Fruta 'desconhecida' nas calçadas de Londrina intriga moradores: Pode comer?
As frutas exalam cheiro de chocolate e tem textura de batata doce. Especialistas ouvidos pela FOLHA explicam o que são as árvores de oiti
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
As frutas exalam cheiro de chocolate e tem textura de batata doce. Especialistas ouvidos pela FOLHA explicam o que são as árvores de oiti

Muito utilizada na arborização urbana por causa da copa ampla e da boa capacidade de gerar sombra, a árvore de oiti está presente em diversas ruas e calçadas de Londrina. Apesar da grande quantidade de exemplares na cidade, muitos moradores ainda desconhecem que seus frutos podem ser consumidos.

O cozinheiro Sérgio Raimundo de Souza, de 52 anos, convive com uma dessas árvores há cerca de 15 anos, desde que retirou a muda com o Viveiro Municipal. Durante todo esse período, ele acreditou que a espécie tinha apenas função ornamental. “Ela tem uns 15 anos já. Cresceu bastante”, conta. “Quando peguei a muda, não falaram nada muito sobre a árvore que cresceria.”

Conhecida popularmente como oiti, a espécie é amplamente plantada em áreas urbanas por ser resistente, frondosa e adequada para calçadas. Seus frutos, pequenos e de coloração amarelada quando maduros, costumam cair no chão e muitas vezes passam despercebidos ou são descartados.
Sérgio relata que a dúvida sobre o consumo sempre existiu. “Eu pensava: será que isso é de comer? Eu não comi porque primeiro vejo se tem passarinho comendo. Se não tiver, não coloco no estômago”, afirma.
Segundo o biólogo Weliton da Silva, professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), o oiti (Licania tomentosa) é amplamente utilizado na arborização urbana justamente porque apresenta raízes pouco agressivas e boa adaptação ao ambiente das cidades. A árvore pode atingir entre 8 e 15 metros de altura, formando copas densas que garantem excelente sombra em calçadas e avenidas.

A engenheira agrônoma Christina Wanderley explica que o fruto amadurece com coloração amarela e pode ser consumido in natura quando maduro ou usado em sucos, apesar de possuir grande caroço e polpa fina. A textura lembra a da batata-doce, característica que surpreende quem experimenta pela primeira vez.
Outro detalhe curioso da espécie está nas folhas: quando jovens, apresentam uma camada de pelos sedosos, que desaparece com o amadurecimento. "Esse aspecto ajuda na identificação da planta", comenta a engenheira.

Mesmo sendo comum nas ruas, o oiti ainda é pouco reconhecido como fruta comestível. “Pra mim sempre foi ‘canelinha’. Agora estou sabendo que também dá para aproveitar os frutos”, comenta Souza, que pretende testar receitas e preparar um suco com a produção do próprio quintal.

Especialistas destacam que a presença de espécies frutíferas na arborização urbana revela um potencial pouco explorado nas cidades: além de proporcionar sombra e conforto térmico, essas árvores também podem contribuir para a alimentação e para o contato da população com a biodiversidade local.
O QUE É O OITI?
Fruta nativa ainda é pouco explorada na cozinha
O oiti é o fruto do oitizeiro (Licania tomentosa), árvore nativa do Brasil, encontrada principalmente nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Muito utilizada na arborização urbana por causa da copa ampla, da resistência e das raízes pouco agressivas, a espécie acabou se tornando comum em calçadas e avenidas, mas pouco reconhecida pelo seu potencial alimentar.

O fruto do oiti é arredondado, de coloração amarela quando maduro, com semente grande, semelhante a um caroço de manga, e polpa fina. Quando bem maduro, pode ser consumido cru, apresentando sabor adocicado e textura que lembra a batata-doce.

Na culinária, o oiti pode ser usado de forma simples e caseira. A polpa madura pode entrar em vitaminas e sucos, combinada com água ou leite, além de ser aproveitada no preparo de doces, geleias e compotas. Em algumas regiões, a fruta também é usada em receitas artesanais, misturada a açúcar e especiarias, valorizando o sabor natural e a consistência cremosa.
Agora quando ver a fruta pelas ruas pode experimentar crua ou na cozinha, como um exemplo de como a biodiversidade nativa pode estar literalmente à beira da calçada, esperando para ser redescoberta.
Colaborou Jessica Mussati (estagiária).


Patrícia Maria Alves
Editor e Gerente de Produtos Digitais


