Em Londrina, moradores do bairro Aeroporto reclamam de ‘abandono’

Calçadas irregulares, pouca iluminação e mato alto são as principais queixas de quem vive no entorno do complexo de casas que pertenciam à Força Aérea Brasileira

Micaela Orikasa - Grupo Folha
Micaela Orikasa - Grupo Folha

Os moradores do bairro Aeroporto, na zona leste de Londrina, se dizem "abandonados" pelo poder público. Eles se queixam da falta de manutenção no asfalto, calçadas, iluminação e no complexo de casas que pertenciam à FAB (Força Aérea Brasileira) e foram repassadas à Prefeitura Municipal. 


Cirlete Marcondes Pelegrinelli, que vive na rua Sacadura Cabral desde 1998, comenta que muitas pessoas passam em frente de sua residência para ir à Praça Nishinomiya, especialmente idosos. Preocupada com possíveis acidentes, ela relata que as calçadas que margeiam as antigas casas do comando da Aeronáutica estão irregulares, com muita sujeira e mato alto.  


“Isso nos incomoda muita. Quando a Aeronáutica entregou os terrenos, eles estavam limpos, roçados, mas desde que a Prefeitura assumiu, esses espaços ficaram sem manutenção. Nossa preocupação maior é com os insetos e a presença de estranhos nesses locais, o que nos traz insegurança o tempo todo. Também há o perigo de alguém se acidentar porque as calçadas estão sem condições de passagem”, diz a corretora de imóveis.  

 

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Micaela Orikasa/Grupo Folha
 



FURTO DE FIAÇÃO

O complexo de casas está localizado nas principais vias do bairro: avenida Santos Dumont e avenida Paul Harris. Ao todo, são 17 imóveis em terrenos de aproximadamente sete mil metros quadrados, que pertenciam à FAB desde a década de 1950. As casas eram ocupadas por militares que trabalhavam na cidade.  Com a desativação dos imóveis, o poder público municipal iniciou uma negociação para a transferência de domínio e planeja transformar as casas em moradias para idosos, conforme noticiado pela FOLHA em novembro de 2020.  


O advogado e proprietário de uma imobiliária no bairro, Joel Barbosa Cardoso da Silva, conta que teve a fiação do espaço comercial furtada há pouco mais de um mês. “Fiquei sem energia e sem internet e para arrumar demorou cerca de uma semana porque alguns dos materiais são importados da China. Até o relógio de luz foi levado. Estamos convivendo com a insegurança e isso se deve ao abandono desses imóveis”, afirma.  


Outra moradora do bairro, Isabel Freire, elenca uma série de reclamações, entre elas, a falta de manutenção do asfalto e a pouca iluminação. “A sensação é de abandono mesmo. O ideal seria um recape nas ruas e a substituição das lâmpadas por LED”, desabafa. Os moradores afirmam que já foram feitas reclamações junto à Prefeitura, mas que não têm tido retorno.  


Ao caminhar pelas ruas do Pinedo, Sacadura Cabral e Bagatelli, a reportagem constatou o mato alto nas calçadas e dentro do complexo de casas. Em muitas delas havia lixo reciclável que, com as chuvas dos últimos dias, acumulou água da chuva, se transformando em possíveis criadouros do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, entre outras doenças. O acesso às casas é facilitado pelos muros baixos e em algumas delas os portões estavam danificados.  

 

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Micaela Orikasa/Grupo Folha
 



POSSE PROVISÓRIA 

A secretária municipal do Idoso, Andrea Ramondini, explicou que a Prefeitura teve a posse provisória dos terrenos em 18 de março de 2021 e que um mês depois recebeu as chaves para dar início a um levantamento dos imóveis, a respeito das estruturas e possíveis intervenções. A posse definitiva, segundo ela, deverá ser assinada dentro de 30 dias.  


Em relação à capina e roçagem dos imóveis, Ramondini disse que fez uma solicitação para a Sema (secretaria municipal do Ambiente) para dar início aos serviços ainda nesta semana. “Quanto aos moradores de rua, que a gente sabe que frequentam esses espaços, estamos encaminhando um pedido à secretaria de Assistência Social para que o pessoal da abordagem de rua passe por lá. Esse trabalho de manutenção do local envolve uma série de secretarias”, afirma. 

 

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ILUMINAÇÃO

Quanto à iluminação, a assessoria de imprensa da Sercomtel Iluminação respondeu que no triângulo formado entre as avenidas Santos Dumont e. São João e a área do aeroporto existem 36 ruas modernizadas com LED e que até 2023, o programa “Londrina Cidade Iluminada” deverá ser concluído, com 100% de LED no município.  


A empresa cita que a Santos Dumont possui, além de LED, um sistema de “telegestão” que possibilita fazer determinadas manutenções a distância, direto do parque de operações. A empresa também informou que não faz mais modernizações por bairros.  


“Desde o quarto trimestre do ano passado estamos fazemos ‘por rua’, priorizando especialmente aquelas que ainda têm as inadequadas lâmpadas de vapor de mercúrio, de baixa eficiência energética, e luminárias e braços antigos, com mais de 50 anos. Também priorizamos o entorno de equipamentos públicos importantes, como escolas e UBSs (Unidades Básicas de Saúde)”, diz a nota.  



A FOLHA procurou o Núcleo de Comunicação da Prefeitura para falar sobre a manutenção das calçadas dos imóveis repassados ao poder público municipal e aguarda o retorno.  

 

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Micaela Orikasa/Grupo Folha
 



PROJETO VILA DO IDOSO 

Para a construção da Vila do Idoso, a secretaria municipal do Idoso contará com a contribuição de um escritório de arquitetura que fará o projeto gratuitamente, em conjunto com o Compac (Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Londrina), da secretaria municipal de Cultura, que vem desenvolvendo um estudo histórico. “Pela extensão do terreno, estimamos que seja possível abrigar umas 40 casas, onde calculamos que poderão residir até dois idosos”, cita a secretária do Idoso, Andrea Ramondini.


“Em 2010, a gente trabalhava com uma projeção entre 65 e 70 mil idosos para 2020. Mas pelos registros da vacinação com primeira dose contra a Covid, já temos mais de 97 mil. A população idosa ‘explodiu’ e junto com ela surgem várias questões, incluindo em relação à moradia. Como não temos Censo, vamos trabalhar com estimativas com base em planilhas, como a da Cohab-LD (Companhia de Habitação de Londrina)”, cita. 


Segundo Ramondini, o projeto-base da Vila do Idoso já está em andamento e deve ficar pronto até o final do ano. “Temos outro condomínio para idosos programado no Ruy Virmond Carnascialli (zona norte), junto ao governo estadual, assim como ocorre em outros 14 municípios. O terreno já foi aprovado e o projeto para a construção de 40 casas já está pronto. Estamos em fase de medição e o serviço deverá ser licitado no início de 2022, com previsão de começar as obras até o final do primeiro semestre.”

 

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