A autora do vídeo que circula na internet desde a noite de domingo (18) contou à reportagem que chegou à UPA do jardim do Sol, na zona oeste de Londrina, acompanhando a sogra na mesma ambulância que levava o rapaz agredido por um técnico de enfermagem na unidade. O atendimento do Samu aconteceu no Residencial Vista Bela (zona norte).

A mulher disse que o atendimento estava muito demorado e que não ouviu o rapaz ser chamado nenhuma vez para atendimento. “Ele estava bem agitado, andava para lá e para cá, entrou em uma sala (na UPA), pegou uma faixa para por no braço dele e subiu na administração. Um senhor avisou o enfermeiro, que foi buscar ele. Aí eles estavam discutindo lá em cima (piso superior) e o menino questionava por que não podia subir. O enfermeiro mandava ele descer”, contou a moça.

Já de volta ao piso inferior, segundo ela, o paciente prosseguiu com os questionamentos e o funcionário da UPA foi ficando mais irritado e se aproximando cada vez mais do rapaz. “Foi aí que comecei a gravar o vídeo. O enfermeiro estava virando as costas para o rapaz, mas voltou e deu um tapa nele. Isso foi às 19h20. Aí dois outros enfermeiros levaram ele para a sala e começaram a bater. O menino tinha uma marca de cima da cabeça até embaixo da orelha, de uma cirurgia que fez. Tinha uma outra enfermeira na porta escutando os outros baterem nele e deixou, não fez nada, só ficou escutando. Foi quando levantei e comecei a falar que estavam espancando. O menino saiu quando a Guarda Municipal chegou. Estava com a blusa rasgada.”

Um homem que estava na UPA acompanhando o pai confirmou que o atendimento estava muito demorado. Ele disse que chegou à unidade às 16h, a triagem foi feita rapidamente, mas o pai dele só passou pela consulta após as 19h. “Estava lá quando o rapaz chegou com o braço engessado e saiu pelo corredor atrás de médico. Estava com muita dor. Ele abriu a porta para ver se tinha médico e o enfermeiro não gostou. Foi aí que aconteceram as agressões. Quando o enfermeiro viu que estava sendo filmado, começou a acusar o menino de tentativa de roubo, mas é tudo mentira. Ele queria atendimento e o enfermeiro tratou brutalmente. Não ouvi ele ser chamado para atendimento em nenhum momento”, comentou. “Mesmo que ele estivesse roubando, é a polícia que deveria ver isso. O funcionário não deveria fazer justiça com a própria mão.”

Após a primeira agressão, o homem contou que o paciente foi levado para uma sala reservada, de onde começou a gritar por socorro. “Abri a porta para ver se paravam, mas não pararam. É uma coisa sem explicação. Logo depois eu fui embora porque meu pai ia ficar em observação e aí eu não vi ele saindo da sala”, contou. “É um absurdo o que aconteceu. Não levo meu pai lá mais não. A gente vai procurar um socorro, um atendimento e encontra um monstro judiando do paciente.”

SERVIDOR REGISTRA BO

Depois da confusão, o técnico de enfermagem fez um boletim de ocorrência contra o paciente na Polícia Civil. Disse que também foi vítima.

O funcionário afirmou em depoimento que assumiu o plantão às 19h e o rapaz já tinha passado por atendimento na ortopedia, mas estava na unidade. O técnico de enfermagem relatou que o rapaz não quis ir embora, entrou na área interna da UPA, tentou entrar em algumas salas e ameaçou funcionários dizendo que era ladrão.

O servidor acrescentou que foi até o rapaz, pediu que ele deixasse a unidade, no entanto foi agredido com socos nas costas.

Depois de descerem ao primeiro andar, os dois entraram em luta corporal e o rapaz agredido foi contido por funcionários. Quando a Guarda Municipal chegou na unidade de pronto atendimento, o rapaz agredido fugiu.

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