Justiça ouve testemunhas da morte de moradora de rua no centro de Londrina


Rafael Machado - Grupo Folha
Rafael Machado - Grupo Folha

Quatro testemunhas prestaram depoimento durante a última segunda-feira (31) na primeira audiência da morte da moradora de rua Kelly Heloísa Felipe Ferreira, 41 anos. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, na noite de 23 de fevereiro do ano passado, perto das 20h, ela foi esfaqueada no tórax na esquina da Avenida Leste Oeste com a rua Ouro Preto, no centro de Londrina, e levada pelo Siate ao Hospital Universitário, onde morreu. 


Da parte da acusação, o juiz da 1ª Vara Criminal, Paulo César Roldão, ouviu o dono de um motel próximo ao local do crime e a filha da vítima. Representando a defesa, uma amiga e o marido da principal acusada, que chegou a ser presa, mas hoje responde em liberdade, também prestaram esclarecimentos. A mulher deve ser interrogada no dia 29 de setembro, data da próxima audiência do caso. Antes, outra testemunha será ouvida pelo magistrado. 


Sem querer se identificar, a filha de Kelly disse que ficou sabendo da morte da mãe por uma colega. "Até hoje não sei quem é. Me ligou dizendo que ela (Kelly) tinha sido esfaqueada depois de se defender. Não conheço essa mulher que teria matado minha mãe. Fui criada pela minha avó, mas a gente sempre se via. Podíamos ficar sem se falar por muito tempo, mas eu sabia onde encontrá-la. Ela sempre ficava lá pelo centro", contou. 


Em oito meses de investigação, a Delegacia de Homicídios concluiu que Kelly foi morta por defender uma amiga, que chegou a ser identificada pelos investigadores. No entanto, nunca foi encontrada para confirmar a tese. Mesmo assim, os policiais entenderam que essa jovem foi o pivô da discussão entre a vítima e a suposta autora do assassinato. 


Ela teria praticado um furto na região do motel e a suspeita resolveu tirar satisfação, momento em que Kelly entrou no meio da briga para defender a colega. Segundo o relatório de investigação que consta no processo, a vítima teria jogado tiner, um solvente muito usado em pintura de automóveis, o que despertou a ira da possível assassina. No mesmo dia, só que um pouco mais tarde, ela teria esfaqueado Kelly. A faca não foi apreendida. 


O que diz o outro lado


A advogada Bruna Jaqueline de Melo Aguiar, que defende a acusada, discorda veementemente da Polícia Civil e do Ministério Público. "Minha cliente só tomou conhecimento dos fatos no momento de sua prisão. Desconhece o motivo de seu nome ter sido vinculado com o caso. Ela acredita que pode ser algum engano ou má fé. Não tinha qualquer vínculo de amizade ou inimizade com a Kelly. Toda a denúncia está baseada no 'ouvi dizer'. Não há indícios suficientes de autoria, razão pela qual acreditamos que o caso não vai a júri popular". 

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