Suspeito de matar cinco pessoas em SC era quieto e problemático, diz polícia


FERNANDA CANOFRE
FERNANDA CANOFRE

<p>PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O jovem de 18 anos suspeito de atacar crianças e professores em uma escola infantil em Saudades, na região oeste de Santa Catarina, na manhã de terça-feira (4), era quieto, sofria bullying e por isso já não queria ir à escola.

</p><p>Segundo informações do delegado responsável pelo caso, no fim da tarde desta terça, depoimentos de familiares e pessoas próximas a ele ajudaram a polícia a formar o perfil inicial do jovem, que estava no ensino médio e trabalhava em uma empresa da cidade.

</p><p>O delegado Jerônimo Marçal descartou, por enquanto, a hipótese de que o jovem tivesse qualquer relação com algum grupo ou outras pessoas, para cometer o crime.

</p><p>"Um rapaz problemático, e quem relatou isso foram pessoas próximas a ele, ele vinha enfrentando bullying na escola, vinha maltratando alguns animais, muito introspectivo, quietão, na dele. Aquele perfil de jovem que se tranca no quarto e ninguém sabe o que está fazendo no computador. Gostava de jogos online, alguns jogos com violência", disse o delegado.

</p><p>Ele disse que espera nos próximos dias ouvir o jovem, que se feriu depois do ataque que resultou na morte de cinco pessoas --uma professora, uma servidora e três crianças menores de dois anos -- e foi levado a um hospital. O objetivo é complementar os depoimentos ouvidos e entender a motivação para o crime.

</p><p>O jovem se cortou na região do pescoço, no abdômen e no tórax, depois de atacar pessoas que estavam na Escola Municipal Infantil Pró-Infância Aquarela, que atendia crianças de até três anos no município.

</p><p>Ainda segundo os relatos ouvidos pela polícia, o jovem, de família humilde, tinha alguns problemas dentro de casa, não tinha celular nem namorada e havia se afastado dos poucos amigos que tinha nos últimos dias.

</p><p>As duas armas brancas que ele levou à escola infantil, ele havia adquirido recentemente. Nos golpes contra crianças e professores, ele usou apenas a maior delas, um facão. Para conhecidos, ele chegou a brincar que havia comprado os instrumentos para maltratar animais que tinham em casa.

</p><p>"Ninguém da família dele imaginava que ele fosse fazer isso", afirmou o delegado.

</p><p>Entre os objetos apreendidos na casa do jovem, que serão analisados pela perícia, estão um computador e R$ 11.000 em espécie, que seriam suas economias. Os pais do jovem e uma irmã foram ouvidos na casa da família.

</p><p>Todas as vítimas receberam pelo menos cinco golpes com o facão, majoritariamente perfurocortantes. As crianças tiveram mais ferimentos. A agente educativa Mirla da Costa Renner, 20, chegou a ser socorrida, mas morreu depois. A professora, Keli Adriane Aniecevski, 30, morreu no local.

</p><p>Outras duas pessoas foram socorridas no local do atentado -o próprio suspeito e um bebê que, segundo as forças de segurança, está em estado grave em um hospital de Chapecó.

</p><p>"Jamais sonhávamos ou imaginávamos, algum pesadelo, que poderíamos passar pelo momento que estamos passando", afirmou o prefeito Maciel Schneider (PSL) à imprensa no fim da tarde. "A gente lamenta o ocorrido e nos causa muita dor saber que esses pais e familiares perderam essas crianças e esses familiares."

</p><p>"A gente vive num ambiente até de certa inocência, imaginando que esse tipo de coisa não acontece em uma cidade pequena, uma cidade pacata, em que todos se conhecem, onde se tem uma vida tranquila. O estado de Santa Catarina tem muito disso também. Essa também é uma razão pela qual ficamos ainda mais chocados, consternados com o que aconteceu aqui", disse a governadora em exercício, Daniela Reinehr.

</p><p>Os corpos das vítimas foram levados para Chapecó, a cerca de 70 quilômetros, onde foram sumetidos a perícia. A previsão é que fossem liberados para as famílias ainda nesta terça.

</p><p>Nesta quarta, está previsto um velório coletivo para as vítimas em Saudades, no Ginásio do Parque de Exposições Theobaldo Hermes.</p>

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