Cooperativas ampliam atuação e agregam valor além da porteira
Estado concentra seis das dez maiores cooperativas do país, que ampliam investimentos em agroindústria, governança, inovação e ações voltadas ao desenvolvimento regional
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sábado, 25 de julho de 2026
Estado concentra seis das dez maiores cooperativas do país, que ampliam investimentos em agroindústria, governança, inovação e ações voltadas ao desenvolvimento regional
Aline Machado Parodi - Especial para FOLHA 

As cooperativas agropecuárias passaram por uma transformação significativa nas últimas décadas. Se antes concentravam sua atuação na assistência técnica, armazenagem e comercialização da produção dos cooperados, hoje assumem um papel muito mais amplo, agregando valor à produção, investindo em industrialização, varejo, governança e inovação tecnológica.
Essa mudança foi impulsionada pela necessidade de garantir maior renda aos produtores diante das reduções das margens de lucro da atividade agrícola. “Com o passar do tempo, as margens dos produtos agrícolas foram se achatando e tornaram-se muito baixas no contexto de médio prazo. Os preços dos alimentos vêm caindo ao longo dos últimos anos no longo prazo, o que provocou um estreitamento das margens. Diante disso, surgiu a necessidade de oferecer mais alternativas de produção, um uso mais intensivo das propriedades e a busca por mais renda para a sobrevivência do produtor”, explicou Flávio Turra, gerente de Desenvolvimento Técnico e Econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná).
A industrialização tornou-se um dos principais caminhos para fortalecer o cooperativismo, permitindo a agregação de valor à produção. “Enquanto um produto primário tem uma margem média de 2% a 3%, o produto industrializado apresenta margens de 5% a 6%. O maior valor agregado proporciona uma remuneração melhor. Além disso, a industrialização elimina etapas de comercialização, pois a cooperativa já entrega o produto pronto para o consumo, ganhando competitividade”, afirmou Turra.
A expansão das atividades também levou as cooperativas a ampliarem sua presença no mercado consumidor. "Essa expansão levou as cooperativas a atuarem também no varejo, com supermercados próprios ou vendendo produtos industrializados para outras redes”, disse o gerente da Ocepar.
Segundo ele, esse crescimento das cooperativas exigiu uma profissionalização maior e melhor governança. As cooperativas tornaram-se empresas complexas. Hoje, no Paraná há 161 agroindústrias de cooperativas e as cooperativas agropecuárias estão presentes em 297 municípios. Em Cascavel, por exemplo, há nove cooperativas presentes.
"Essa complexidade exigiu que os conselhos de administração se estruturassem de forma mais profissionalizada. Atualmente, nas grandes cooperativas, adota-se um modelo de gestão com dois presidentes: o presidente do Conselho de Administração, que é o representante dos cooperados e dirige as políticas, e o presidente executivo, um profissional de mercado altamente preparado para gerir a execução dessas grandes empresas. Isso tornou as cooperativas mais preparadas para competir”, explicou Turra.
Ele avalia que o Estado ocupa posição de destaque no cooperativismo brasileiro. Das 10 maiores cooperativas do Brasil, seis estão no Paraná. E destaque que ainda há espaço para as cooperativas ampliar a agregação de valor à produção e avançar em processos que atendam às exigências dos mercados consumidores.
Atuação para além do campo
Na Cooperativa Integrada, com sede em Londrina, essa mudança tem se refletido em ações voltadas à governança, ao relacionamento com os cooperados, à aproximação com a comunidade e aos investimentos em industrialização, com foco na agregação de valor à produção.
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Segundo o presidente do Conselho Administrativo da Integrada, o cooperado Ricardo Kenji Amano, a cooperativa está trabalhando em uma maior aproximação entre a administração e os produtores. A meta é estar mais presente no dia a dia do cooperado e da comunidade.
Ele disse que devido à pandemia, o contato presencial e as reuniões foram reduzidos, mas agora a diretoria está visitando todas as regionais para ouvir opiniões e alinhar as necessidades dos cooperados. “Isso mostra que a cooperativa está aberta a discussões para melhorias constantes", afirmou Amano.
A industrialização é outro eixo estratégico da cooperativa. A Integrada conta com a UIS (Unidade Industrial de Sucos), em Uraí, a UIM (Unidade Industrial de Milho), em Andirá, responsável pela produção de mais de 20 subprodutos, e a UIR (Unidade Industrial de Ração), em Londrina.
Segundo Amano, novos investimentos já estão em andamento. "A industrialização está fortemente no radar. Atualmente, operamos com três indústrias e, em breve, anunciaremos uma quarta unidade por meio de intercooperação, o que agregará ainda mais valor ao produto do cooperado”, comentou o presidente do Conselho Administrativo. Além da agroindústria, a cooperativa também investe na produção de sementes.
A cooperativa também tem intensificado seu papel social, por meio de projetos educativos e em ações junto à comunidade, enfatizando os benefícios do setor agrícola, focando na geração de emprego e desenvolvimento regional. “Onde existe uma cooperativa instalada, o desenvolvimento local é visivelmente maior”, afirmou.
Amano destaca, por exemplo, o projeto Plantio Sorriso, que atende comunidades carentes e leva crianças ao campo para conhecerem de perto culturas como soja, milho e laranja. “Elas aprendem, por exemplo, como a laranja se transforma no suco que a própria cooperativa industrializa. Além disso, a Integrada marca presença através de patrocínios em eventos regionais, reforçando que a cooperativa gera empregos e que a cidade depende da força do agro”, disse.


