Imagem ilustrativa da imagem Dois guardas municipais são presos em Londrina suspeitos de homicídio
| Foto: Micaela Orikasa - Grupo FOLHA

Dois GMs (guardas municipais) em Londrina tiveram a prisão temporária decretada nesta terça-feira (5), pela suspeita de envolvimento na morte de um adolescente de 16 anos. O crime ocorreu no dia 02 de outubro, em um ecoponto no jardim Bandeirantes, na zona oeste.

Segundo informações da GM e da Polícia Civil, a princípio o adolescente estaria envolvido com o tráfico de drogas quando foi abordado pela dupla de guardas. Um motociclista estaria junto com a vítima na intenção de comprar drogas. Nesse momento, segundo o relato dos agentes municipais, houve um disparo de arma de fogo e o motociclista fugiu. O episódio chegou à administração pública como se o homicídio tivesse sido cometido por uma terceira pessoa.

Mas as investigações da Polícia Civil levaram o caso a outras direções, ou seja, envolvendo os agentes públicos. Além da prisão, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos aparelhos celulares e armas nas residências de ambos. Em entrevista coletiva nesta manhã, o delegado de Homicídios, João Reis, afirmou que já foram identificadas seis testemunhas, sendo uma delas o motociclista.

“Uma testemunha confirmou que viu o disparo da arma de fogo e que logo em seguida os guardas teriam feito um ‘pente-fino’ com uma lanterna no local para localizar o estojo (da munição)”, relatou o delegado. Além disso, uma das testemunhas disse ter sido coagida pelos GMs para confirmar a versão deles.

“Um dos motivos principais da prisão é a questão da coação de testemunhas. Nesse momento, os principais crimes que estão sendo investigados nesse processo são de fraude processual, coação no curso do processo e a questão do homicídio”, resumiu Reis.

Ainda de acordo com ele, se eventualmente os guardas que se apresentaram à polícia não foram os que estiveram efetivamente na abordagem, “eles poderão responder por falso testemunho e falsidade ideológica”.

ESCLARECIMENTO DOS FATOS

O delegado da 10ª SDP (Subdivisão Policial de Londrina), Osmir Ferreira Neves Junior, ressaltou que a investigação está em uma fase ainda de esclarecimento dos fatos. “Não há dúvida de que houve um falseamento da verdade. Agora, buscamos identificar a dimensão disso”.

Segundo o coronel Pedro Ramos, da secretaria municipal de Defesa Social, o que se tem agora do ponto de vista administrativo é a coação a testemunha e a fraude processual, “que inclusive foi objeto para a medida judicial para a prisão provisória dos guardas. Estamos afastando da função os dois guardas e instaurando um procedimento administrativo para apurar as infrações”.

Os dois guardas municipais não tinham nenhum histórico de irregularidade na função e estavam na corporação há pouco mais de cinco anos. A investigação também não descarta o envolvimento de um terceiro agente no local do crime.

OUTROS CASOS

Em outubro, dois guardas municipais foram exonerados pela prefeitura após acusação pela morte de jovem de 18 anos durante abordagem na zona norte da cidade, em março do ano passado. A GM havia sido acionada para atendimento da reclamação de perturbação de sossego em uma festa no jardim Porto Seguro. Durante a abordagem, um deles teria atirado para o alto, na sequência, o outro guarda também atirou, acertando o pescoço do rapaz, que foi levado pelos próprios servidores na viatura para o Hospital Zona Norte.

A vítima foi transferida para o HU (Hospital Universitário), mas não resistiu e morreu. Os agentes dizem que o rapaz já estava ferido quando chegaram no local. Os dois estavam afastados desde o ocorrido.

A justiça determinou que ambos vão a júri popular, um será julgado por homicídio qualificado e fraude processual e o outro responde por disparo de arma de fogo e, também, fraude processual. Saiba mais sobre esse assunto AQUI.

Também neste ano, outros 13 guardas municipais suspeitos de desvio de dinheiro apreendido em operação foram exonerados em decreto assinado pelo prefeito Marcelo Beilinati (PP). O decreto foi publicado em julho, mas o caso ocorreu em março de 2018, quando os guardas encontraram aproximadamente R$ 860 mil em uma Ecosport conduzida por um jovem na zona sul de Londrina.

Nessa situação, a suspeita é de que parte do dinheiro apreendido teria sido desviado. A investigação iniciou após servidores da Delegacia da Mulher atenderem ocorrência em que encontraram grande quantia de dinheiro na casa do suspeito.

O caso foi comunicado à direção da Guarda Municipal, que enviou denúncia para a 10ª SDP. Segundo o delegado Willian Douglas Soares, dos 13 guardas, cinco receberam R$ 20 mil, e o restante em torno de R$ 70 mil. Alguns foram indiciados por peculato, mas outros acumularam crimes e mais a fraude processual. Leia a matéria sobre esse assunto AQUI.

O coronel Pedro Ramos ressaltou que “aquilo que a administração pública pode fazer em termos de apuração e esclarecimento dos fatos tem sido feito, mas é evidente que todo caso tem que ser estudado para evitar que se repitam no cotidiano”. (Colaborou Lais Taine)

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