ESPECIAL MATRÍCULAS| Escolas estão preparadas para o novo ensino médio

Em novo modelo, os alunos poderão escolher as matérias direcionando o aprendizado para seu interesse nos conteúdos de linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza ou no ensino profissionalizante

Janaína Ávila - Especial para a Folha
Janaína Ávila - Especial para a Folha

Em 2022 acaba o prazo dado pelo Ministério da Educação para que as escolas se adequassem ao Novo Ensino Médio. A reforma foi estipulada em 2017 e já era prevista uma implementação escalonada e os alunos do primeiro ano serão os primeiros a experimentarem o novo sistema nas redes públicas e nas escolas particulares. Em 2023, serão os estudantes do segundo ano e assim, até 2024, quando o novo modelo irá cobrir os três anos da etapa. Uma atualização do Enem, já com base nas novas diretrizes, também deve acontecer daqui três anos. Os materiais didáticos seguirão o mesmo planejamento. Uma coisa é certa, tanto para os pais - que conheceram muito bem o antigo ensino médio, quanto para os alunos que saem do nono ano do ensino fundamental em 2021, as mudanças podem trazer novas perspectivas.


 

ESPECIAL MATRÍCULAS| Escolas estão preparadas para o novo ensino médio
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O que mais chama a atenção no novo modelo é que a partir do primeiro ano do Ensino Médio, os alunos poderão escolher as matérias que vão estudar, a partir dos chamados itinerários formativos; direcionando todo o seu interesse para os conteúdos de linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza ou no ensino profissionalizante. Além da flexibilização do currículo, a nova lei também aumenta a carga horária anual, que passaria para ao menos mil horas (hoje, são 800); cinco horas diárias na sala de aula.  Parte da carga horária será comum a todos os estudantes, com as matérias tradicionais e ficaria menos de 40% da carga, dedicada aos itinerários. De acordo com o MEC, o objetivo é tornar mais atrativo o ensino médio, que tem taxa de abandono próxima a 10% e melhorar os baixos índices de desempenho em avaliações oficiais dos estudantes dessa etapa. 


As mudanças não pegam as escolas desprevenidas. De acordo com Jaqueline Oliveira Ramos, coordenadora pedagógica da unidade da Avenida Maringá do Colégio Maxi, a equipe vem estudando, conhecendo e avaliando as propostas do Novo Ensino Médio há mais de um ano. São projetos com aulas e práticas laboratoriais em diversas áreas do conhecimento. “Estamos antecipando as mudanças para que nessa transição a escola continue a ofertar ensino de excelência. As novas orientações vêm para agregar”, afirma. A liberação das matrizes curriculares e da nova carga horária pelo Governo do Estado do Paraná foram aguardadas com ansiedade. “Estamos preparados para o novo Ensino Médio, nossos professores estão em constante formação para iniciarmos 2022 nessa nova proposta com tranquilidade e, principalmente, para dar segurança aos nossos alunos”, completa. 


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Jaqueline ainda diz identificar nos jovens, algumas dúvidas sobre a escolha dos itinerários formativos. Para tentar ajudar, durante todo o ano letivo corrente, a escola promoveu atividades centradas nos alunos, trabalhando a própria autonomia e responsabilidade. “Os Itinerários Formativos serão a parte flexível da formação geral básica, composta por competências e habilidades previstas na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e organizados junto às áreas do conhecimento, para o estudante aprofundar e ampliar aprendizagens em uma ou mais áreas, sempre com a garantia de que o aluno faça a opção com a qual mais se identifica e de acordo com suas áreas de interesse”, explica. 


Além dos itinerários dentro das quatro áreas de conhecimento, a escola ainda deve realizar projetos extras a serem implantados durante o novo ano letivo. “Observamos interesse dos alunos nas diversas áreas, mas ainda apresentam incertezas com relação às escolhas, próprias da idade. Sendo assim, ofertaremos as quatro áreas, para que o aluno tenha a oportunidade de vivenciar, experimentar e fazer sua escolha com autonomia e segurança”, diz. O novo ensino médio ainda prevê que 20% da carga horária possa ser no ambiente virtual e mesmo antes da pandemia, o modelo através da plataforma educacional Google For Education, já estava em prática na instituição. Jaqueline ainda conta que o corpo docente participou de todo o processo para as mudanças, desde a análise do material didático até as formações específicas previstas pelo Novo Ensino Médio. “Sempre buscamos valorizar a interdisciplinaridade entre teoria e prática, potencializando os estudos através de todos os laboratórios e espaços, promovendo esse movimento de mudança e trabalhando com os alunos através das metodologias ativas. Isso dá aos estudantes a oportunidade de exercitar a resolução de problemas concretos em situações cotidianas, desenvolvendo competências profissionais e sociais”, completa.


 

A coordenadora pedagógica da unidade da Avenida Maringá do Colégio Maxi, Jaqueline Oliveira Ramos, conta que a equipe vem estudando e avaliando as propostas do Novo Ensino Médio há mais de um ano.
A coordenadora pedagógica da unidade da Avenida Maringá do Colégio Maxi, Jaqueline Oliveira Ramos, conta que a equipe vem estudando e avaliando as propostas do Novo Ensino Médio há mais de um ano. | Gustavo Carneiro
 



Para Lucimeire Leduc Peixoto Fedalto, Coordenadora do Ensino Médio no Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) dos colégios do Grupo Positivo, as mudanças com o Novo Ensino Médio reafirmam que a educação e, consequentemente, a escola, são organismos vivos que precisam acompanhar a evolução da humanidade e as demandas da sociedade. Ela conta que a preparação nas unidades do grupo começou pelo planejamento reverso. “Tendo a clareza de onde se quer chegar, fica mais fácil organizar o percurso. E quanto a isso, temos a clareza da nossa missão:  formar cidadãos conscientes por meio do desenvolvimento do senso crítico, da concentração, do raciocínio, da empatia e da habilidade para a tomada de decisões”, afirma. Para cumprir com as exigências do Novo Ensino Médio, diz contar com um time de excelência formado por professores de alta performance, totalmente engajados e em constante formação, e assessores pedagógicos por área de conhecimento. “A esse time coube planejar. Começamos pelo estudo da BNCC e o entendimento da lei. Há muitos desafios, desde o ajuste da carga horária à oferta dos Itinerários, mas o importante é estar em uma instituição em que haja a liberdade de contribuir e o incentivo a busca por soluções. O estudo e a formação são imprescindíveis.  Nossa expectativa é que nossos alunos possam, de fato, construir um Projeto de Vida, sabendo que a vida é feita de oportunidades e que a formação que estão recebendo poderá auxiliá-los a serem quem eles quiserem”, diz. 


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Na opinião da especialista, a possibilidade de escolher qual Itinerário cursar, seja ele por área de conhecimento ou integrado, ampliará o leque de opções. Lucimeire usa o seu próprio percurso profissional para explicar as possibilidades do Novo Ensino Médio. “Sempre tive facilidade em Linguagens e Humanas; Natureza e Matemática nem sempre foram minhas prediletas. Caso tivesse tido a oportunidade de escolha, poderia ter recebido mais das áreas com as quais me identificava”, analisa sem descartar a possibilidade inversa e esse, na sua opinião, é o grande diferencial da nova modalidade. “Muitas vezes, o jovem - pela natureza da idade - está em formação e em conflito. Portanto, cabe à escola mostrar as possibilidades e oportunidades, contribuindo nesta jornada da descoberta” completa. Ela ainda lembra que não existe prejuízo no aprendizado já que as disciplinas essenciais serão comuns a todos.


Os alunos do Grupo Positivo tiveram a oportunidade de participar de algumas pesquisas e foi a partir delas que a direção conseguiu traçar um perfil do próprio público e saber mais das expectativas sobre carreiras, formação e áreas de interesse. Os dados revelaram que entre os alunos, os favoritos são os cursos de Medicina, Direito e Engenharia, tanto por opção do estudante ou por influência familiar. Também foi percebido um aumento de interesse pelas profissões ligadas às áreas de tecnologia. “Além do Projeto de Vida, obrigatório no NEM (Novo Ensino Médio), ofertaremos para as 1ª e 2ª séries um Itinerário que explora a interdisciplinaridade, o trabalho em equipe, a tomada de decisões, a reflexão sobre temas da atualidade e a entrega de um produto final. Tudo isso na intenção de desenvolver as habilidades socioemocionais fundamentais para o contexto em que nos encontramos. A escola precisa preparar para a vida”, afirma Lucimeire. 


 

Para Lucimeire Fedalto, Coordenadora do Ensino Médio no CIPP dos colégios do Grupo Positivo, as mudanças com o Novo Ensino Médio reafirmam que a educação e a escola são organismos vivos que precisam acompanhar a evolução da humanidade e as demandas da sociedade
Para Lucimeire Fedalto, Coordenadora do Ensino Médio no CIPP dos colégios do Grupo Positivo, as mudanças com o Novo Ensino Médio reafirmam que a educação e a escola são organismos vivos que precisam acompanhar a evolução da humanidade e as demandas da sociedade | Arquivo pessoal
 


A ideia ainda é oferecer algumas disciplinas eletivas e cursos extracurriculares, pensando justamente nos interesses e aptidões do público. Já, na 3ª série, o Grupo deve ampliar a oferta com os Itinerários por área de conhecimento. “O grande segredo é ouvir os alunos e os professores. Tudo o que organizamos foi feito a partir das escutas”, revela. Os professores também têm recebido uma atenção especial. Eles se reúnem regularmente com os assessores pedagógicos para os Encontros Formativos onde há muita leitura, escuta ativa e troca de experiências. “Além desse suporte, os professores podem se aprimorar por meio dos cursos ofertados pelo TEIA - Transformar, Educar, Inspirar e Aprender, nosso projeto de formação continuada, organizado pelo nosso Centro Pedagógico. O objetivo é fornecer ferramentas assertivas à equipe docente por meio dessas capacitações, para a formação acadêmica e o aperfeiçoamento das habilidades técnicas e sociocomportamentais”, explica.


PAIS E FILHOS


Polyane Primo tem dois filhos no Colégio Positivo Santa Maria, em Londrina, atua na área da educação e acompanha com atenção a proposta da reforma do Ensino Médio. Ela também se interessa pelos impactos da implantação do Novo Ensino na formação integral dos jovens e encontrou junto à escola das crianças, respostas para todas as suas dúvidas. “Toda transição é desafiadora. Algumas mudanças são mais perceptíveis, outras somente serão avaliadas a longo prazo. De imediato, podemos identificar a proposta de um trabalho interdisciplinar, ou seja, os componentes curriculares que antes eram chamados de disciplinas, articulam-se, compondo as áreas do conhecimento. As mudanças não são apenas na nomenclatura e no trabalho por áreas do conhecimento, elas influenciam na intervenção pedagógica, carga horária de estudo do curso e no aprofundamento dos conteúdos reorganizados pela Base Nacional Comum Curricular”, diz. 


Para ela, a nova proposta deve permitir que os jovens conquistem uma emancipação política e econômica, com vistas à sua prática social, saindo um pouco da visão tecnicista da Educação, com foco apenas no mercado de trabalho. “Reconheço a preocupação, o cuidado e o trabalho do Colégio para proporcionar um ensino com qualidade, visando uma formação consistente para continuidade dos estudos e posicionamento social”, afirma. Ainda na sua opinião, uma coisa não muda com o Novo Ensino Médio: “O acompanhamento dos responsáveis no processo de aprendizagem do estudante continua sendo muito necessário para o seu melhor aproveitamento escolar”, diz.


 

Animada com as mudanças, a estudante Isadora Cheiko Miyoshi, 14 anos, estreia no Ensino Médio seguindo as novas regras e acredita que com a nova modalidade vai conseguir chegar mais preparada na faculdade
Animada com as mudanças, a estudante Isadora Cheiko Miyoshi, 14 anos, estreia no Ensino Médio seguindo as novas regras e acredita que com a nova modalidade vai conseguir chegar mais preparada na faculdade | Gustavo Carneiro
 


Em 2022, a estudante Isadora Chieko Miyoshi, de 14 anos, estreia no Ensino Médio e já seguindo as novas regras.  Ela se diz animada com as mudanças e pensando já no futuro. “Eu sempre gostei de desenhar casas, gosto de matemática, arte. Sei que quero fazer arquitetura e sei que no ano que vem vão separar as aulas a partir dos nossos interesses. Bom saber que posso escolher as áreas que vão me ajudar no futuro”, diz. Focada desde já no objetivo, ela acredita que com a nova modalidade vai conseguir chegar mais preparada na Faculdade. “Vou me sentir mais segura”, diz a futura arquiteta. 


Aluna do nono ano no Colégio Maxi, Isadora só está frequentando as aulas presenciais agora e conta que entre os colegas de turma e os professores, o assunto interessa bastante. “A nossa vai ser a primeira turma. Tem quem está com um pouco de medo. Alguns dos meus colegas gostam da ideia, mas tem outros que não curtiram muito o aumento da carga horária”, conta divertida. Pronta para fazer a matrícula para o próximo ano, ela ainda diz que confia muito na escola e de como tudo vai ser organizado para essa nova fase. Nessa semana, continua, os alunos do nono ano receberam bastante informação sobre as mudanças no Ensino Médio, com atividades em sala de aula, slides e material informativo impresso.  


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