Projeções americanas melhores para o corn belt
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de julho de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

Após um cenário de queda de volumes no mercado internacional, principalmente pela situação climática dos Estados Unidos nos meses de maio e junho, as novas projeções do mercado norte- americano de milho – e também dos volumes brasileiros – mostram que o cereal vem forte em quantidade para os próximos meses.
O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), divulgado esta semana, aumentou a estimativa de produção da commodity, que vinha com projeções baixistas nos últimos meses. Ainda em fase de semeadura, a esperança agora é de um volume de 352,4 milhões de toneladas, contra os 347,4 milhões de junho. Em maio, a estimativa era de 381,7 milhões de toneladas. Na safra passada, os Estados Unidos colheram 366,2 milhões de toneladas.
Bem, para os EUA se trata de um alívio. Em diversos estados do cinturão do milho (corn belt), no meio-oeste do território, a situação era de excesso de chuva, granizo e muita umidade na semeadura. Algumas propriedades passaram por situações bem complexas, o que acabou puxando os preços da commodity para cima e muitos produtores brasileiros travaram o preço a ótimos valores. “Agora os trabalhos deram uma andada (mais normal) com expectativa de colheita entre setembro e outubro da safra americana”, explica o analista da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro.
No mesmo dia do relatório estadunidense, foi publicado também o décimo levantamento da safra 2018/19 de grãos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O milho safrinha tem previsão de produção recorde de 72,4 milhões de toneladas, crescimento de 34,2%. Somado ao milho primeiro safra, que deve fechar em 26,2 milhões de toneladas, a safra total do cereal pode fechar em incríveis 98,6 milhões de toneladas.
“A sustentação dos preços do Paraná é um pouco maior, até porque houve a questão da geada e manteve os valores mais firmes. Cenário diferente dos estados de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais, por exemplo, onde os preços caminham mais de lado. A safra é bem promissora, com 30% a mais de produtividade”, complementa Ribeiro.
De forma geral, a produção no Brasil deve chegar a 240,7 milhões de toneladas, mais um recorde da série histórica. O crescimento deverá ser de 5,7% ou 13 milhões de toneladas acima da safra 2017/18. A área plantada está prevista em 62,9 milhões de hectares, o que representa um aumento de 1,9% em relação à safra anterior.
INVERNO
Com uma área estimada em 1,99 milhão de hectares, 2,4% menor que a área plantada em 2018, a produção nacional de trigo deve fechar em 5,5 milhões de toneladas. As demais culturas da temporada (aveia, canola, centeio, cevada e triticale) apresentam um leve aumento na área cultivada, passando de 546,5 mil para 552,2 mil hectares.
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