A vacina contra a dengue está disponível em Londrina em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde), para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, porém, a cobertura está muito abaixo do esperado pela SMS (Secretaria Municipal de Saúde). Somente 48,36% da faixa etária foi imunizada com a primeira dose, das duas necessárias.

Considerando apenas os munícipes de 10 anos de idade, os dados ainda não são satisfatórios, com 70% das crianças tendo recebido o primeiro imunizante. Segundo Fernanda Fabrin, diretora de Vigilância em Saúde da SMS, o órgão almejava ter atingido entre 90% e 95% do total. “É esse público bem restrito, porém é significativo, e a gente percebe que a busca não está conforme gostaríamos. Então, reforçamos o pedido para que os pais levem seus filhos a uma unidades de saúde mais próxima, para que a gente consiga melhorar a nossa cobertura e essa proteção dos quatro sorotipos que a vacina oferta”.

A diretora atribui a baixa procura à “dificuldade” do público, que pode demonstrar resistência e querer acompanhamento dos pais, e, assim, pode deixar de buscar a vacinação. Esta faixa etária foi escolhida pelo Ministério da Saúde por ser a segunda com o maior índice de complicações e internações em decorrência da dengue, atrás dos idosos.

Não há previsão de ampliação para crianças mais novas e adultos, por conta do imunizante ainda não estar disponível em todas as cidades brasileiras. “Foram feitos alguns recortes nos municípios que tiveram mais índices, e para que se amplie a faixa etária, primeiro tem que disseminar para todos os locais”, explicou a diretora.

Fabrin relembrou casos de cidades que receberam a ampliação, mas afirmou terem sido exceções. “Tiveram algumas situações com lotes próximos de vencimento que eles autorizaram ampliar para utilizar, mas a gente não tinha desse lote, então aqui não foi feito”.

PRIMEIRO ÓBITO

As informações foram repassadas pela diretora de Vigilância em Saúde nesta quarta-feira (09), mesmo dia em que foi confirmada a primeira morte por dengue no município, por meio do novo boletim epidemiológico. A vítima é uma idosa de 73 anos, moradora da zona leste, falecida no dia 25 de março no Hospital da Zona Sul.

Sem histórico de dengue anterior, a paciente apresentou os primeiros sintomas em 6 de março, tendo buscado atendimento médico no dia 11, na UPA (Unidade de Pronto Atendimento Centro-Oeste). No mesmo dia, foi transferida para o hospital, onde permaneceu internada por 14 dias até vir a óbito.

A mulher possuía múltiplas comorbidades, sendo hipertensão, sequelas de AVC, hepatopatia crônica (doença grave no fígado) e demência, além de estar enfrentando uma infecção bacteriana no momento da internação, o que agravou o caso.

Fabrin informou que a zona leste não contabiliza muitos casos positivos e notificações de dengue, mas é alvo de ações de bloqueio de transmissão e monitoramento por parte da Prefeitura, assim como outras regiões que necessitam. A partir da identificação de suspeita para a doença, “você vai até o caso notificado e nas casas próximas para identificar se tem mesmo algum foco, faz a orientação e remoção de resíduos. É feita a borrifação com UBV costal (nebulização) quando se retira os resíduos, temos a BRI (Borrifação Residual Intradomiciliar), e a região foi contemplada com a soltura da wolbachia”.

Fabrin garantiu que as ações de prevenção e identificação irão continuar, alertando a população que “a dengue é uma doença que mata”, independente da idade e existência de comorbidades. “Tem que levar a sério o cuidado no domicílio, verificar semanalmente se tem acúmulo de água, remover, e que qualquer pessoa com sinal suspeito, como febre, dor no corpo e de cabeça, manchas vermelhas no corpo, não aguarde e procure atendimento”.

A diretora orientou ainda sobre o uso do repelente, que deve ser utilizado por todos, incluindo pessoas com suspeita ou dengue confirmada para evitar a contaminação de outros mosquitos.

ALTA TRANSMISSÃO

O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça, (08) uma lista de 80 municípios classificados como prioritários para ações de controle da dengue, selecionados por registrarem casos em ascensão ou alta transmissão - mais de 50 casos por 100 mil habitantes.

Fabrin explicou que a Vigilância em Saúde da SMS e 17ª Regional de Saúde de Londrina aguardam mais detalhes sobre o planejamento, visto que ainda não foi recebido nenhum documento oficial falando do plano de ação. “Mas, com certeza, tudo que vem a agregar, a somar no município, a Secretaria Municipal de Saúde está aberta e disposta a trabalhar”.

mockup