SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio à pandemia de Covid-19, os desfiles das escolas de samba foram adiados para abril. Porém, isso não significa que as quadras tenham ficado às moscas durante o feriado oficial do Carnaval.

A Vai-Vai, neste domingo (27), recebeu a Leandro de Itaquera, que a escola considera sua co-irmã, para um ensaio turbinado, no bairro da Sé, zona central de São Paulo.

Sem sede e com uma nova quadra que está em construção, a Vai-Vai utiliza a sede dos Sindicato dos Bancários para realizar seus ensaios.

A realização de eventos fechados é autorizada pela prefeitura da capital desde que sejam cumpridos protocolos de segurança, como comprovante da vacina, 70% da ocupação, no máximo, e uso de máscara em todos os momentos em que as pessoas não estiverem se alimentando.

Além disso, é necessário que o espaço disponibilize álcool em gel.

Nas redes sociais, a Vai-Vai anunciou que seria exigido o passaporte da vacina e o uso de máscara para participar do ensaio. Houve controle do comprovante do imunizante na entrada e funcionários da escola solicitaram que os presentes usassem máscaras.

O formato do evento com a participação de outras escolas tem acontecido desde o início de fevereiro. A Vai-Vai explica que esta é uma forma de garantir maior número de presentes e, consequentemente, um lucro também superior.

Para entrar, o ingresso custava R$ 15 e um quilo de alimento não perecível --quem não trouxesse o alimento deveria desembolsar R$ 20. A expectativa para este domingo era receber pelo menos 500 pessoas neste ensaio.

"Trouxemos a escola de volta para o grupo especial e agora batalhamos para nos classificarmos entre as primeiras. Nós que estamos aqui, depois de um período tão grande de pandemia, somos sobreviventes. Dois anos sem ir para a avenida é complicado", diz o presidente da Vai-Vai, Clarissio Gonçalves. .

Assim como em outros eventos que a reportagem esteve presente, a máscara foi a medida mais difícil de ser respeitada.

Durante o ensaio da Vai-Vai, não eram todos que utilizavam o equipamento, porém, ao menos no início, havia um número superior de pessoas de máscaras do que em outras festas.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da escola admite que o controle do uso de máscara é difícil, uma vez que as pessoas sentem calor quando tocam instrumentos e dançam.

"Sempre pedimos comprovante de vacinação e uso de máscara. Sempre alguém tira, mas nós vamos lá e pedimos", afirmou Gonçalves.

O samba-enredo neste ano da Vai-Vai é chamado de Sankofa, que tem o objetivo de resgatar as ancestralidades dos povos africanos.

Para o presidente, a ausência de blocos de rua, porém a realização de festas fechadas para quem pode pagar é um "hipocrisia".

"Todos caem em cima das escolas de samba e blocos de carnaval como se fôssemos os culpados [pela pandemia]", diz ele que enfatiza que, se em 2020, tivesse sido avisado sobre o perigo iminente da pandemia da Covid-19, as escolas de samba "com certeza não iria ter corrido este risco, mas nós não sabíamos."