A professora Andrea Gonçalves Moreira da Silva, 42, apresentou os primeiros sintomas de esclerose múltipla aos 21 anos, enquanto cursava a faculdade de Educação Física. Ela tinha dificuldade com a coordenação motora do lado esquerdo, como é canhota perdeu a capacidade de escrever, e apresentava desequilibrio.

Depois de consultar três neurologias veio o prognóstico: esclerose múltipla. Mas o diagnóstico ainda estava fechado. Fez tratamento e ficou três anos sem surtos. "Recuperei tudo. Terminei a faculdade, fui personal trainner, corria. Fazia tudo", contou. Então, ela teve a reincidência do surto que confirmou o diagnóstico.

Com o tratamento, a velocidade de evolução da doença está reduzida, mas Silva tem comprometimento motor que dificulta o dia a dia. "O portador de esclerose quem tem que seguir uma rotina, com descanso e fazer as coisas sempre devagar", contou.

Ela e outros pacientes da Alpem (Associação dos Portadores de Esclerose Múltipla Londrina e Região) participaram neste sábado (25), no Calçadão, das atividades pelo Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, que é celebrado no dia 30 de agosto. Alunos da área de saúde da Unifil, Unopar e UEL (Universidade Estadual de Londrina) auxiliaram nos esclarecimentos da população sobre a doença.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune, que pode provocar limitações e incapacitações. Os portadores sentem fadiga, fraqueza muscular, visão dupla ou perda da visão, distúrbios de fala e audição, desequilibro, tremores, perda de controle da bexiga, dormência no corpo, depressão.
A enfermidade acomete adultos jovens na faixa etária dos 20 aos 40 anos, e é mais frequente em mulheres. "Ela afeta uma faixa da população produtiva, levando a limitações e isso gera um preconceito. Como às vezes ela não é visível as pessoas não entendem", disse Michelle Moreira Abujanra Fillis, professor de Fisioterapia da Unifil.

Com medicação, fisioterapia, exercícios o progresso da esclerose pode ser retardado, assim como a frequência dos surtos. No entanto, segundo a presidente da Alpem, Celia B. Bernal Martins, a distribuição de medicamentos está desregulada.

Um dos principais imunossupressores usados no tratamento - cloridrato de fingolimode - ficou semanas em falta. "Essa transição de governo (Estadual) é desastrosa, pois comprometeu o fornecimento de medicamentos", reclamou Martins. A FOLHA mostrou a situação da falta de remédio em julho.

A associação tem 250 pacientes cadastrados. Mas não há dados específicos do número de casos na cidade. Segundo Fillis, a prevalência em Londrina é de 15 a 17 casos por 100 mil habitantes. A prevalência é maior nas regiões de clima frio, como o Sul do país. "Pode ser pela deficiência de vitamina D, mas as pessoas com etnias europeias são mais acometidas", disse Fillis. No Rio Grande do Sul, por exemplo, com colonização alemã e italiana, e temperaturas baixas, a prevalência é de 27/100 mil habitantes.

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