Kaingangs têm projeto para reconstituir a Mata Atlântica na região
O projeto de moldar o renascimento das matas - tão caras à memória, à história e ao clima do Norte do Paraná - foi selecionado no programa Itaipu Mais Que Energia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de março de 2026
O projeto de moldar o renascimento das matas - tão caras à memória, à história e ao clima do Norte do Paraná - foi selecionado no programa Itaipu Mais Que Energia
EQUIPE DA FOLHA 
Imaginem um pedaço da região de Londrina com a Mata Atlântica reconstituída tal como era antes da colonização, das derrubadas, das queimadas que moldaram um futuro de progresso, porém, com áreas quase nulas de floresta nativa preservada.
Pois essa ousadia de voltar às origens e replantar árvores que fizeram parte da história de uma das regiões mais férteis do mundo está sendo encampada por famílias da comunidade indígena Água Branca e já tem um nome: "Vãnh Krãn Krãn - Plantas da Floresta", como mostra reportagem nesta edição da FOLHA .
O projeto de moldar o renascimento das matas - tão caras à memória, à história e ao clima do Norte do Paraná - foi selecionado no programa Itaipu Mais Que Energia, conta com recursos da binacional no valor de R$ 760 mil, para um prazo de implementação de três anos, com apoio técnico e fiscalização de aplicação da Caixa Econômica Federal.
Com isso, em alguns anos, a região terá de novo um pedaço da sua paisagem original a partir de um projeto regional que envolve um dos pilares do futuro mundial: a sustentabilidade.
Os indígenas já planejam incursões a locais onde há restos florestais da Terra Indígena Apucaraninha, em Tamarana, para literalmente meter as mãos na massa, buscando caules, galhos e sementes que se transformarão em mudas para novamente por em pé a Mata Atlântica numa região onde ela foi degradada.
Com isso, será possível reproduzir o pau d’alho, a araucária, o angico, a peroba-rosa, a canjarana, o arranha-gato, o cedro-rosa, as lianas e os cipós, além de outras espécies que faziam parte do cotidiano dos indígenas no passado. Para isso o conhecimento dos anciãos que fazem parte da aldeia será essencial, não só para recompor a Mata Atlântica da Terra Indígena - reduzida a 15 mil alqueires depois da demarcação - como também para se tornar uma atividade comercial que desperta o interesse público.
O projeto já está sendo desenvolvido, como informam o líder da Associação dos Moradores da Aldeia Indígena Água Branca II, o kaingang Valdinei Deolindo, e a ativista Francesca Amaral, servidora municipal que faz parte do Movimento Popular Anticorrupção Por Amor à Londrina,
A meta é a produção de cerca de 100 mil mudas por ano, a serem distribuídas também em outras Terras Indígenas do estado, num plano de reconstituição e preservação das matas a que os indígenas se dedicam também em outras regiões do País. É sabido que sem eles nem teríamos mais florestas em pé. É sabido que eles continuam sendo guardiões do que sobrou e também do que, ainda, poderá renascer.
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