Um incêndio ocorrido no final da tarde deste sábado (18) destruiu sete barracos na ocupação Kaingang, ao lado do Centro Cultural Vãre, à margem da Avenida Dez de Dezembro, na zona sul de Londrina.

Segundo informações dos próprios indígenas às autoridades, não havia ninguém nas moradias quando o incêndio começou, por volta das 17 horas. Muitas famílias estavam participando de atividades em um festival na Aldeia do Apucaraninha, em Tamarana, em comemoração ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado neste domingo, 19 de abril.

Imagem ilustrativa da imagem Incêndio destrói barracos em ocupação indígena em Londrina
| Foto: Celso Felizardo

Os poucos moradores da ocupação que permaneceram na cidade ajudaram a retirar os pertences dos barracos antes que o fogo se alastrasse. Muitas roupas, móveis e até carrinhos de bebê estavam acumulados ao longo da rua Pedro Antonio da Silva, no Jardim Arpoador, enquanto o serviço de combate às chamas era realizado pelo Corpo de Bombeiros.

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Dois caminhões foram usados na ocorrência. O rescaldo se estendeu noite adentro. A Defesa Civil também deu apoio durante a ação. O secretário municipal de Defesa Social, Cláudio Mello, esteve no local para avaliar a necessidade das famílias.

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Bomba-relógio

Esta não é a primeira vez que a ocupação do Centro Cultural Kaingang é atingida por incêndio. Um deles, ocorrido em 2021, deixou um morador ferido e vários desalojados. Os moradores do entorno definiram a ocupação como uma bomba-relógio. “Não tem como viver tranquilo aqui. A gente não se sente seguro. Estamos do lado do Ministério Público, do lado da Prefeitura Municipal, mas ninguém faz nada”, reclama um dos moradores, que não quis se identificar segundo ele, por medo de represália.
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Alguns moradores da rua Pedro Antonio da Silva ficaram sem energia elétrica após o incêndio. “Isso aqui é cheio de gato [furto de energia]. É tudo errado. Uma ocupação em área de preservação ambiental. Vai a gente fazer uma coisa dessa”, indignou-se. Os moradores cobram uma solução definitiva para que os indígenas sejam transferidos para uma área regular.

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A reportagem tentou ouvir as lideranças indígenas, mas o único que poderia dar entrevistas, segundo eles, estava ajudando no acolhimento das famílias indígenas, em área isolada pelas autoridades.

Histórico

As famílias Kaingang estabelecidas em Londrina são egressas da Terra Indígena Apucaraninha, em Tamarana, e ocupam o espaço urbano há décadas devido a divisões políticas e territoriais internas na reserva. A área serve como base logística para a venda de artesanato (cestarias e adornos), garantindo o sustento econômico que a produção agrícola na aldeia original não supre para todo o grupo.

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| Foto: Celso Felizardo

Embora vivam na cidade, os indígenas mantêm o status de transitoriedade, utilizando os barracos como moradia de apoio para o trabalho sazonal. Essa dinâmica gera um impasse jurídico e social, pois a prefeitura e a Funai divergem sobre a responsabilidade pela assistência, enquanto a comunidade reivindica o direito de permanecer no centro urbano para exercer sua atividade comercial sem abrir mão do vínculo cultural com a aldeia de origem.

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