Dia 1 de janeiro de 2026 é celebrado por grande parte do mundo como o Dia da Confraternização Universal, no entanto, poderia ser chamado também do Dia Mundial da ressaca. Festas e celebrações, brindes e banquetes colocam o fígado para trabalhar dobrado na Virada. No pós-festa, vem o combo dor de cabeça, no corpo, cansaço, náuseas e boca seca, sinais de que o corpo está desidratado e precisa repor água e sais minerais e nutrientes.

Para não perder o primeiro dia do ano com mal-estar, a FOLHA conversou com especialistas, que explicam o que realmente funciona para aliviar os sintomas e estar pronto para aproveitar o restante do recesso sem complicações.

Hidratação

O médico do trabalho, Rodrigo Pereira Bettega, explica que o corpo humano de forma gradual vai liberando água com os sais minerais no rim, e quando o hormônio antidiurético (ADH) funciona de forma correta é para poupar esse desperdício, porém quando ingerimos bebidas alcoólicas, o álcool inibe a liberação desse hormônio, resultando a maior reabsorção de água nos rins, com isso aumenta a diurese mais conhecido como urina, e ocorre a à desidratação.

O principal sinal de desidratação é quando a urina começa a ficar amarela ou escura, isso significa que não temos mais água no corpo, acontece uma concentração de urina pois água que existia já foi evacuada,."É importante nesses casos realmente trabalhar a hidratação", aconselha.

Para Bettega, além da hidratação com a água, é indicado uma hidratação com sais minerais como isotônicos e soro caseiro, para combater a ressaca. O sono é outro aliado dessa cura, sono de forma segura e confortável.

O profissional alerta para as informações falsas e diz que é um mito a cultura popular de que tomar café cura ressaca. "Qualquer estimulante vai te jogar lá para cima artificialmente, o corpo acaba sofrendo com a desidratação e com o estímulo ao mesmo tempo."

Estando bem hidratado não existe preocupação em tomar café. "Não vai tomar um litro de café, mas uma xícara não tem problema", libera.

Devo tomar remédio?

Automedicação trata de sintomas, como dores de cabeça um analgésico, remédio para enjoos, mas o principal é a hidratação. "Não tem remédio específico para ressaca o importante é liquido, tomar três litros de água por dia para normalizar o seu corpo".

Bettega sinaliza que em pessoas que tem comorbidades, doenças como pressão alta, cardiovasculares e até mesmo diabetes a ressaca pode ser mais forte. "uma pessoa cardíaca pode ter uma super carga; já quem é diabético pode desestabilizar, deve ter cuidado, não pode pular medicação por conta da ressaca." afirma.

Vitaminas e minerais

A nutricionista clínica especialista em tratamento e prevenção da obesidade, Ana Carolina Galvão Gonçalves, reforça que além da hidratação, é preciso repor vitaminas e minerais.

Após o consumo de álcool, o organismo desidratado e com perda de eletrólitos, fica em desequilíbrio. "Alimentos ricos em água e minerais ajudam nesse processo, opte por frutas como melancia, laranja, melão, legumes, sopas leves e caldos. Fontes de carboidratos simples e de fácil digestão, como arroz, batata ou mandioca, auxiliam na reposição de energia, enquanto proteínas magras, como ovos e frango, contribuem para a recuperação metabólica e hepática".

Outro aliado líquido para melhorar e eliminar a ressaca do seu corpo é a água de coco, uma excelente opção para casos leves de desidratação, por conter potássio e ser bem tolerada. Isotônicos podem ser úteis quando há maior perda de líquidos como em casos de vômitos ou sudorese excessiva, mas devem ser usados com moderação por conterem açúcar, em sua grande maioria. O soro caseiro é indicado principalmente quando há sinais claros de desidratação, como tontura, fraqueza ou diarreia, sempre respeitando a diluição correta.

A nutricionista explica que quando se ingere bebidas alcoólicas em grande proporção "pode interferir na absorção de nutrientes e no metabolismo de algumas vitaminas e minerais, especialmente as vitaminas do complexo B, C, magnésio e potássio. Esses nutrientes participam do metabolismo energético, da função neuromuscular e do equilíbrio hídrico, sendo importantes para a recuperação após o consumo excessivo de álcool. A melhor forma de reposição é por meio da alimentação equilibrada".

O que não comer

Comer pode ser uma ajuda ou um problema no estado de ressaca, Galvão pede atenção no que NÃO é indicado ingerir que pode piorar o mal-estar da ressaca e alimentos gordurosos estão no topo da lista, "frituras, ultraprocessados e ricos em açúcar podem piorar náuseas, refluxo e sobrecarregar o fígado, que já está metabolizando o álcool, podendo irritar a mucosa intestinal e alterar a microbiota. Alimentos leves, como arroz, legumes cozidos, banana e maçã, ajudam a reduzir o desconforto. Iogurtes naturais ou outros alimentos fermentados podem auxiliar na recuperação da microbiota intestinal, desde que a pessoa não apresente intolerância.

Galvão alerta que o jejum prolongado não é indicado nesse contexto. Após o consumo de álcool, o organismo precisa de energia e nutrientes para se recuperar. Ficar muitas horas sem comer pode aumentar a fraqueza, a hipoglicemia e o mal-estar. O mais adequado é realizar refeições leves e fracionadas ao longo do dia.

Para quem está de dieta e ultrapassa o limite do consumo de bebida alcoólica a nutricionista recomenda que o foco seja a hidratação adequada e o retorno à rotina alimentar habitua e saudável, sem compensações extremas. "Não é necessário 'punir' o corpo com restrições severas. Refeições equilibradas, ricas em alimentos naturais, proteínas magras, legumes e frutas, ajudam o organismo a se recuperar sem prejudicar o processo de emagrecimento".

As principais estratégias incluem alimentar-se bem antes de consumir álcool, intercalar bebidas alcoólicas com água, evitar exageros e priorizar bebidas em menor quantidade. No dia seguinte, hidratação adequada, alimentação leve e rica em nutrientes são fundamentais. Mais do que soluções milagrosas, o equilíbrio e o bom senso continuam sendo as melhores ferramentas para reduzir os impactos do álcool no organismo finaliza.

*supervisão de Patrícia Maria Alves (editora).

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