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Londrina

PANDEMIA EM LONDRINA 5m de leitura Atualizado em 12/01/2022, 11:44

Em meio ao avanço da ômicron, vacina ‘segura’ internamentos e mortes

Dados mostram muitos casos de infectados em Londrina, mas que não resultam em óbitos; especialistas ressaltam papel da imunização

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Pedro Marconi - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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A descoberta da doença veio na última quinta-feira (6). Silvia Borba não tinha sintomas de Covid-19, mas resolveu fazer o teste após ter contato, entre o final e início do ano, com pessoas do círculo de amizade positivarem para a doença. “Fui com meu filho nos eventos e o nosso resultado veio positivo. Tomei a terceira dose da vacina na segunda (3) e estou assintomática. Meu filho também recebeu o reforço no mesmo dia e está tossindo. Teve irritação na garganta, porém, já melhorou”, relatou a cantora de 58 anos. O filho tem 35. 

Imagem ilustrativa da imagem Em meio ao avanço da ômicron, vacina ‘segura’ internamentos e mortes
 

O exemplo de Borba e do filho se soma a outros milhares nestes primeiros dias de 2022, em que pessoas estão sendo infectadas pelo coronavírus, mas apresentam sintomas leves ou até mesmo nenhum sinal da doença. Especialistas e autoridades em saúde destacam que este cenário de avanço considerável dos casos sem repercussão nas mortes e internamentos em terapia intensiva se deve ao alto percentual de imunizados. 

Entre os dias três e dez de janeiro deste ano, por exemplo, Londrina registrou 1.566 novos casos de Covid. A quantidade é mais que o dobro do que foi contabilizado durante todo o mês de dezembro. Por outro lado, apenas uma pessoa morreu e a taxa de ocupação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estava em 7,1% na manhã de terça-feira (11). Atualmente a cobertura vacinal é de 81,2%, levando em conta a população total. Em junho do ano passado, pior mês da pandemia na cidade, foram 3.065 doentes em dez dias, com 81 óbitos e hospitais lotados. Na época somente 16,9% dos moradores estavam completamente imunizados. 

'Não é só para impedir doenças'

Infectologista, Walton Tedesco avaliou que o aumento exponencial nos casos de síndromes respiratórias é efeito da baixa cobertura vacinal contra a gripe, gerando uma nova cepa, a H3N2 Darwin, e a chegada da variante ômicron da Covid. “A ômicron consegue escapar do sistema imune, seja pela vacinação ou pela própria imunidade da doença. É uma variante de maior transmissibilidade. Estudos in vitro e não em pessoa indicam que pode ser até 70 vezes mais transmissível.” 

Imagem ilustrativa da imagem Em meio ao avanço da ômicron, vacina ‘segura’ internamentos e mortes
|  Foto: Gustavo Carneiro
 

O médico afirmou que pesquisas também têm demonstrando que a ômicron parece ser mais leve, o que colabora para que haja menos internações e mortalidade. “A vacina não é só para impedir a doença. Ela previne contra casos graves. Não existe vacina perfeita. Podemos ter situação de reinfecção, mas vemos um menor número de casos com gravidade. Isso fica claro quando pegamos o exemplo de outros países. Portugal tem quase 90% de vacinados e os Estados Unidos cerca de 60%. A mesma variante está internando praticamente o dobro nos Estados Unidos”, detalhou. 

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“A imunização se faz importante porque temos muito vírus em circulação e o problema é o agravamento da doença em indivíduos não imunizados. Mesmo havendo o vírus, a possibilidade de ter o agravamento da doença é muito menor em quem está vacinando e estamos tendo uma crescente no número de casos”, reforçou Aline Stipp, doutora em microbiologia. 

Relaxamento das medidas preventivas

Os especialistas também apontaram o relaxamento das medidas preventivas como um fator que contribuiu para a nova piora do quadro pandêmico. “Não quer dizer que por ser mais branda que a ômicron não seja grave e não pode matar. Já que no Natal e no Ano Novo houve abuso, agora é hora de dar um passo para trás e tomar consciência do uso de máscara e da vacinação. É inacreditável que em 2022 tenhamos que brigar por isso e com gente que acredita mais em fake news do que na ciência”, alertou Walton Tedesco, que é professor e atua no HU (Hospital Universitário) e na Santa Casa. 

Com a tendência de que a curva de contaminados continue intensificada, a preocupação é de que a Covid impacte o sistema de saúde de forma indireta, com os profissionais adoecendo, mesmo que de forma leve, e tendo que se afastar das funções. “Se uma UTI tem um profissional infectado ele pode transmitir para a equipe inteira e a unidade ter que fechar. O receio é acontecer como em outros países, como a França, em que profissionais com Covid estão tendo que trabalhar por falta de mão de obra. Não adianta ter leito e não terem pessoas para conseguir dar conta de todos e da melhor maneira, por isso, temos que cuidar para não termos surtos intra-hospitalares", advertiu o infectologista. 

‘VACINA SALVA’ 

Em isolamento com o filho até o fim de semana, a cantora Silvia Borba acredita que está enfrentando a doença sem intercorrências em razão da vacinação. “Por conta da vacina dei uma relaxada, fiz evento, fui em outros lugares com mais gente. Entretanto a vacina respondeu a altura. Não tive nada e estou tranquila, na minha casa, fazendo o isolamento também por preocupação com as outras pessoas. Moro com outro filho que já estava fora antes do resultado. Avisei no prédio que estou com Covid. A vacina foi o que salvou eu e meu filho”, relatou. 

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