessa forma, transmitir doenças, as chamadas zoonoses. Segundo a veterinária, “em localidades que tenha animais silvestres nas redondezas, esse cachorro ou esse gato pode transmitir alguma doença a esses animais, o que pode acarretar até o risco de extinção ou de destruição daquela população local”.

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TODO CUIDADO É POUCO

Para evitar que um pet fuja, algumas medidas precisam ser tomadas. Janelas e sacadas de apartamentos precisam ser todas teladas. O mesmo vale para casas: telar portas e janelas, além de grades protetoras em portões podem ajudar bastante a restringir o acesso de gatos e cachorros à rua. A veterinária ainda reforça para quem precisa sair de casa com um veículo, “o ideal é colocar o animal em outro local, fechar o portão, colocar ele na coleira durante o momento em que for sair com o carro e não deixar o portão aberto”.

Ainda uma novidade em Londrina, os microchips não são uma realidade acessível para todos os tutores, de acordo com a profissional. Ela afirma que a tecnologia pode ajudar em caso de pets desaparecidos, porém necessita de um aparelho para identificar o código do microchip e na região não são todos os veterinários que inserem ou têm esse aparelho. Para Kono, “uma plaquinha de identificação, com nome, número e endereço do tutor já pode ajudar em alguns casos”.

As famosas “voltinhas” podem parecer inofensivas, mas de acordo com Anne Moraes, elas são grandes causas da fuga de animais. “Algumas pessoas acham que é normal deixar um gato passear na rua ou deixar um cachorro dar uma voltinha. Há 20, 30 anos atrás isso era uma outra realidade. Hoje em dia, devido aos engarrafamentos e à quantidade de carros que circula ficou inviável dar a famosa voltinha”, explica.

Já José Luiz faz um alerta extra para os outros tutores de pet: “Se atentem a cada detalhe, não importa o quão obediente os animaizinhos sejam. Fiquem sempre atentos, eles são iguais crianças!”

O QUE FAZER APÓS ENCONTRAR O ANIMAL

Um pet desaparecido que acabou de ser resgatado precisa ser levado imediatamente a um médico veterinário! De acordo com Isabelli, apenas um profissional poderá dizer o estado de saúde do animalzinho. “Ele pode estar desidratado e necessitar de uma fluido terapia ou de um soro na veia. O pet ainda pode estar desnutrido e aí vai precisar de uma suplementação alimentar”, ela reforça.

Mesmo sem sinais aparentes de ferimentos, um gato ou cachorro que passou muitos dias longe de casa pode estar com fraturas, hemorragias internas ou, até mesmo, pode ter ingerido substâncias tóxicas. “Então, resgatou o animalzinho na rua, já leva ele para fazer um check up e aí o veterinário vai dizer o que precisa ser feito”, orienta a profissional.

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