Imagem ilustrativa da imagem Colheita de milho chega forte e traz alívio aos produtores

Foram necessários poucos meses dentro da safra de grãos 2018/19 para a sorte do produtor paranaense mudar. Se a reclamação foi grande com a quebra da safra de soja – que chegou a 30% no começo do ano - o milho safrinha veio para trazer redenção ao Estado, com expectativa de volume recorde e ótimos preços de comercialização. Com pouco mais de 50% da área colhida, aqui na região Norte iniciando, os resultados estão ligados ao clima perfeito e também a instabilidade da safra norte-americana, maior produtor da commodity no mundo.

As projeções do Deral (Departamento de Economia Rural), da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento), são as melhores possíveis até aqui. Nem mesmo a geada do último fim de semana – que deve mexer mais com a qualidade do cereal em algumas regiões do que com o volume em si – atrapalha os bons números. No ritmo de colheita, 83% das lavouras estão em ótimas condições, os produtores estão torcendo para que a chuva não chegue na chamada fase de maturação.

A expectativa de volume está em quase 13,5 milhões de toneladas, 47% superior aos 9,1 milhões de toneladas da safra anterior, que foi castigada pela seca. O cenário agora é perfeito para bater o recorde na série histórica, quando nas safra 2016 o Estado colheu 13,1 milhões de toneladas de milho. “A diferença é que agora a área é menor: 2,2 milhões de hectares contra 2,4 milhões daquele ano. Isso porque a expectativa de produtividade é muito elevada”, salienta o técnico do Deral especializado na cultura, Edmar Gervásio.

Até o final de julho, a expectativa é que entre 60% e 65% da área paranaense de milho segunda safra esteja colhida
Até o final de julho, a expectativa é que entre 60% e 65% da área paranaense de milho segunda safra esteja colhida | Foto: Gustavo Carneiro

A produtividade que Gervásio relata, de fato, é impressionante. Se as adversidades climáticas não aparecerem de última hora, a média do Estado pode ficar em 6 mil sacas por hectare, outro recorde quebrado. “O milho é um produto que ainda tem alta capacidade tecnológica de ganhos no campo. Diferentemente da soja, que está mais estagnada, ainda é possível evoluir a produtividade do cereal graças às novas variedades e é isso que estamos vendo. Isso, claro, associado ao clima perfeito até aqui.”

Até o final deste mês, a expectativa é que entre 60% e 65% da área paranaense de milho segunda safra esteja colhida. A região Norte é a mais tardia, até agosto, e até aqui mostra um potencial de impressionantes 4,8 milhões de toneladas (36% do volume total), e crescimento em volume de 66% - o maior do Estado comparado ao ano anterior. A produtividade também está excelente: 5.748 quilos por hectare. No Sudoeste e Oeste, 6.239 e 6720 quilos por hectares, respectivamente. “Talvez no Noroeste (participação de apenas 5%) talvez tenhamos alguma quebra, porque a lavoura foi castigada devido à chuva”, complementa Gervásio.

Por fim, ele relata que a comercialização continua aquecida para os produtores paranaenses. “Até aqui não vejo pressão (baixista) em cima dos preços, até porque a cadeia de proteína animal está crescendo na casa dos dois dígitos e tem uma demanda pelo milho. No mercado internacional, o plantio desuniforme nos Estados Unidos (maior produtor do mundo), com redução de área também ajuda.”

Geraldo Casaroto olha para os seus 530 alqueires distribuídos por Londrina e cidades da região como Cambé, Ibiporã e Sertanópolis, com satisfação pelos resultados da lavoura do milho. Depois de ter um pouco de dor de cabeça com a soja – mas também ter travado ótimos preços para a oleaginosa – a expectativa é muito bacana para a maioria dos talhões na safrinha, que foram plantados em três datas diferentes. Até aqui, quase metade da área já foi colhida.

A melhor área é a que foi semeada mais cedo, no dia 10 de janeiro, que corresponde a 50% do volume total do produtor. Ele explica que essa pegou clima impecável. “Acredito que a média nesse caso será de 300 sacas por alqueire”. Na área plantada em 15 de fevereiro, 40% do total, a produtividade caiu um pouco: 250 a 260 sacas por alqueire.

Já a área que foi plantada no dia 5 de março – tardia - deve passar por quebra. Essa enfrentou a seca dos meses de abril e maio e agora a geada do último fim de semana. “Essa vai dar pouca produção, quebra com certeza. A seca ainda consegui suportar porque fiz ótimos tratos culturais e se não fosse a geada até teria uma média boa nessa área. Todo ano acaba acontecendo alguma coisa. O bom é que aqui corresponde a apenas 10% de todo o plantio.”

Em relação aos preços, o produtor está satisfeito. Ele já fechou 50% da sua produção com contratos que ficam na casa dos R$ 30 a saca. De acordo com Deral, a média até aqui para a saca da commodity em 2019 no primeiro semestre fechou em R$ 28,53. “O milho não repõe o que perdemos com a soja, mas pelo menos os valores estão bons.”

Casaroto relata que a quebra com a oleaginosa ficou mesmo em 30%, com média de 112 sacas por alqueire. Ano passado, fechou com média de 150 sacas por alqueire. “A salvação da lavoura foi que fechei 60% da produção a R$ 80 a saca. Colhi no início de janeiro e na sequência já comecei a trabalhar com o milho.”

Odilon Ishikawa plantou uma área de 150 alqueires de milho na região de Londrina. A primeira área, plantada no início de fevereiro, em torno de 50 alqueires, deve fechar com 250 sacas por alqueire. “Essa acabou pegando um pouco de seca”, explica.

Para o restante da área plantada mais para o final de fevereiro, a produtividade esperada é um pouco melhor: algo próximo a 280 sacas por alqueire. “Considero um ano razoável. Já a geada deve ter pegado uns 20 alqueires, com perda mais ou menos de 20% . Foi tranquilo, porque minha produção fica em lugares mais altos. Até agora vendi 30% da produção, com preços entre R$ 28 e R$ 30.” (V.L.)

As cooperativas do agro estão bem satisfeitas e na expectativa para o recebimento do milho safrinha. De acordo com a Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), 64% da commodity produzida no Estado está ligada ao cooperativismo. O número é da safra 2017/18.

Na Cooperativa Integrada, até aqui existe uma boa projeção para o recebimento nas regiões Oeste e Norte do Estado. O recebimento recorde até hoje foi de 18 milhões de sacas do cereal. Este ano, existe uma ótima expectativa de superar esse valor com folga. A meta é ultrapassar os 19 milhões de sacas. “Na região Oeste, nas cidades de Ubiratã, Guaíra e Goioerê, o recebimento saltou de 4,5 milhões de sacas para 5,5 milhões no comparativo com a safra passada. A diferença agora do restante está no Norte”, explica o gerente de comercialização da Integrada, Alcir Chiari.

Um dos entraves em receber um volume tão grande, sem dúvida, está na armazenagem das cooperativas. A capacidade estática do Estado é um problema natural, afinal, o ritmo do armazenamento não acompanha as produtividades. “As vendas têm essa limitação de recepção. É uma deficiência na estrutura. E se o produtor vê a fila em uma das unidades, acaba indo para outra cooperativa. Isso acaba atrapalhando bater os volumes.” Em relação à geada, Chiari não acredita em prejuízos grandes. “Pegou um pouco na região de Arapongas, mas talvez o milho escape”.

Já em relação às vendas, o gerente relata que o milho deu ótimas oportunidades de contrato, permutas e trocas por insumo. “Os produtores aproveitam uma grande safra, com os custos liquidados. 55% a 60% da safra já está fixada. Eles aproveitaram as janelas de preço e foram travando entre R$ 27 e R$ 32 a saca.”

Em relação aos custos de produção, na conta de Chiari, o valor ficou em entre 100 e 130 sacas por alqueire, algo em torno de R$ 4 mil por alqueire. “Com uma produção de 250 a 350 sacas por alqueire, dependendo da região, está sobrando para o produtor o dobro do custo. Acaba sendo uma compensação do que ocorreu com a soja.”

Em relação à oleaginosa, ele lembra que a cooperativa acabou recebendo uma safra 30% menor. “Porém, muitos produtores tiveram esse quebra compensada com preços fixados lá atrás, com contratos na casa dos R$ 80.” (V.L.)

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| Foto: Folha Arte

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