Convidar a criança a participar das compras dos lanches e na montagem da lancheira é uma forma de incentivá-la ao consumo
Convidar a criança a participar das compras dos lanches e na montagem da lancheira é uma forma de incentivá-la ao consumo | Foto: Shutterstock



Quando a rotina escolar entra em cena traz com ela aquela velha dúvida de boa parte dos pais: o que mandar de lanche para as crianças todos os dias? O caminho mais fácil é recorrer a produtos prontos, fabricados pela indústria. Porém, já se sabe que esta não é a opção mais saudável. A boa alimentação melhora o desempenho escolar, previne a obesidade, assim como doenças cardíacas e o diabetes. Quanto mais completo e rico em nutrientes, mais saudável será o lanche.

A nutricionista e mãe de três filhos, Daniela Lopes Oliveira Bento Nogueira, diz que o segredo é planejamento. Os pais precisam programar o cardápio com antecedência. "Na hora de ir às compras no mercado já devem pensar no que vão colocar na lancheira das crianças naquela semana", orienta. Segundo ela, um lanche completo deve ser composto de três grupos de alimentos: os energéticos, os construtores e os reguladores.

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Os primeiros são os carboidratos, representados na lancheira por pães, bolos e biscoitos caseiros, e cereais. Os alimentos construtores são as proteínas, presentes em leites e derivados, como queijo, requeijão, manteiga, iogurte, além de carnes. Já os reguladores são as fontes de vitaminas e minerais, como frutas, verduras e legumes. Um erro comum dos pais é mandar apenas aquilo que a criança gosta. "Temos que oferecer os alimentos várias vezes e explicar que são gostosos e fazem bem para a saúde", afirma.

Segundo a nutricionista, as crianças costumam experimentar e gostar dos alimentos a partir de incentivos e pelo que elas veem em casa. "Se os pais têm o hábito de comer de forma saudável facilita a aceitação", alerta. Os professores também têm um papel importante na alimentação dos alunos, assim, na hora do lanche, é interessante que expliquem sobre os alimentos saudáveis para estimular a experimentação.

A especialista garante que, com organização, é possível substituir os lanches industrializados por opções mais saudáveis. O pão de leite, por exemplo, feito na padaria, sem conservantes, pode ir no lugar da bisnaguinha industrializada. Os bolos embalados devem ser substituídos por versões caseiras, de fubá, laranja, cenoura. "Bem fechadinhos, eles duram uma semana", garante. No caso das bebidas, é recomendado evitar os leites achocolatados, sucos e refrigerantes de caixinha, pois possuem muito açúcar.

Daniela recomenda que os pais deem preferência para sucos naturais. Os sabores laranja, goiaba e maracujá duram mais, até três horas. "Dá para preparar na hora do almoço e colocar na garrafa térmica", ensina. Uma opção muito prática são as polpas congeladas, que podem ser preparadas no fim de semana, em forminhas de gelo. "Na hora de montar a lancheira, é só colocar água e algumas forminhas com a polpa da fruta e um pouco de açúcar. Para beber, basta a criança chacoalhar e o suco está pronto."

Quando o tempo estiver curto, os pais podem optar por algumas opções mais saudáveis disponíveis no mercado, como os sucos de laranja e uva integrais. Água de coco também é uma ótima opção para ser enviada na lancheira, assim como a água natural. "Se a criança já vai comer uma fruta, não precisa do suco", avisa. As frutas podem ser enviadas inteiras e com casca, que é rica em fibras, ou picadinhas - no caso de melão, melancia e morangos.

A nutricionista diz que o brasileiro não tem o hábito de enviar verduras e legumes na lancheira, mas é possível incluir milho cozido, cenoura crua, tomatinho cereja no cardápio. Iogurtes naturais batidos com frutas também são boas opções. Neste caso, a recomendação é congelar a bebida duas horas antes de montar o lanche e sempre enviá-lo em uma bolsa térmica, para não azedar.

Para deixar a lancheira mais atrativa, os pais devem convidar os filhos a participar das compras e montagem do lanche. Escolher as frutas e preparar um bolo caseiro pode ser uma tarefa divertida para as crianças. Quando sobrar um tempinho, a dica é abusar da criatividade e enviar frutas picadinhas no palito, usar uma forminha diferente para cortar o pão ou até mandar uma mensagem carinhosa para os pequenos. A variação na apresentação do lanche ajuda a estimular o consumo.

LANCHE TROCADO

E quando o filho chega em casa pedindo um item que viu na lancheira do amigo? A nutricionista diz que é normal que haja a troca de lanches nos intervalos, porém, nem sempre a opção do colega é saudável. Por isso, é importante se informar sobre o que as outras crianças estão comendo na escola e fazer reuniões com professores e pais para evitar o estímulo a guloseimas e alimentos industrializados e com muito açúcar.

A mãe do Eduardo, de 6 anos, Nábyla Souza Schulz, diz que vez ou outra o filho chega em casa com itens que não mandou na lancheira. "De vez em quando volta uma bolacha recheada ou chips", lamenta. Ela conta que, até o ano passado, as crianças da idade dele podiam compartilhar o lanche. Mas quando percebeu que a troca não era nada saudável, procurou a escola e conversou com outras mães. "É regra na escola que tem que mandar lanche saudável e uma vez por mês pode mandar o lanche livre", conta.

Nábyla garante que, com planejamento, não é difícil mandar lanches saudáveis. Como ela passa a maior parte do tempo em casa, acaba organizando o cardápio diariamente. "Tento não repetir as opções e todos os dias mando fruta na lancheira", afirma. Sempre que possível, ela envolve o filho no preparo. Bolo caseiro, mini pizza, esfirra integral e bolachinhas, tudo feito em casa, estão presentes da lancheira. "Faz diferença envolvê-lo preparo. Ele fica mais interessado, come melhor e mostra para os amigos o que fez", garante.

A mãe da Alice, de 3 anos, Iasmin Mondek, trabalha como autônoma e diz que costuma se organizar com antecedência para montar uma lancheira saudável para a filha. "Toda semana eu vou ao mercado e já compro os itens que pretendo mandar. Um dia antes, anoto o que vou enviar no dia seguinte para ficar mais fácil", conta. Entre as opções de bebida estão a água natural e o chá sem açúcar. "Evito mandar suco", conta.

Para comer, Iasmin diz que tem o hábito de colocar na lancheira da filha frutas e também alguns legumes cozidos, como batata-doce, milho, brócolis, cenoura. Mix de castanhas, queijo branco, ovo também estão presentes no cardápio. "São coisas que ela costuma comer em casa e nós também", lembra. A mãe conta que teve problemas na escola, especialmente com lanchinhos industrializados enviados por outros pais. O bolo embalado no saquinho com figuras de personagens despertou o interesse da filha, que começou a pedir a opção. "Conversamos com a escola e pedimos para que ele fosse enviado sem embalagem", conta.

Iasmin diz que coloca a filha para participar da montagem da lancheira e procura deixar os alimentos atrativos e divertidos, usando forminhas de biscoitos para cortar queijos e frutas, por exemplo. Na opinião dela, as crianças não são resistentes em relação aos alimentos, costumam comer o que lhes é oferecido. "Muitas pessoas têm a visão de que, para agradar, tem que dar açúcar. No aniversário da Alice na escola, levamos milho cozido, sem sal e manteiga, e as crianças amaram", exemplifica.

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