CMTU orienta 1.200 pais em Operação Volta às Aulas
Iniciativa atende 18 escolas até 1º de agosto, buscando diminuir o número de acidentes nas unidades que mais registraram ocorrências
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de julho de 2025
Iniciativa atende 18 escolas até 1º de agosto, buscando diminuir o número de acidentes nas unidades que mais registraram ocorrências

Com o início do segundo semestre do ano letivo, quase 47 mil alunos da rede municipal de Londrina retornaram às aulas, nesta terça-feira (22), em 184 unidades escolares. Assim, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) iniciou a nova etapa da Operação Volta às Aulas, de maneira a intensificar a orientação e fiscalização do tráfego no entorno de 18 instituições da cidade.

A escolha dos CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil) e escolas foi baseada em um estudo técnico da Coordenadoria de Segurança Viária da Companhia, que mapeou as unidades com o maior número de acidentes de trânsito registrados nas proximidades entre 2020 e 2024, em um raio de 200 metros. Foram registradas 1.125 ocorrências e três óbitos no período.
Mara Diniz, coordenadora de Educação no Trânsito e Segurança Viária da CMTU, explicou que a operação objetiva conscientizar a comunidade escolar, sobretudo pais de alunos e motoristas do transporte de estudantes, sobre o respeito às normas de trânsito no entorno das instituições. “A ação visa sensibilizar os condutores, e assim, contribuir para uma mudança de comportamento em três frentes: necessidade de proteção das crianças, formação de futuros motoristas conscientes e garantia da mobilidade nas vias adjacentes”, pontuou.
A iniciativa é feita em duas unidades por dia, começando 30 minutos antes dos horários de saídas dos alunos nos dois turnos, que ocorrem às 11h30 e às 17h30.
DEMANDAS
Diniz informou que a Companhia recebe muitas reclamações de carros estacionados em locais proibidos e travessias na contramão, constatando que “a ideia da fiscalização intensificada é coibir esse tipo de atividade irregular, para que as crianças tenham um retorno às aulas de maneira mais tranquila e não corram nenhum tipo de risco”.
Exemplificando, mencionou que “os pais, na pressa de buscar as crianças, estacionam na vaga de embarque e desembarque, utilizam a vaga para necessidades especiais sem a devida credencial. Tem fila dupla, que prejudica, inclusive, o desembarcar a criança, ela fica em risco em meio aos carros”. Relembrou ainda de ocasiões em que condutores hesitaram em infringir leis de trânsito somente porque avistaram um agente da CMTU, demonstrando que, “no dia a dia, estavam acostumados a entrar na contramão para buscar a criança”.
A orientação quanto às práticas irregulares é feita por meio de abordagens e entrega de materiais educativos. O diálogo e conteúdo das cartilhas instruem sobre o uso da faixa de pedestres, das cadeirinhas infantis e vagas de curta duração, explicando também sobre a proibição do uso do celular durante a condução.
Abordam ainda a “necessidade de sempre utilizar o cinto de segurança e de dar preferência ao pedestre na faixa a ele destinada. Já os materiais distribuídos às crianças são desenhos para colorir com a temática do trânsito, para que os pequenos possam aprender enquanto brincam de pintar”, elencou a coordenadora.
Se necessário, em casos de flagrantes de infrações que comprometam a segurança de alunos, pais e professores, os agentes também aplicam penalidades. Diniz garantiu que a Operação está sendo bem recebida pelos motoristas, contando que “sempre procuramos falar com a direção da escola para saber sobre as demandas principais”.
‘SEGURANÇA É O MÍNIMO’
Greicielly Jesus buscou o filho Ítalo, de 5 anos, no CMEI Clemilde de Martini Lopes dos Santos, zona oeste, por volta das 17h15 desta quinta (24). Dois carros da CMTU estavam estacionados na rua em frente ao Centro, no Jardim Leonor, em mais uma ação da Operação Volta às Aulas.

Ítalo tem Transtorno do Espectro Autista, e assim, sua mãe pode parar na vaga de deficiente físico que fica em frente ao CMEI ao deixar e buscá-lo. Mesmo com o direito garantido, contou que muitas vezes tem que estacionar seu veículo em vagas comuns, quando carros sem a credencial adequada já estão ocupando o local.
“Hoje tive que parar na metade da vaga, porque tinha carro e moto ali. O pessoal não respeita a sinalização de deficiente, é o que eu mais vejo, ou tenho que deixar do outro lado da rua porque a vaga está ocupada”, relembrou.
A técnica de enfermagem disse ainda que é comum policiais “fecharem” a rua por vezes, o que deixa o trânsito “desorganizado” e a força a estacionar em lugares distantes da entrada. “Não tem como passar, aí eu tenho que dar a volta e parar mais pra cima pra ele conseguir descer em segurança. Outro dia, perguntei pra policial se podia parar pra descer ele, e não podia, mas eu disse que estava tudo fechado e ela deixou”.
Priscila Costa é mãe de Levi, de 2 anos, que estuda no CMEI desde fevereiro. Nos cinco meses que busca o menino todo dia, disse que esta quinta foi a primeira vez que viu agentes de trânsito fiscalizando a rua. “Acontece bastante coisa aqui, você vai atravessar e o carro não dá seta, não sabe se vai virar ou se vai entrar, aí quando você vê ele já está em cima”, contou.

A mulher disse que não dirige, mas já quase sofreu acidentes em frente a instituição como pedestre. “Pessoas em alta velocidade, entrando na contramão e fila dupla é o que mais acontece nesse lugar”.
A manicure considerou importante a ação da CMTU no Centro, com a presença de dois agentes de trânsito, para inibir as recorrentes infrações que presencia. “É uma segurança não só para nós em si, mas para os filhos da gente também, para as crianças atravessarem a rua. Eu acho que com a quantidade de imposto que a gente paga nessa vida, um pouco de segurança é o mínimo”, almeja.
DUAS ETAPAS
Desde o início da segunda fase da iniciativa, na terça, cinco instituições foram contempladas, com cerca de 1.200 pessoas atendidas. As visitas nas 13 unidades restantes já estão marcadas, com o cronograma indo até 1º de agosto.
A primeira etapa da Operação Volta às Aulas foi realizada em 18 escolas e CMEIs em fevereiro, quando o ano letivo começou na rede municipal. Na época, as unidades também foram escolhidas com base no número de acidentes registrados nas áreas.
A coordenadora foi questionada se, em comparação com o período analisado para montar o levantamento, os resultados da fiscalização levaram a diminuição de ocorrências e maior segurança viária. Diniz informou que, para que se tenha um embasamento técnico, é necessário um período maior de investigação.
“Os dados levantados nesse primeiro momento contemplam os sinistros de 2020 a 2024. Ainda são necessários alguns meses de 2025 para que essa análise seja realizada. Porém, a Diretoria de Trânsito acredita que o fortalecimento dessa ação, com a presença dos agentes nas escolas, faz com que a comunidade escolar se sinta mais segura e os que trafegam ao redor das unidades realizem as conduções de maneira mais tranquila e harmoniosa”, elucidou.
Somando com as cerca de 3.800 abordagens realizadas no primeiro semestre, a iniciativa contemplou por volta de 5 mil pessoas até o momento.
PRÓXIMAS DATAS
Sexta (25)
11h - CMEI Irmã Maria Nívea
17h - E.M. Nara Manela
Segunda (28)
11h - CMEI Professsora Vila Eliza Colombo Ribeiro
17h - E.M. Dr. José Hosken de Novaes
Terça (29)
11h- CMEI Pastor Francisco Seixas
17h- CMEI Kalin Youssef
Quarta (30)
11h - E.M. Salim Aboriham
17h - CMEI Professora Sandra Regina Maximiano Leme
Quinta (31)
11h - CMEI Professora Laura Vergínia de Carvalho Ribeiro
17h - E.M. Professor Leônidas Sobrinho Porto
Sexta (1º)
11h - E.M. Padre Anchieta
17h - E.M. da Vila Brasil
Diretores e coordenadores pedagógicos de unidades não previstas lista podem manifestar interesse em receber os agentes por meio do formulário disponível no site da CMTU, no menu “Trânsito”/“Educação de Trânsito”.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


