CMTU estuda ampliar número de semáforos com temporizador
Contador que facilita travessia de pedestres está instalado em dez locais; londrinenses elogiam a iniciativa, mas pedem tempo maior em determinadas esquinas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Contador que facilita travessia de pedestres está instalado em dez locais; londrinenses elogiam a iniciativa, mas pedem tempo maior em determinadas esquinas

Entre os recursos viários que contemplam os pedestres de Londrina, estão os semáforos com contador regressivo, que mostram por quantos segundos a passagem é permitida. O temporizador permite o cálculo do tempo disponível para a travessia, tornando mais previsível e segura a transposição das vias. Dez locais contam com o dispositivo, implantado pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), que almeja expandir a presença para outros pontos da cidade. Londrinenses elogiam a iniciativa, mas pedem um período maior antes que a luz fique vermelha em esquinas movimentadas.
Londrina possui, ao todo, 284 locais semaforizados, com o sistema gerenciado pela CMTU. Alguns possuem botoeira - a sinalização é acionada mediante demanda. Especificamente sobre os equipamentos com temporizador, a localização foi definida com base no fluxo de trânsito, sendo que o tempo permitido para passagem varia de um local para o outro.
Renan Neves, diretor de Trânsito do órgão, explicou que “nas faixas de pedestre de entrada, onde os veículos ficam parados esperando o fluxo contrário, o tempo costuma ser maior, pois fica vinculado ao tempo veicular. Já nas faixas de saída, é estipulado um tempo específico para o pedestre, momento no qual todos os veículos ficam parados”.

'Dá pra chegar na outra esquina'
Na esquina da Rua Sergipe com a Avenida São Paulo, no centro de Londrina, os pedestres têm travessia liberada por 35 segundos nas duas vias. O temporizador foi instalado em junho de 2025, visto que o grande fluxo de pessoas, devido a proximidade com o Terminal Urbano Central, reforçou a necessidade de uma sinalização que fosse além da faixa aos transeuntes a pé.
Renato Luciano vende panos, meias e luvas nesta esquina há 28 anos. Diariamente, tem observado a maior segurança proporcionada pela contagem regressiva. “Antes não tinha o tempo do pedestre, fechava aqui para quem sobe a São Paulo e já abria o da Sergipe. A gente tinha que ficar bem atento, e uma pessoa de idade não conseguia ter essa rapidez de atravessar de um lado para o outro, então, ficou perfeito com o temporizador”, celebrou o ambulante, ressaltando ainda a forte presença de pessoas com mobilidade reduzida - que usam muletas ou cadeira de rodas - beneficiados pela tecnologia.
Luciano brincou ainda que “com 35 segundos, dá pra chegar até na outra esquina”, sugerindo a adição em massa do dispositivo na região central. “Nos semáforos que não têm, ficam duas opções: ou para e espera abrir de novo, ou tem que sair correndo e contar com a sorte. Teria que colocar, pelo menos no centro, em todas as esquinas”.

Atravessar correndo
Em contrapartida ao tempo de sobra para quem caminha próximo ao Calçadão, munícipes que atravessam o cruzamento da Rua Mato Grosso com Jorge Velho têm que correr para chegar ao outro lado a tempo. O contador disponibiliza somente sete segundos para a travessia, contra os 52 segundos reservados aos motoristas que vão em sentido zona sul - cronometrados pela reportagem.

João dos Santos mora em um prédio residencial nesta esquina e anda a pé frequentemente. Ele contou que, quando possível, faz a passagem em outras ruas. “É bom saber quanto tempo você tem pra atravessar, mas sete segundos é muito pouco para o idoso, para quem vem do mercado com carrinho ou quem está com cachorro. Tem que ser uns 20 segundos no mínimo, até pra pessoa se coordenar um pouquinho, não atravessar correndo”, pontuou.
O segurança aposentado gostaria de ver semáforos com temporizador no cruzamento das ruas Pará com Senador Souza Naves, além da Avenida Juscelino Kubitschek com a Rua Mato Grosso.
“Precisa mesmo, porque o tráfego é muito rápido e esses lugares têm muito movimento. E outra coisa, a maioria do pessoal não respeita a faixa de pedestre, você tem que ter muito cuidado, porque pode estar indo atravessar, mas ninguém para”, lamentou Santos, dizendo ainda que “não é só gente nova que não respeita, idoso também”.

Contador ao lado de escola
Os 35 segundos reservados aos pedestres no centro se repetem nos dois sentidos da Avenida Duque de Caxias nas proximidades da Rua General Horta Barbosa, bem em frente a um grande colégio particular. Por ser uma área escolar, também há sinalização vertical de limite de velocidade, em 30 km/h.
Já a Rua General Horta Barbosa, logo antes da entrada lateral da instituição, conta com um semáforo que libera a passagem a pé por nove segundos. Giovanna Batista e Kauane Pinheiro, ambas técnicas de enfermagem, trabalham na esquina da avenida com a rua, mas sempre priorizaram cruzar a Duque de Caxias pelo maior tempo à disposição.

“Eu gosto quando mostra os segundos, acho que fica mais organizado e seguro para passar. Mas aqui nunca dá tempo, tem que passar correndo. O ideal seria uns 15 segundos”, considerou Batista. A colega completou dizendo que, para quem possui mobilidade reduzida ou é idoso, 20 segundos seriam necessários.
Análise para ampliar o tempo
Nos últimos dois locais citados, Mato Grosso x Jorge Velho e Duque de Caxias x General Horta Barbosa, o diretor de Trânsito da CMTU informou que, “além do tempo de verde no contador, há ainda o tempo de bloqueio - vermelho piscante - antes de abrir o semáforo para os carros, o que eleva o tempo total para aproximadamente 13 segundos, permitindo, assim, a passagem com segurança”.
Neves disse ainda que foi solicitada uma revisão detalhada em ambos os pontos para verificar a necessidade de ampliação do tempo.
Ele contou ainda que a pasta tem recebido retorno positivo dos pedestres nos locais onde os equipamentos já foram implantados. Desta forma, “o planejamento é expandir para outros pontos da cidade com maior demanda de travessia, à medida que houver disponibilidade de equipamentos”.
Os semáforos que possuem contador regressivo para quem anda a pé estão nos seguintes locais:
• Ruas Mato Grosso x Jorge Velho
• Avenida Duque de Caxias x Rua General Horta Barbosa
• Avenida Bandeirantes x Rua Senador Souza Naves
• Avenidas Maringá x Ayrton Senna da Silva
• Ruas Cuiabá x Rio Grande do Norte
• Ruas João Cândido x Benjamin Constant
• Rua Benjamin Constant x Avenida Rio de Janeiro
• Avenida São João x Rua Vasco da Gama
• Avenida Maringá (em frente ao Colégio Positivo) – 1º implantado
• Ruas Sergipe x São Paulo / Rio de Janeiro / João Cândido

Município caminhável
Com foco nos pedestres, a CMTU almeja tornar Londrina uma cidade mais caminhável, “fazendo a sua parte através da melhoria no sistema viário, abrangendo a sinalização horizontal, vertical e semafórica”, disse Neves. O diretor considerou que o desafio não é apenas do órgão, também dependendo de o poder público e os munícipes “abraçarem a causa”.
Para ele, o maior desafio na área de mobilidade urbana em Londrina “é o de conciliar, em um espaço já existente, todos os atores e modais necessários, como pedestres, bicicletas, motocicletas, automóveis, caminhões e ônibus, cada um com seus interesses e prioridades”. De janeiro a agosto deste ano, o município registrou 154 atropelamentos, com seis resultando em óbitos.
Leia mais:
Operação dos radares
A empresa que irá promover a manutenção dos 69 radares de trânsito instalados nas vias urbanas de Londrina, vencedora da licitação para o serviço, tem até o dia 20 de outubro para iniciar a operação. A CMTU informou que, “neste momento, segue o processo de implantação da estrutura, depois virá toda a sinalização viária, um período de testes dos equipamentos e somente após isso o início do funcionamento normal”.
Os equipamentos não estão ativos e, com a retomada da operação, não haverá aumento no número de radares.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.




