Moedas, presilhas e outros corpos estranhos
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terça-feira, 16 de julho de 2019
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

Engolir moedas, peças de brinquedos, baterias alcalinas e bijuterias é também uma das razões que levam muitos pais e cuidadores a buscarem a emergência do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.
O gastroenterologista Mário C. Vieira, comenta que a ingestão de corpos estranhos e substâncias cáusticas é mais frequente em crianças menores de cinco anos de idade. “Quando são deglutidos, os corpos estranhos seguem o caminho do alimento, podendo se alojar no esôfago (canal que leva a comida até o estômago) ou progredir para o estômago e para o intestino. No esôfago, a criança pode apresentar dificuldade de deglutição (mesmo de saliva), recusa alimentar e vômitos”, explica.
No caso de objetos pequenos e não perfurantes, eles podem ser eliminados naturalmente, mas em outras situações pode ser necessária a remoção por meio de endoscopia digestiva alta. “Na maioria das vezes, as moedas que progrediram até o estômago não requerem remoção endoscópica”, diz.
Quando os objetos são aspirados, eles seguem o trajeto do ar para os pulmões e podem determinar obstrução respiratória comprometendo a oxigenação. “Nesses casos, os sintomas podem variar de tosse persistente, chio no peito, rouquidão até dificuldade respiratória de intensidade variável. Dependendo das características do corpo estranho pode ocorrer asfixia grave que pode levar à morte”, pontua.
Para remoção de objetos aspirados, o especialista aponta a endoscopia respiratória e, dependendo do quadro, até cirurgia. Em relação à ingestão de substâncias cáusticas, que habitualmente são encontradas em produtos de limpeza, produtos cosméticos e baterias, Vieira diz que é preciso levar a criança imediatamente a um serviço médico para avaliação. “Não se deve provocar vômitos ou oferecer qualquer líquido, como leite, suco ou água, ou alimento na tentativa de neutralizar o efeito da substância”, ressalta.
Já em caso de aspiração de corpo estranho é preciso observar os sintomas. “Se houver rouquidão, tosse e chio no peito deve-se procurar atendimento médico urgente. Mas se houver sinais de asfixia grave, quando não há tempo de deslocamento até o hospital, deve-se ligar para um serviço de emergência e, ao mesmo tempo, realizar algumas manobras como a percussão torácica e a compressão abdominal”, indica.
Por último, o médico lembra que diante da ingestão de objetos não se deve tentar retirar o corpo estranho colocando o dedo ou a mão na boca da criança. “Isso pode fazer com que o objeto seja empurrado ainda mais e cause obstrução. Leve a criança para avaliação clínica e realização de exames radiológicos. Se necessário, será indicada uma endoscopia digestiva alta para remoção sob anestesia geral”, afirma. (M.O.)


