"É a primeira vez que isso acontece", lamenta o contador Márcio Rogério de Mattos
"É a primeira vez que isso acontece", lamenta o contador Márcio Rogério de Mattos | Foto: Gustavo Carneiro


Pacientes com esclerose múltipla têm sofrido com a falta do medicamento de alto custo indicado para tratamento da doença. O remédio Gilenya (cloridrato de fingolimode) é fornecido pelo Ministério da Saúde por meio do SUS (Sistema Único de Saúde) e distribuído na região de Londrina pela 17 ª Regional da Saúde. Cada caixa do modulador de imunidade custa de R$ 7 mil a R$ 8 mil.

O Ministério da Saúde destina lotes do medicamento a cada três meses. Por isso, é necessária a renovação da receita trimestralmente por parte dos pacientes. O que foi feito pelo contador Márcio Rogério de Mattos, 47, de Londrina, que recentemente renovou a receita para julho, agosto e setembro. Quando foi buscar o medicamento no último dia 12, no entanto, foi informado que a 17ª Regional de Saúde estava sem o Gilenya. "É a primeira vez que isso acontece", lamenta.

De acordo com o Ministério da Saúde, embora a entrega do remédio seja feita trimestralmente, "há casos específicos em que é necessário fazer um número maior de entregas, sem prejuízo à demanda do Estado e tratamento do paciente, uma vez que o quantitativo total é garantido no período previsto de três meses".

A pasta garantiu, por meio de nota, que "sempre que informado de reduções pontuais do estoque, busca fazer remanejamento ou recorre ao seu estoque estratégico para atender os pacientes". No entanto, não há estoque disponível na 17 ª Regional de Saúde.

Diagnosticado com esclerose múltipla em 2013, Mattos precisa tomar o medicamento, que vem em caixas com 28 comprimidos, diariamente. "Estou há dois dias sem tomar", emenda.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune. Consiste na produção de anticorpos que atacam os neurônios e afetam o sistema nervoso central. Dessa forma, faz-se necessária a administração de imunossupressores, que suprimem ou reduzem reações imunológicas específicas do organismo.

A doença pode provocar lesões na medula lombar e no nervo ocular, como no caso do contador. Sem o medicamento, pacientes podem apresentar problemas de visão, audição, cognitividade, fala e locomoção. "Não tive problemas para obter o direito de receber o remédio, foi tudo aceito pelo Ministério da Saúde, mas este mês não consegui receber. Não sei se é um problema esporádico, mas não posso ficar sem a medicação", queixa-se.

O Ministério da Saúde alega que o processo de compra do Gilenya para atender o terceiro trimestre do ano foi paralisado devido a uma ação judicial envolvendo empresas fornecedoras concorrentes. O governo, informa a pasta, obteve aval da Justiça na última sexta-feira (13) e "imediatamente deu andamento ao processo para o fechamento da compra". Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento deve estar disponível em toda a rede do SUS até agosto.

Conforme o diretor José Carlos Moraes, a 17ª Regional de Saúde fornece o Gylenia para aproximadamente 200 usuários da região de Londrina. "O pessoal precisa desse medicamento", reforça.

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