Ruy Seiji Yamaoka: a tecnologia do Cerrado foi bem adaptada ao Estado, com menos custos de produção
Ruy Seiji Yamaoka: a tecnologia do Cerrado foi bem adaptada ao Estado, com menos custos de produção | Foto: Divulgação

Um besouro de coloração cinza ou castanha, mandíbulas afiadas, originário da América Central. O bicudo foi um dos “algozes” do algodão no Paraná no início de década de 1990 e um dos principais responsáveis por dizimar as lavouras logo depois de o Estado ter atingido o topo no ranking da produção. Depois, ladeira abaixo.

Hoje, o parasita continua sendo um desafio para os principais estados produtores (a Embrapa trabalha no desenvolvimento de um algodão resistente à praga em longo prazo) e se soma a outros que a Acopar enfrenta por aqui para que as lavouras continuem sendo retomadas, caso do controle de nematoides, lagartas e até o percevejo que deixa as áreas de soja na colheita e procura nova “casa” no algodão.

Ruy Seiji Yamaoka ingressou no Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) em 1976 já trabalhando com algodão. Aposentado, ele continuou como pesquisador voluntário do instituto em outras frentes. Ele relata que há cinco anos o Iapar interrompeu a pesquisa com a fibra e ele foi convidado pela Acopar para ajudar no projeto de trazer a commodity de volta com força para o Estado.

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Ele explica que a tecnologia do Cerrado foi bem adaptada ao Estado, com menos custos de produção e produtividade que se adeque à realidade paranaense. “Do refinamento foram escolhidas cinco variedades transgênicas de algodão para controle de lagartas e também resistência a aplicações de herbicidas.”

O bicudo continua sendo uma dor de cabeça. A vantagem atual do Estado é que como se trata de uma área comercial ainda muito pequena, a pressão da praga sobre cultura é um pouco menor. Hoje, enquanto o Mato Grosso, por exemplo, faz cerca de 12 aplicações de inseticida por safra, o Estado faz em média quatro. “A pressão é menor do bicudo, mas existe, então começamos o controle dele inclusive na entressafra. Já em relação aos fungicidas (no MT são cerca de 12 aplicações também) no Paraná ainda não está precisando nenhuma aplicação.”

Por fim, Yamaoka trata das outras técnicas de manejo fundamentais para a eficiência da lavoura: plantio direto com cobertura de solo, evitar compactação do solo para raízes mais profundas e assim menor impacto na seca, além de uma semeadura de qualidade, com sete a oito plantas por metro linear. “Outro passo é o controle da altura do algodão, de até 1,2 metro e bem arejado. Para isso, usamos hormônio regulador de crescimento. Por fim, com 70% de abertura fazemos a aplicação do desfoliante, derrubando as folhas da planta e assim sem impureza na colheita.”

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