Férias sem sustos com as crianças
Acidentes domésticos aumentam 30% no período de recesso escolar; médicos reforçam cuidados para situações mais comuns
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de julho de 2019
Acidentes domésticos aumentam 30% no período de recesso escolar; médicos reforçam cuidados para situações mais comuns
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

É tempo de férias escolares, crianças em casa, brincadeiras, passeios e também alguns imprevistos. Com tempo de sobra para se aventurar e se divertir, as crianças ficam mais expostas a acidentes domésticos. Prova disso é o aumento de 25% nas ocorrências neste período do ano.
O pediatra em Londrina, Renato Moriya, reforça que os acidentes são preveníveis e que cada ambiente demandará cuidados específicos. Se a criança permanecer em casa, por exemplo, é importante proteger móveis, tampar tomadas e proteger as janelas. “Se for para ambientes externos, como parques, avalie a conservação dos brinquedos e a presença de objetos que possam machucar. Independente do ambiente, a criança precisa sempre de supervisão”, diz.
Um acidente muito comum, segundo Moriya, são queimaduras por líquidos quentes. “Em casos leves, o ideal é colocar o ferimento em água corrente para diminuir a intensidade do calor e não passar nenhuma pomada nem receita caseira”, indica.
FRATURAS
O ortopedista em Londrina, Paulo Marcel Yoshii, conta que recebe 30% mais casos de fraturas em crianças durante as férias. “São casos de quedas que atingem principalmente os membros superiores, como as mãos, que pelo fato de serem o primeiro ponto de apoio na queda ficam mais expostas”, diz.
Ele afirma que esse tipo de acidente é muito comum em crianças abaixo de 12 anos. Mas enquanto o risco de fratura é aumentado nessa faixa etária, justamente pela falta de noção do perigo e o desejo em explorar tudo ao redor, a recuperação é mais rápida quando comparada com adultos.
“As crianças têm ossos mais maleáveis. Em um adulto, por exemplo, a recuperação em casos de fratura demora, em média, seis semanas. Já em crianças, isso reduz para três (semanas) e em menores de dois anos, cerca de 15 dias”, comenta o especialista.
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Moedas, presilhas e outros corpos estranhos
Pensando em prevenção, o médico faz um alerta para os brinquedos com rodas, que podem expor a criança a um risco maior de quedas. “O ideal é sempre utilizar um kit de proteção, com cotoveleira, capacete e joelheira, além de procurar lugares mais abertos e planos para brincar. Também é importante ter a supervisão de um adulto”, orienta.
Em caso de fratura, o recomendado é imobilizar o braço com o uso de uma tipoia e colocar gelo na área atingida. “O gelo é analgésico e tem efeito vasoconstritor, o que ajuda na diminuição do edema”, diz.
ATENÇÃO
A cabeleireira Vanessa Ornellas costuma levar o filho Daniel, 11, a parques durante o período de férias. Quando está com ele, procura não "tirar o olho" do garoto enquanto brinca e se mantém por perto para evitar quedas ou outros problemas. "Tem que se 'desdobrar em dez'. Moramos próximo ao aeroporto (zona leste) e sempre levamos ele a lugares públicos para passar o dia. Tomando muito cuidado", relata. Neste início de semana, aproveitou para levar o filho, sobrinhos e o colega de Daniel ao Zerão. "Se fica em casa só quer saber de videogame e celular e isso não gasta energia", acrescenta.
CHOQUE ELÉTRICO
Outro acidente bastante comum é o choque elétrico. Com as crianças menores, os pais devem redobrar a atenção com as tomadas e carregadores de celular. A orientação é mantê-los desconectados quando não estiverem em funcionamento.
O gerente de Segurança do Trabalho da Copel, Alessandro Maffei da Rosa, lembra também sobre a importância de ensinar as crianças desde cedo a desligar o chuveiro para trocar a temperatura, e a não mexer nos fios de equipamentos eletrônicos que estiverem ligados à tomada.
Com as crianças maiores, o recado é sobre o risco de soltar pipas perto da rede elétrica. “Temos conversado bastante com as crianças e as famílias enfatizando que se o brinquedo enroscar nos fios, jamais se deve tentar retirá-lo”, destaca Rosa. Ele ainda comenta que o uso de cerol ou materiais metálicos para a confecção do brinquedo potencializam o risco de choque.
Além dos acidentes, o contato das pipas e outros objetos com a rede elétrica pode resultar em interrupções no fornecimento de energia. Dados da Copel revelam que desde o início deste ano foram 717 desligamentos.
INTOXICAÇÃO
Os casos de intoxicação também estão na lista dos acidentes mais comuns com crianças. Segundo o Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, no ano passado foram 41 casos de crianças atendidas na emergência por intoxicação medicamentosa.
O alerta é para que os cuidadores evitem deixar esses produtos em balcões, pias ou cabeceiras. Ou seja, qualquer local de fácil acesso às crianças. Para auxiliar os pais e cuidadores, a DVVZI (Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações), da Sesa (Secretaria da Saúde do Paraná), elaborou uma cartilha com informações sobre intoxicação infantil.
O documento destaca que a maioria dos envenenamentos ocorre em crianças de 0 a 4 anos de idade, ocasionados principalmente por produtos de limpeza, remédios, plantas e inseticidas.
Em um quadro de envenenamento, as crianças podem apresentar dor, vômito, convulsão, diarreia, paralisia, respiração difícil, confusão mental, mudança na cor dos lábios, sensação de queimação na boca, garganta ou estômago. Vale lembrar que, em alguns casos, os sintomas não são imediatos. (Colaborou Pedro Marconi)



