Londrina está sediando o 1° Open Internacional Pan-Americano de Parabadminton, evento que reúne 62 atletas com algum tipo de deficiência, tanto física quanto intelectual, de diferentes cidades do Paraná, de São Paulo, de Santa Catarina e até mesmo da China, para três dias de competições. O evento segue até esta quinta-feira (23), com jogos entre 10h e 18h, no Ginásio de Esportes do Moringão, região central.

O técnico e organizador do campeonato, Edmundo Novais, explica que a modalidade vem ganhando mais visibilidade no Brasil e no Paraná nos últimos anos, principalmente com a conquista do atleta paranaense Victor Tavares: ele ganhou a primeira medalha do Brasil na modalidade nos Jogos Paralímpicos de 2024, em Paris, na França.

“Ele pegou o terceiro lugar e isso deu uma visibilidade muito grande para o esporte a nível nacional”, explica, complementando que a conquista permitiu com que outros atletas conseguissem enxergar um futuro no esporte. “A ideia de trazer esse campeonato para Londrina é para que outras pessoas possam enxergar no parabadminton um caminho a ser seguido”, reforça.

Em países da Ásia e Europa, o esporte já é o segundo mais praticado. “O Brasil está caminhando, está crescendo”, comemora.

Protagonismo para os atletas

No Ilece (Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais), 22 estudantes com algum tipo de deficiência intelectual praticam e participam de competições de parabadminton, enquanto que outros 30 estão em fase de aprendizado.

No campeonato, são 62 atletas de Londrina, Cambé, Sertanópolis, Maringá e Curitiba, dos estados de Santa Catarina e São Paulo e até mesmo da China.

Edmundo Novais, organizador do evento: “A ideia de trazer esse campeonato para Londrina é para que outras pessoas possam enxergar no parabadminton um caminho a ser seguido”
Edmundo Novais, organizador do evento: “A ideia de trazer esse campeonato para Londrina é para que outras pessoas possam enxergar no parabadminton um caminho a ser seguido” | Foto: Jéssica Sabbadini

Todos os atletas possuem algum tipo de deficiência, seja ela intelectual ou física, com diversos graus de comprometimento. “Conforme a avaliação técnica, cada atleta é colocado dentro da sua categoria”, detalha.

Sobre a importância do esporte na vida dos atletas, Novais afirma que é algo transformador. Segundo ele, a deficiência é caracterizada, dentro da sociedade, como algo incapacitante, mas o esporte vem para desmistificar e trazer protagonismo para a vida desses atletas, o que impacta na vida pessoal, social e até financeira, já que muitos vivem do esporte por meio de bolsas de incentivo.

Sem preconceito

Praticando o parabadminton há pouco mais de um ano e meio, o atleta Elton Nogueira, 17, veio de Curitiba. O esporte entrou na vida do jovem como uma forma de sair do sedentarismo, que foi um reflexo da pandemia de Covid. No primeiro contato com a raquete e a peteca, já se sentiu incluído. “Eu gostei, me encontrei e resolvi ficar”, conta. Hoje, ele é o segundo melhor do Brasil na categoria para atletas com baixa estatura.

“São pessoas com a mesma deficiência, que entendem você. Não há pessoas preconceituosas”, afirma, sobre a experiência como atleta de parabadminton. Assim como o esporte contribui para a autoestima, ele também traz melhorias para a saúde do corpo. “Eu só tenho a agradecer ao esporte porque melhorou tudo”, afirma. Ele brinca que antes não era escolhido entre os primeiros nas aulas de educação física; hoje, é o primeiro.

Elton Nogueira começou a praticar parabadminton para sair do sedentarismo: Eu gostei, me encontrei e resolvi ficar”
Elton Nogueira começou a praticar parabadminton para sair do sedentarismo: Eu gostei, me encontrei e resolvi ficar” | Foto: Jéssica Sabbadini

Para quem tem ou não uma deficiência, Elton Nogueira afirma que o esporte é sempre uma saída. “Assim como eu, muitas pessoas vivem com o medo do preconceito e isso vai acabando com elas”, aponta, citando que o esporte contribuiu para o desenvolvimento de habilidades sociais, como a comunicação.

Sentimento de orgulho

Aluna do Ilece há muitos anos, Jeniffer da Silva, 33, conta, com orgulho, que aprendeu tudo o que sabe com o professor Edmundo Novais, com quem vai para competições por todo o estado. Para a atleta, praticar o parabadminton permitiu com que ela desenvolvesse mais disciplina, tanto dentro quanto fora de quadra.

Ao conquistar uma medalha em alguma competição, o sentimento, segundo ela, é de orgulho. “Eu gosto, eu me sinto bem e o esporte é bom para a saúde, para fortalecer os braços e as pernas”, afirma.

Jeniffer da Silva com a mãe Maria da Paz: sentimento de orgulho
Jeniffer da Silva com a mãe Maria da Paz: sentimento de orgulho | Foto: Jéssica Sabbadini

Na arquibancada, a mãe, Maria da Paz, 67, vibra e aplaude com um orgulho que não cabe no peito as conquistas da filha. Ela explica que Jeniffer chegou a praticar outras modalidades esportivas, mas se encontrou no parabadminton.

Paz explica que a filha é portadora de fenilcetonúria, uma doença genética rara que impede que o corpo metabolize um aminoácido chamado fenilalanina. O acúmulo da substância no sangue é tóxico para o organismo e causa danos cerebrais graves.

“Ela é uma menina super tranquila, respeitosa e dedicada”, afirma, enchendo a filha de elogios. A mãe conta que notou que o comportamento da filha mudou muito depois do esporte, já que era muito agitada. “Ela mudou da água para o vinho. E o que eu posso fazer para ajudar, eu faço”, afirma.

Com mais de 300 medalhas em casa, que foram conquistadas pela filha ao longo dos anos participando das competições, ela se emociona ao vê-la ganhando as quadras. “É muito gratificante”, afirma.

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Entrada gratuita

O 1° Open Internacional Pan-Americano de Parabadminton é realizado em parceria com a Itaipu Binacional e acontece no Ginásio de Esportes Moringão. Os jogos começam às 10h e seguem até as 18h. A entrada é gratuita.

(Atualizada)

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