Filhos de mulheres vítimas de violência doméstica em Londrina receberão atendimento psicológico gratuito. O projeto “Cuidar para Transformar” beneficiará crianças e adolescentes inseridos no contexto de violência doméstica e familiar das mulheres em atendimento no Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM), ligado à Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. A iniciativa será desenvolvida por meio de uma parceira entre a secretaria, o 30º Batalhão de Polícia Militar e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), campus Londrina. A assinatura do Termo de Cooperação Técnica foi realizada nesta terça-feira (14).

O projeto surge da demanda observada pela Patrulha Maria da Penha do 30º BPM durante visitas de acompanhamento a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Verificou-se, a partir do relato das mulheres, que seus filhos também são expostos a situações de violência em seus lares, de forma direta e indireta, gerando impactos emocionais e comportamentais. . “Por isso, firmamos este Termo de Cooperação, já que essas crianças e adolescentes também são, ainda que indiretamente, vítimas da violência e precisam de atendimento psicológico”, afirmou o major do 30º BPM, Alessandro Reis.

As ações serão desenvolvidas com crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos de idade, a partir dos encaminhamentos realizados pela Patrulha Maria da Penha, em formato individual e/ou em pequenos grupos. Haverá atividades lúdicas e de escuta qualificada, desenvolvidos por estudantes do último ano de graduação do curso de Psicologia da PUC , mediante agendamentos prévios.

Conciliar atendimentos

Os atendimentos ocorrerão em uma sala disponibilizada no CAM. A escolha do local busca conciliar os atendimentos das crianças com aqueles oferecidos às suas mães, reduzindo, assim, o tempo, o custo e as dificuldades de deslocamento entre diferentes endereços.

O serviço para as crianças e adolescentes acontecerão no CAM somente durante o período em que a mulher estiver em atendimento e acompanhamento por este serviço. Quando ocorrer o seu desligamento, as crianças serão encaminhadas ao Núcleo de Práticas em Psicologia da PUC.

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Números

De acordo com dados da Patrulha Maria da Penha do 30º BPM, em 2025 foram atendidas 251 mulheres na área de abrangência da unidade, todas encaminhadas ao CAM para acompanhamento e busca ativa. Dentre elas, 81 foram classificadas como casos prioritários, conforme avaliação de risco. Em 30% dessas situações, foi identificada a necessidade de atendimento psicológico para filhos das vítimas.

O CAM atendeu, somente em 2025, de janeiro a agosto, 263 mulheres, sendo 177 casos novos e 86 casos recorrentes, totalizando 2.450 atendimentos especializados. A Casa Abrigo Canto de Dália contou com 85 pessoas acolhidas no período, sendo 40 mulheres e 45 crianças e adolescentes, gerando 1.086 atendimentos especializados. Para a secretaria municipal, os dados demostram um percentual elevado de necessidade do serviço que será ofertado no âmbito do projeto.

Processo de transformação

A secretária municipal de Política para as Mulheres, Marisol Chiesa, destacou a importância do projeto. “Quando falamos em violência doméstica e em cuidar da mulher, precisamos lembrar que, para ela, o mais importante são os filhos. Por isso, cuidar dessa criança é também cuidar dessa mulher e é parte essencial do processo de transformação e reconstrução da vida destas pessoas”, apontou.

A diretora da PUC-PR, campus Londrina, Nadina Moreno, observou que normalmente as políticas acolhem a vítima, mas esquecem dos filhos destas pessoas que são mais vulneráveis ainda. “Eu espero que o projeto se transforme em programa permanente de apoio aos filhos destas vítimas, para que possamos atender muitas famílias”, enfatizou.

O projeto “Cuidar para Transformar” está alinhado às diretrizes do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres de Londrina 2023-2026, que prevê a implantação de serviços de atendimento e apoio especializado às famílias de mulheres vítimas de violência ou feminicídio, considerando os impactos na saúde e nas relações sociais das vítimas, diretas e indiretas.

(Com informações do N.Com)

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