Apenas três linhas da TCGL continuam circulando durante greve
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quinta-feira, 04 de abril de 2019
Simoni Saris - Grupo Folha 

O Terminal Urbano Central amanheceu quase vazio nesta quinta-feira (4). Nas plataformas de embarque e desembarque, a maioria dos ônibus e passageiros era da empresa Londrisul, que não aderiu à greve.
Nos pontos reservados às linhas operadas pela TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), alguns usuários aguardavam os ônibus. As linhas 106 – Conjunto Guilherme Pires (zona leste), 213 – Shopping Catuaí (zona sul) e 307 – Avelino Vieira (zona oeste) continuaram circulando, mas em intervalos maiores. Cada viagem levava entre uma hora e uma hora e meia, dependendo do trajeto.
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A empregada doméstica Andréa Cristina Dias pegou o ônibus da linha 106 no início da manhã e ao descer no terminal urbano, foi surpreendida pela paralisação dos motoristas.
“Ontem eu perguntei para dois motoristas, no começo e no fim do dia, se teria greve hoje e eles disseram que não. Como eu consegui pegar o ônibus perto de casa, achei que estava normal. Agora, o jeito é voltar para casa”, disse ela, que trabalha em uma casa de família na Gleba Palhano e dependia de uma linha que não estava circulando. “Vou perder o dia de trabalho.”
O vendedor Ricardo Gonçalves Rodrigues saiu da zona sul, em um ônibus da empresa Londrisul, e embora soubesse da paralisação, arriscou ir até o terminal central.
“Eu sabia que a greve seria parcial, mas não tem ônibus nenhum aqui. Estou atrasado para o trabalho e vou ter que ir de Uber”, comentou. “Os motoristas estão querendo os direitos deles, mas tem os dois lados. Prejudica muito a população. Poderiam manter alguns ônibus circulando.”
“Os motoristas estão reivindicando melhorias nos salários deles, mas nós, que usamos os ônibus, pagamos uma passagem cara e vamos a viagem toda de pé porque sempre está lotado e não tem lugar para sentar. Não temos conforto nenhum. Então, alguma coisa não está certa. A gente paga muito e os funcionários da empresa ganham pouco”, disse a atendente Maria Helena dos Santos, que esperava há quase uma hora pelo ônibus.
Ela mora na zona sul e para chegar ao trabalho, costuma utilizar a linha 904, que passa pelo Terminal Acapulco. Com a greve, mudou o trajeto e se deslocou para o terminal central na esperança de conseguir transporte. A alternativa era a linha 307, mas com apenas um veículo no itinerário, os intervalos entre as viagens eram de uma hora e meia. Santos entra às 8 horas no trabalho e pouco antes das 9 horas ela ainda esperava pelo transporte.
Em um ponto de ônibus do centro da cidade, a dentista Marjorie Takai e a professora Renata Oliveira esperavam o ônibus para a zona norte, mas depois de muitos minutos de espera, pensavam em alternativas para chegar ao trabalho.
"Ouvi dizer que os ônibus da Grande Londrina não pararam totalmente e estou aguardando. Se não passar, vou ter que ir de Uber. São R$ 14. Mas depois teria que usar a Uber para mudar de escola e, para voltar para casa, teria que chamar outro Uber. Não posso ficar pagando", disse Oliveira.
Takai acompanhava pelo aplicativo do celular a movimentação dos ônibus. "Estou vendo se vem algum, mas acho que não. O jeito é chamar Uber. Já avisei no trabalho que vou chegar mais tarde."
Segundo motoristas da TCGL que estavam no terminal, as três linhas que não pararam de circular são dos ônibus corujões, que mantiveram as atividades pela manhã. Um dos motoristas disse à reportagem que continuaria trabalhando até o final do seu turno.
“Estou cumprindo o itinerário no tempo normal apesar de o trânsito estar bem ruim. Mas só eu estou fazendo essa linha, então só passo pelo terminal de hora em hora”, comentou.


