Os idosos compõem o grupo de risco mais suscetível ao novo coronavírus (covid-19). Todos nascem com defesas naturais contra invasores, conhecida como resposta imunológica inata. Quando as células do corpo identificam que foram infectadas, elas enviam sinais químicos para alertar que o corpo está sob ataque. Contudo, quando o corpo envelhece, há uma redução da capacidade do sistema imunológico. Isso resulta no aumento da incidência de doenças infectocontagiosas em idosos, não só para o coronavírus, mas também para a gripe e outras doenças.

Imagem ilustrativa da imagem Contra o coronavírus: idosos têm que ficar em casa
| Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

“No caso do coronavírus ainda não temos uma vacina. Toda primeira infecção por um vírus novo é muito mais grave do que se a gente já tivesse contato na infância”, observa a geriatra Lindsey Nakakogue, do ambulatório de Alzheimer de Londrina, Segundo ela, a infecção é mais forte no caso de idosos e em pacientes com comorbidades como aqueles que estão com imunossupressão, imunidade baixa, diabéticos, ou aqueles com algum tipo de câncer ou com doenças reumatológicas.

LEIA MAIS:

Idosos de Londrina não devem sair de casa para vacinação contra a gripe

NÃO CIRCULAR

"A melhor forma de conter é não circular, porque existem pessoas com o vírus e não estão com sintomas e acabam transmitindo para os mais idosos, para os mais frágeis e vulneráveis. Por isso a importante recomendação para ficar em casa”, explica Nakakogue.

A infectologista Cláudia Carrilho, do Hospital Universitário da Região Norte do Paraná, reforça que a maneira mais eficaz de evitar que a doença se alastre é tentar não se contaminar. “Isso é possível ficando em casa, adotando medidas de higiene, e não tendo contato com outras pessoas. Não é fácil e as pessoas estão assustadas, mas é um momento que tem data para acabar. Para isso cada um tem que fazer a sua parte", diz a infectologista.

ATENÇÃO À SAÚDE

Isolamento não quer dizer que eles ficarão desassistidos. A geriatra explica que se houver um problema mais grave pode-se chamar o Samu ou um médico de saúde da família. “A atenção à saúde continua. Ficar em casa não quer dizer que o idoso vai ter problema de saúde ou não vai ter um médico ou profissional de saúde para ajudá-lo. O ideal é que o idoso não procure o pronto socorro, que tente primeiro chamar a equipe de saúde da família para a sua casa ou então entrar em contato com o médico para fazer atendimento familiar e evitar pronto socorro.”

A infectologista ressalta que recentemente o Conselho Federal de Medicina liberou a consulta a distância, a chamada telemedicina. “Não é uma consulta presencial, por isso o maior valor está em tirar dúvidas e obter orientação. Isso pode ser feito remotamente. Mas se o paciente notar sinais de gravidade, ele terá que procurar um serviço de saúde para fazer a consulta presencial”, orientou.

Com tanto isolamento, uma das questões que fica no ar é como saber que o quadro clínico se agravou. “Os sinais de alerta são febre alta, falta de ar, tosse e taquicardia. Para o idoso, às vezes nem aparece a febre, mas ele fica sonolento e não quer comer nada. Em outros casos eles ficam agitados. Toda mudança no comportamento são alertas que necessitam de investigação médica. Confusão mental também. Pode não ser coronavírus, mas se ele mudou de comportamento, alguma coisa está errada”, expõe a geriatra.

RIGOR SOCIAL

Isolamento social requer rigor no relacionamento a distância com as outras pessoas. “Estar em quarentena não quer dizer que o idoso pode fazer churrasco, chamar pessoas ou fazer festa. É preciso evitar formar grupos, porque a gente não sabe de onde vieram os convidados ou com quem mantiveram contato”,alerta a geriatra. “O ideal é fazer atividades em casa mesmo, de preferência neuronal, como acessar dicionários, ler um bom livro, realizar uma pintura. Quem gosta de música pode tocar instrumentos como o piano ou o violão. A pessoa também pode aprender a cozinhar alguma coisa”, orienta Nakakogue.

COMPRAS

Sobre a necessidade de se fazer compras de itens essenciais, a geriatra Lindsey Nakakogue recomenda que o idoso peça para uma pessoa mais jovem que faça isso por ela. “Pode pedir ao vizinho para fazer compras para você. Hoje em dia você também pode fazer uma compra por telefone. A tecnologia ajudou muito nesse sentido.”

A infectologista Cláudia Carrilho, por sua vez, ressalta que o fechamento do comércio faz com que muitos idosos recorram aos serviços de entrega. Nesse Caso, ela observa que evitem contato com as mãos do entregador ao receber o material. “Depois de receber, coloque o objeto em local seguro e higienize as mãos. Descarte tudo o que vem da rua em uma lixeira em que não tenha mais contato. Muita coisa vem em papel e o vírus pode permanecer até cinco dias no material. Se o entregador não tomou cuidado há risco de contaminação. Se o material vem em embalagem plástica o idoso pode passar álcool na embalagem e depois dispensar essa embalagem em local separado”, destacou.

FAKE NEWS

A geriatra pede para os idosos tomarem cuidado com as informações que recebem. “Álcool em gel feito com gelatina incolor não funciona contra o coronavírus. É fake news. Já ouvi outras. De espalhar cebola pela casa a fazer bochecho com vinagre.” A infectologista acrescenta que é preciso seguir a orientação médica adequada. “A gente tem que seguir somente orientações oficiais, baseada em dados oficiais.”

PARA CUIDADORES

Para os cuidadores de idosos, a orientação é para que esses profissionais, que eventualmente pegam transporte público, troquem de roupa e higienizem as mãos assim que chegar na casa do assistido. “Lave as mãos e use álcool em gel. Esse cuidado não está restrito somente ao cuidador, mas à empregada doméstica também. Com os objetos esse cuidado deve ser o mesmo. Se todo mundo lembrar que pode se contaminar toda vez que tocar em algo deve higienizar os objetos a cada uso utilizando o hipoclorito de sódio (água sanitária) ou passar álcool 70%.”, disse a infectologista Claudia Carrilho.

Ela orienta os idosos que residem com pessoas mais jovens a manter um quarto isolado com banheiro só para eles, quando possível. “Mas isso não é comum. A regra geral é termos banheiros compartilhados. Nesse caso o recomendável é realizar a limpeza a cada uso com hipoclorito de sódio (água sanitária) e álcool em gel nos metais. É preciso evitar que as pessoas circulem pela casa inteira”, orienta.

Ela recomenda que as pessoas não sentem no mesmo sofá. “Higienizem tudo. Água e sabão resolve. A melhor maneira de proteger é deixar tudo limpo”, orienta, dizendo também que não compartilhem utensílios como copos e talheres, já que o coronavírus pode ser transmitido pela saliva.

PARA TODOS

Questionada sobre as pessoas que convivem com os idosos, a geriatra Lindsey Nakakogue ressalta que os cuidados de higiene são para todos, principalmente para quem chegar da rua. “Tire sapatos, bolsa, roupas e deixe tudo fora de casa. Vá tomar banho primeiro, lavar bem as mãos, passar álcool gel e só depois pode falar com o idoso. Se estiver gripado, o ideal é que não entre em contato. Isso só pode acontecer se for extremamente necessário, e a pessoa seja o único cuidador, mas o ideal que não entre em contato”, orienta.

A geriatra recomenda aos idosos que escutem seus filhos, netos e médicos sobre a recomendação para ficar em casa. “Dentro de casa a pessoa pode levar uma vida normal. Se alimentem bem, tomem bastante líquido, durma no horário certo e façam atividades físicas normalmente. Claro que não dá para ir à academia ou lugares com muita gente, mas nada impede de caminhar dentro de casa ou fazer uma esteira.”

Imagem ilustrativa da imagem Contra o coronavírus: idosos têm que ficar em casa
| Foto: Folha Arte
mockup